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23 de Maio de 2013

Os ómega-3 e a adiponectina - implicações na diabetes e obesidade


Os suplementos de óleo de peixe, conhecidos pelo ser teor em ómega-3 (EPA e DHA), são reconhecidamente úteis na regulação da saúde metabólica, em especial no contexto de uma dieta altamente polarizada para o consumo de óleos vegetais. Embora a sua "fama" se deva à sua acção a nível cardiovascular, doenças como a diabetes ou mesmo a obesidade podem beneficiar de um maior consumo de ómega-3. E um dos potenciais intermediários aqui será a adiponectina.

22 de Maio de 2013

As tabelas nutricionais e o valor real dos alimentos


Quando nós queremos fazer cálculos de balanço energético assumimos simplesmente que o valor calórico dos alimentos que vem listado na tabela é de facto a energia que absorvemos. Por outras palavras, partimos do princípio de que tudo o que comemos é absorvido e disponibiliza energia para os processos biológicos. Este conceito vem de um estudo nos anos 70 onde se verificou que cerca de 95% do que ingeríamos era de facto absorvido. O valor calórico dos alimentos é estimado através da sua combustão completa em condições experimentais controladas. Mas seremos nós tão eficientes como um calorímetro de bomba em usar energia?

21 de Maio de 2013

A mais recente classe de drogas no tratamento da diabetes


O controlo farmacológico da diabetes conta agora com uma nova classe de drogas, os análogos de GLP-1. A GLP-1 é uma hormona intestinal com efeitos metabólicos bastante interessantes do ponto de vista clínico. Ela estimula a secreção de insulina, aumenta a sensibilidade à insulina, reduz o apetite, entre outras acções fisiológicas de relevo. A utilização destes análogos sintéticos é ainda recente e os seus efeitos são mal conhecidos a longo prazo. Uma meta-análise aos ensaios clínicos com estes fármacos no tratamento da diabetes, apresentada recentemente no meeting anual da American Society of Hypertension, revela uma redução significativa da pressão arterial, peso corporal, e uma redução da HbA1c em 0,41.

Os análogos de GLP-1 não são a primeira abordagem no controlo da diabetes. No entanto, os resultados bastante positivos que têm sido obtidos sugerem que possam vir a ser uma arma terapêutica de sucesso. Há uns tempos falei-vos da acção destes fármacos a nível da perda de peso. É pertinente recordar agora o artigo, bem mais detalhado: "O Victoza (liraglutide) para emagrecer"

A obesidade está associada a uma disfunção das artérias a partir dos 50 anos


A "rigidez" dos vasos sanguíneos é um factor de risco cardiovascular de grande importância, especialmente com o avançar da idade. Este fenómeno está relacionado com vários factores que causam uma disfunção na parede dos vasos, como exposição continuada a glicémia elevada e inflamação crónica. E a obesidade está relacionada com ambos. Um estudo agora publicado na revista Hypertension mostra que a % de gordura corporal está associada positivamente com a rigidez das artérias. No entanto, esta relação apenas se verifica a partir dos 50 anos de idade.

20 de Maio de 2013

As emissões automóveis comprometem a função das HDL


As lipoproteínas HDL são geralmente assumidas como protectoras porque fazem o transporte reverso do colesterol para eliminação. Mas na verdade, o papel das HDL é bem mais complexo do que isso e entre as suas acções está também uma função anti-oxidante de relevo. Esta função nem sempre é preservada e alguns tipos de HDL são ineficientes em atenuar o stress oxidativo. As HDL tipo 3, mais pequenas, são assumidas como protectoras precisamente pela sua maior capacidade em inibir a oxidação das LDL e desta forma reduzir o risco aterogénico. Assim sendo, e tal como acontece para as LDL, não só o total de HDL é importante como também a sua funcionalidade. E que factores podem comprometer a função antioxidante das HDL? Segundo equipas da Universidade da Califórnia, as emissões dos automóveis são um deles.

17 de Maio de 2013

O exercício físico e o impacto socioeconómico da doença


Porque devem os nossos séniores fazer exercício? Porque devem ser implementadas políticas de promoção da actividade física na 3ª idade? Primeiro faz-lhes bem à saúde, segundo faz-nos bem à carteira... A todos. Pelo menos é o que nos diz um estudo publicado há dias no PLoS sobre o impacto económico dos programas de exercício cardiorespiratório e de musculação em idosos com deficit cognitivo e sinais de Alzheimer. A prática de actividade física estruturada deste tipo reduziu a necessidade de cuidados de saúde, idas ao médico, e exames de diagnóstico complementares.

16 de Maio de 2013

Crossgen Beef Protein - participa e ganha uma!


Os suplementos de proteína hidrolisada de carne andam aí e estão na moda como alternativas ao soro de leite. Algumas pessoas, influenciadas ou não pelo "movimento paleo", têm optado por estes novos produtos para evitar o consumo de derivados do leite. A verdade é que não existem estudos comparativos entre os hidrolisados de carne e a whey que possam atestar qual delas é superior em termos de potenciação das adaptações ao treino. Acredito que sejam bastante idênticas. Ambas são ricas em aminoácidos essenciais e leucina (BCAAs em geral). A hidrólise parcial aumenta a velocidade de absorção da proteína de carne, provavelmente até mais rápida que os concentrados de soro de leite. Tal como nestes últimos, os hidrolisados de proteína de carne também parecem conter péptidos bioactivos inibidores da ACE. O teor em creatina também é obviamente superior nas proteínas de carne. Não contém lactose, pelo que é bem tolerada a nível gastrointestinal pela maioria das pessoas. Conseguiremos encontrar sempre argumentos contra ou a favor consoante as nossas crenças. O que ainda não conseguimos encontrar são estudos comparativos.

Ofereceram-me recentemente uma embalagem de Crossgen Beef Protein. A Crossgen é uma marca recente no mercado, mais virada para o Crossfit e filosofia que o caracteriza - intimamente ligado à Paleo, onde os derivados do leite não têm lugar. É sem dúvida um produto interessante em vários aspectos. O teor proteíco total (81%) não difere da maioria dos concentrados de soro de leite, tal como a quantidade de hidratos de carbono (8%, não de lactose claro) e gordura (4%). A nível de micronutrientes poderá ser um pouco mais rica, mas pobre daquele que estiver a contar com estes suplementos para o seu aporte de vitaminas e minerais. Então o que torna este produto diferente?

As estatinas e o condicionamento físico


As estatinas, fármacos que reduzem o colesterol, são das drogas mais prescritas em todo o Mundo. Isto mesmo com as evidências crescentes de que podem não ser adequadas para toda a gente, se é que o são para alguém. São conhecidos os seus efeitos degenerativos no sistema nervoso e músculo, por exemplo. E se as estatinas influenciam negativamente o sistema músculo-esquelético, qual o seu impacto a nível do condicionamente físico? Uma equipa da Universidade de Missouri tratou de responder a esta questão num artigo publicado recentemente no Journal of the American College of Cardiology.

15 de Maio de 2013

Ómega-3 para perda de gordura


Existem dezenas de produtos para perda de peso no mercado, mas os mais eficazes nem sequer são vendidos como tal. A obesidade é uma "disfunção" de génese multifactorial, mas as suas implicações ramificam-se também a vários sistemas do organismo. E um aspecto central que relaciona tudo isto poderá ser a inflamação. A inflamação causa obesidade ou é uma consequência do excesso de gordura? Provavelmente as duas coisas. Assim sendo, nutrientes de acção anti-inflamatória poderiam facilitar o processo de perda de peso e restaurar funções metabólicas comprometidas no estado obeso. E um dos mais poderosos são os ómega-3 de origem animal, o EPA e o DHA. Será que uma gordura pode facilitar a perda de gordura? É bem provável que assim seja.

14 de Maio de 2013

Bactéria pode proteger da obesidade e diabetes


Já que estamos numa de microbiota hoje (leiam aqui o outro artigo do dia), aqui vai mais um. O intestino de ratos e humanos obesos ou com diabetes tipo 2 é caracterizado por menores níveis de uma bactéria, a Akkermansia muciniphila, comparativamente a organismos saudáveis (onde constitui cerca de 3-5%). A "dieta obesogénica" parece levar a uma diminuição desta A. muciniphila, que pode ser restaurada com probióticos e prebióticos. As implicações da restauro da microbiota a este nível foram dramáticos em ratinhos. Comparando com animais não-tratados, verificou.se uma maior perda de peso, melhor composição corporal e menos resistência à insulina. O retorno a níveis normais de A. muciniphila aumentou os endocanabinóides intestinais, moléculas importantes na homeostase energética e imunitária.

Esta bactéria também parece afectar a produção de substância anti-microbianas e aumentar a produção de muco. Na verdade, a A. muciniphila digere a mucina produzida pelas células intestinais, estimulando mais secreção e uma camada mais espessa. Desta forma, a bactéria parece proteger a barreira intestinal e exercer um efeito regulador na microbiota, tudo em troca de alimento. A equipa está excitada relativamente aos resultados e pronta para estudar o significado terapêutico do restauro da microbiota em humanos.