13 de Fevereiro de 2014

Proteína de arroz


A proteína de soro de leite (whey) é aclamada sem grande contestação como a ideal no pós-treino, uma altura crítica para potenciar os processos anabólicos e adaptativos ao exercício. Trata-se de uma proteína solúvel em água, de rápida absorção, grande biodisponibilidade, e com um valor biológico muito elevado, características que fazem da whey o suplemento alimentar mais procurado para fins de performance. Não são poucos os estudos que atestam o seu efeito potenciador da síntese proteica e inibitório do catabolismo muscular, superior a proteínas como a soja e caseína, funcionalmente bem distintas. Embora estes indicadores de character imediato, avaliados após a sessão de exercício, sejam obviamente importantes, tratam-se apenas de minor endpoints que usamos para inferir aquilo que realmente interessa: as adaptações ao treino no final de um programa serão assim tão diferentes se ingerirmos whey ou outra fonte? Ganhamos mais ou menos massa muscular? Talvez a whey não seja a única fonte proteica de interessa e é aqui que entra a proteína de arroz.

2 de Janeiro de 2014

Consultas de diagnóstico e optimização metabólica


Bem sei que tenho andado um pouco afastado do blog, o que se deve essencialmente a motivos profissionais mas não só. Em breve tenciono regularizar a situação prometo :) Muitas mudanças ocorreram na minha vida, o que requer uma nova organização e gestão do tempo dedicado ao site. E uma delas tem sido a grande procura por parte de leitores ou pessoas que me chegam por recomendação de outros profissionais, sempre no sentido de obterem aconselhamento sobre as melhores práticas para atingir os seus objectivos, sejam eles composição corporal, performance, ou mesmo saúde. É neste momento inevitável lançar um serviço com esse propósito, em parceria com profissionais de excelência nas suas áreas e que irão dar um contributo fundamental em todo um processo de diagnóstico e acompanhamento individual, totalmente personalizado.

31 de Dezembro de 2013

Certificação Internacional em Nutrição Desportiva, Aveiro

É com enorme prazer que vos venho anunciar que a Certificação em Nutrição Desportiva apadrinhada pelo Tudor Bompa Institute chegou à zona Centro/Norte do país, nomeadamente Aveiro. Tal como em Lisboa, os 3 primeiros módulos serão da minha responsabilidade, e os restantes serão lecionados por formadores de excelência com quem tenho a honra de trabalhar. Várias pessoas no Norte me têm contactado para formações, e aqui está uma oportunidade :) 


15 de Dezembro de 2013

Análise à proteína Total Whey da Gold Nutrition

Depois de publicar a análise à 100% Whey Gold Standard da Optimum Nutrition [link], aqui vão os resultados da análise ao teor proteico da Total Whey da Gold Nutrition. Apesar de ser um dos suplementos que me dá mais garantias de qualidade, muitos leitores mostraram dúvidas relativamente a este produto e pediram a análise. Aqui está... Tudo de acordo com o descrito na embalagem no que respeita à quantidade de proteína. Cliquem na imagem para ampliar ou descarreguem para os vossos arquivos se tiverem dificuldade em ver.


10 de Dezembro de 2013

3 anos de blog + novidades!

Pois é... No passado dia 6 de Dezembro o blog fez 3 anos de existência! Obrigado a todos vós que fizeram do Fat New World um sucesso, com mais de 1 milhão de visitas! Para mim tem sido uma experiência muito gratificante e enriquecedora. Cresci como profissional e como pessoa, cada vez mais apaixonado por esta área que nos une - nutrição, fitness, e saúde. Bem sei que nos últimos tempos não tenho conseguido escrever ao ritmo a que vos habituei, mas isso não significa que tenha abandonado o blog ou que lhe tenha dado um papel secundário. Apenas tenho sido muito procurado profissionalmente, o que em grande parte também está ligado ao sucesso do Fat New World e é o melhor feedback possível do meu trabalho. Também por isso vos deixo um agradecimento.

Para ser sincero não sei se conseguirei voltar aos artigos diários, mas o Fat New World irá persistir por muito tempo! E tendo em conta a elevada procura e recomendações por parte dos leitores, em breve irei lançar um serviço de acompanhamento personalizado, em parceria com outros profissionais de excelência nas suas áreas (nutrição e fisiologia). O que se pretende é um acompanhamento integrado que pressupõe um diagnóstico metabólico e promoção de estratégias para optimização da composição corporal, sem nunca esquecer a saúde. Isto sempre com a componente científica e racional a que vos habituei... Mais novidades para breve :)

2 de Dezembro de 2013

O vinho tinto na doença cardiovascular


Todos já ouvimos sobre os benefícios do vinho tinto na saude cardiovascular. É um tema que agrada os meios de comunicação pelo seu mediatismo, embora na grande maioria dos casos se tratem de resultados de estudos epidemiológicos com todos os problemas que lhes são inerentes. Associação não significa causalidade e uma série de outros comportamentos confundem a validade da associação numa perspectiva biológica (e não apenas estatística). Por esta razão, julgo ser digno de nota um estudo publicado recentemente sobre o tema [link], mas desta vez um ensaio de prevenção secundária (em pacientes com aterosclerose) em que as pessoas foram submetidas a modificações no estilo de vida (dieta regular vs Mediterrânea, exercício vs sedentarismo) e testado o efeito de 100-200 mL diários de vinho tinto.

Se as modificações no estilo de vida no sentido de uma dieta mais saudável e exercício tivessem sido os factores de maior impacto provavelmente não estaria a escrever um artigo sobre isso. Poucos terão dúvidas a esse respeito. Mas a verdade é que o consumo de vinho tinto parece, por si só, ter um efeito bastante benéfico a nível da lipidémia com uma elevação dos níveis de HDL-c e redução no rácio LDL-c/HDL-c, considerado um indicador robusto do risco de doença cardiovascular. Na verdade o efeito do vinho tinto parece até superior! (o inverso para os triglicéridos, o que é natural tendo em conta o efeito do álcool a este nível).

Não se apressem a concluir que o vinho tinto protege do risco cardiovascular e que tem um efeito mais potente do que um estilo de vida saudável (o que quer que isso seja). Na verdade, as modificações no estilo de vida parecem induzir um efeito mais duradouro e persistente na lipidémia, o que já de si é um indicador discutível do real risco cardiometabólico. Mas os resultados deste estudo apontam para que de facto a inclusão de uma pequena dose de um bom vinho tinto (100-200 mL) na dieta regular possa trazer benefícios a curto-médio prazo. Tendo em conta o teor em resveratrol, quercetina, e outros compostos fenólicos anti-oxidantes e anti-inflamatórios, não é de estranhar um efeito protector sobre uma doença com o carácter da arteriosclerose. Além disso, o efeito calmante e anti-stress (cortisol) que poderá ter é um ponto extra a ter em conta na prevenção de doença e bem-estar.


27 de Novembro de 2013

Certificação em Nutrição Desportiva, um curso WellX ProSchool, Nutriscience, e Tudor Bomba Institute

É com enorme prazer e orgulho que anuncio fazer parte do corpo docente da 1ª edição da Certificação em Nutrição Desportiva promovida pela WellX e Nutriscience, e com o selo do internacionalmente reconhecido Tudor Bompa Institute. Este curso é constituído por 6 módulos e dirigido a todos os profissionais na área do exercício, nutrição, e saúde em geral. Mais informações AQUI ou entrem em contacto com a WellX ProSchool. Inscrições abertas!


26 de Novembro de 2013

Obesidade saudável: será que existe?


Existe grande contorvérsia em torno daquilo a que se tem chamado "obesidade saudável", um estado em que o excesso de gordura não parece apresentar efeitos nefastos no organismo. São pessoas aparentemente saudáveis e com indicadores de saúde perfeitamente normais, como a glicemia, HDL-c, e marcadores inflamatórios, nem sempre fáceis de convencer de que o seu estado coloca em risco a saúde. O painel bioquímico não reflete isso. Embora numa perspectiva de gestão de recursos faça sentido dar prioridade de intervenção à obesidade patológica, com doenças metabólicas associadas e geralmente com um perfil abdominal, a verdade é que os outros, sem problemas aparentes, não devem ser esquecidos. Já um estudo Espanhol de coorte verificou um risco 700% mais elevado de desenvolver diabetes em pessoas obesas "metabolicamente saudáveis" do que em indivíduos com peso normal num período de 11 anos. Agora, um outro estudo Americano vem reforçar esses mesmos resultados, encontrando um risco muito superior de desenvolver diabetes em todos os padrões de obesidade (OR de 3,9 nos "obesos saudáveis") [link]. O mesmo foi verificado para o risco cardiovascular.

O que isto significa? De uma forma simples, há os obesos com problemas e os que irão ter problemas no futuro. Óbvio que estou a generalizar abusivamente mas percebem a ideia. O aumento do risco de disfunções metabólicas é demasiado grande para ser ignorado, mesmo quando tudo parece-me bem, hoje. É urgente adoptar medidas preventivas o mais cedo possível, e que passam invariavelmente pela perda de gordura e optimização metabólica. Friso perda de gordura e não necessariamente peso. Tenho-me deparado com muita gente de peso normal e gordura excessiva, especialmente na zona abdominal. O deficit em massa muscular é outro problema que anda de mãos dadas com este, e, como sabem, na minha opinião não há optimização metabólica sem treino de força. Daí a importância de uma boa avaliação da composição corporal que complemente a bioimpedância, quando o DEXA não é possível, com recurso a perímetros e pregas cutâneas. Uma ferramenta de grande utilidade no diagnóstico e intervenção para optimizar o metabolismo e saúde.




21 de Novembro de 2013

Café ao final da tarde e as perturbações no sono


É do senso comum que ingerir café ou outros alimentos/bebidas cafeínadas pode perturbar o sono, com maior ou menor magnitude consoante a tolerância individual. Um estudo recente avaliou o impacto no sono do consumo de cafeína 3 e 6 h antes de dormir, verificando que em qualquer um destes momentos se verificava um efeito negativo, nem sempre com percepção do mesmo por parte dos participantes [link]. Este estudo suporta obviamente a recomendação de que se deve evitar o consumo de cafeína a partir do meio da tarde, apesar da dose ter sido um pouco alta para os hábitos dos Portugueses (400 mg de cafeína correspondem a uns 4-5 cafés espresso). Curiosamente este foi o primeiro estudo a avaliar o efeito do consumo de cafeína em horários diferentes na qualidade do sono. Como estimulante que é, poderá não só actuar a nível do sistema nervoso mas também provocar um aumento do cortisol em momentos inapropriados, nomeadamente o final da tarde/noite. Como tal, mesmo não sendo sensível o impacto negativo da cafeína nessas horas do dia, é recomendável evitar o seu consumo. E quem vos diz isto é um "viciado" em café... :)