26 de janeiro de 2015

Leite "orgânico" e convencional: qual a diferença?


Estava eu aqui a pesquisar na Internet sobre as novidades do Mundo da ciência quando me deparei com um artigo que me pareceu interessante de partilhar convosco. Não o trabalho em si mas algumas reflexões sobre aquilo que conclui. Trata-se de uma revisão sobre as diferenças entre o leite orgânico e convencional no que toca à riqueza nutricional e suas diferenças [link]. O que significa mesmo "orgânico"? Será um selo que confere só por si uma vantagem que justifica o preço? Talvez não...

24 de janeiro de 2015

Red Yeast Rice para o colesterol elevado e inflamação


É raro hoje em dia alguém com níveis de colesterol acima do recomendado sair do consultório médico sem uma prescrição de estatinas, mesmo tendo em conta os novos desenvolvimentos pouco abonatórios para esta classe de drogas. Mas as estatinas não apareceram do nada e na verdade existem alternativas na Natureza aos compostos sintetizados e com patentes de milhões: o Red Yeast Rice, disponível como suplemento alimentar. Mas serão os seus efeitos comparáveis? E em relação aos riscos? Trata-se de um composto ainda mal estudado, mas um trabalho publicado recentemente vem alegar efeitos comparáveis aos das estatinas, e que não se limitam à redução do colesterol. A suplementação com Red Yeast Rice parece reduzir o LDL-c, colesterol total, e aumentar significativamente os níveis de adiponectina [link].

20 de janeiro de 2015

Insulina - amigo ou vilão? Efeito a nível do tecido adiposo castanho


Muito temos ouvido sobre os efeitos nefastos da insulina. A insulina engorda... A insulina inflama... A insulina isto e aquilo, etc, etc. Apesar de haver um traço de verdade em tudo isto, a insulina está longe de ser uma hormona que trabalha contra nós. Antes pelo contrário. Os problemas surgem é quando ela não funciona devidamente, o que infelizmente é bem comum hoje em dia. Aquilo a que chamamos resistência à insulina. Quando tudo funciona bem, algumas das suas acções são precisamente promover saciedade, e também o gasto de mais energia.

11 de janeiro de 2015

A Dieta dos Signos


Sempre quis escrever um livro. É um objectivo que tenho, e diga-se a verdade, escrever sobre dietas está na moda. Toda a gente já percebeu que não existe uma dieta que sirva a toda a gente certo? O segredo está na personalização do programa alimentar mediante a individualidade metabólica de cada um (e astral segundo parece). Temos a dieta do tipo sanguíneo, do tipo metabólico... e agora dos signos. Estava a navegar pelo Facebook, uma das minhas fontes de inspiração, e deparei-me com esta maravilha. A "Dieta dos Signos" [link]. Que ideia fantástica! Como Virgem que sou (dispenso as piadas), fiquei a saber que:
Para si, a saúde é muito importante e não há nada que não saiba sobre nutrição. No entanto, nem sempre coloca em prática as suas teorias. O peso extra que tem normalmente é uma consequência de uma fase de maior ansiedade, que o/a leva a comer em excesso.

PARA EVITAR PROBLEMAS DE SAÚDE, RESULTANTES DA ANSIEDADE, DIMINUA O CONSUMO DE GORDURAS E PROTEÍNAS QUE SEJAM DE DIFÍCIL DIGESTÃO. INGIRA ALIMENTOS RICOS EM CÁLCIO, CEREAIS INTEGRAIS E PRODUTOS LÁCTEOS. 

Depois disto tenho de rever tudo o que sei e acredito em nutrição. Ou então nasci no mês errado... De facto comer cereais e lacticínios é coisa que não faço. Isso explica muita coisa! Ando aqui com uma dor no joelho direito que nunca soube a causa... E este ano já me constipei uma vez, e nem a canja de galinha resultou...

Se ainda não perceberam, estava a brincar... A cegueira pela fórmula mágica para emagrecer, e sem esforço já agora, faz com que as pessoas sejam "engrupidas" a torto e a direito. Basta escrever umas coisas ao encontro de crenças, e está feito. Uma série de banalidades que assentam em toda e gente e pronto... Já vejo um livro nas prateleiras da FNAC chamado "A Dieta dos Signos", e até sei quem o gostaria de escrever. Mas já vais tarde! 

Entretanto vou ali ler o horóscopo. Bom fim-de-semana...

7 de janeiro de 2015

Nutrição intra-treino: terá lugar na hipertrofia?


A nutrição peri-treino (antes, durante e após exercício) no contexto da hipertrofia é um assunto de debate nem sempre consensual. Embora a literatura científica seja consistente no que toca ao pré e pós, momentos onde menos dúvidas restam, a necessidade de nutrição intra-treino não tem sido estudada com tanto afinco. O papel da proteína/aminoácidos e dos hidratos de carbono pós e pré exercício nas adaptações ao treino de força é reconhecido, mas será que durante o treino também desempenham uma função de relevo? É sobre isto que vamos falar um pouco...

1 de janeiro de 2015

Votos de um excelente 2015!


Escrevo apenas para vos desejar a todos um excelente ano de 2015. Este será também um ano de mudanças aqui no blogue e na Metabolic Edge que serão anunciadas bem em breve. Sei que o site tem estado um pouco parado, o que se deve em grande parte ao que aí vem, mas voltarei a uma rotina semanal de artigos e novos projectos que espero serem do vosso agrado :). 

29 de dezembro de 2014

Curso Avançado de Nutrição Clínica: Uma Visão Funcional e Personalizada


Já na sua 3ª edição, o Curso Avançada de Nutrição Clínica da Nutriscience tem como objectivo fornecer aos profissionais de saúde ferramentas de ponta baseadas na evidência e na prática clínica, através do ensino de bases sólidas de Bioquímica da Nutrição, Genómica Nutricional, Imunologia da Nutrição, Nutrição Baseada na Evidência, Medicina Evolutiva, Fisiopatologia, Interacção Fármaco-Alimento, Semiologia aplicada à Nutrição, Análises Clínicas, Suplementação e Dietoterapia Personalizada e Funcional. Um curso pioneiro em Portugal que se destina aos profissionais de saúde (nutricionistas, médicos, e outros) que procuram enriquecer a sua prática clínica com esta abordagem funcional e individualizada da nutrição clínica. 

Programa: 



PARA MAIS INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES AQUI.

8 de dezembro de 2014

CERTIFICAÇÃO EM NUTRIÇÃO DESPORTIVA - PORTO E ALGARVE

Finalmente no Porto, e no Algarve.

Inscrições abertas!

CERTIFICAÇÃO EM NUTRIÇÃO DESPORTIVA

WellXProSchool | Nutriscience | Tudor Bompa Institute

Algarve (Albufeira) e Porto (Gaia) | Janeiro a Maio de 2015

Mais informações em www.wellxproschool.com ou através do email wellxproschool@gmail.com
Finalmente no Porto, e Algarve 


Actividade física e a função cognitiva das crianças



Se até hoje houve palavras saídas da boca de alguém que me deixaram estupefacto, foi que as crianças em idade escolar não deviam praticar exercício físico extra-curricular pois isso "desvia" a criança daquela que deveria ser a sua prioridade - a escola. Bem, aqui vai então a minha resposta... 

Um estudo publicado há dias num journal (ou espécie de...) especializado em desenvolvimento infantil mostra por A + B que crianças fisicamente activas ultrapassam largamente os seus pares sedentários nos resultados dos testes de aferição, e têm melhor concentração e atenção [link]. E no que toca à parte mais "biológica" da coisa, as crianças activas apresentam um volume cerebral tendencialmente maior na hipocampo e gânglio basal, áreas envolvidas na função cognitiva e memória.

Segundo os autores, estes resultados podem até sugerir o exercício como intervenção em crianças com déficit de atenção, um problema tão comum hoje em dia e que antes se chamava de "criança mal comportada". Mas a verdade é que pode ser bem mais complexo do que isso e uma intervenção focada no exercício físico e alimentação poderá ter um impacto profundo na aprendizagem destas crianças.

Fora ou no âmbito das aulas, a actividade física é um auxiliar à aprendizagem destas crianças e não um obstáculo. Outro seria deixar de lado as bolachas maria e leite com chocolate. O que esperam que as crianças façam após ingerirem esta quantidade de açúcar? Que fiquem quietinhas a ouvir o ABC? Ou que andem que nem loucas numa "sugar high" que quando acaba dá uma moca de cansaço na certa? Food for thought...

Laura Chaddock-Heyman, Charles H. Hillman, Neal J. Cohen, Arthur F. Kramer. III. THE IMPORTANCE OF PHYSICAL ACTIVITY AND AEROBIC FITNESS FOR COGNITIVE CONTROL AND MEMORY IN CHILDREN. Monographs of the Society for Research in Child Development, 2014; 79 (4): 25

4 de dezembro de 2014

Consequências da resistência à insulina durante a gravidez


Já falámos muitas vezes das consequências metabólicas da resistência à insulina, uma hormona essencial para a gestão dos níveis de açúcar, regulação do apetite, e manutenção da massa magra e massa gorda. Em estados de resistência à insulina, a hormona apresenta uma acção anormal e é ineficiente na promoção da entrada de glicose para os tecidos. Os níveis elevados de glicose que se geram estimulam adicionalmente a secreção de insulina pelo pâncreas, levando a hiperinsulinemia. Uma fase crítica da disfunção é durante o desenvolvimento do feto. Sabe-se que a resistência à insulina está associada à carência energética no feto, levando a alterações epigenéticas e metabólicas que adaptam a criança a um ambiente de carência. Ou seja, tornam-na eficaz na reserva de energia. 

Um estudo recente mostra que a resistência à insulina nas mães (ratinhos) está associada a uma carência de células produtoras de insulina na descendência, bem como a um peso baixo à nascença. No entanto, durante os primeiros momentos de vida o peso é rapidamente ganho, e até acima do que seria normal. Este ganho de peso poderá ter a ver com dificuldade em lidar com os hidratos de carbono ingeridos, gerando-se um ambiente de hiperglicemia propenso à obesidade.

Obviamente que tudo isto tem implicações reais no risco de obesidade. A resistência à insulina é muito comum hoje em dia, com base nos maus hábitos de sedentarismo, privação de sono, obesidade, e má alimentação. A inflamação subclínica é um flagelo que está na base, ou como consequência, de muitas disfunções metabólicas comuns hoje em dia, como é exemplo a resistência à insulina. Portanto, garantir um funcionamento hormonal óptimo durante a gravidez é essencial para atenuar o risco de obesidade e doenças metabólicas como a diabetes. É na barriga que ainda tudo começa, e a mãe tem responsabilidades neste período.

S. Kahraman, E. Dirice, D. F. De Jesus, J. Hu, R. N. Kulkarni. Maternal insulin resistance and transient hyperglycemia impact the metabolic and endocrine phenotypes of offspringAJP: Endocrinology and Metabolism, 2014; 307 (10): E906