11 de abril de 2011

Novo fármaco promove uma perda de peso sem precedentes - 8.6 % ao fim de 1 ano


Uma combinação experimental de drogas já no mercado para tratamento da obesidade, enxaquecas e epilepsia, produziu resultados sem precedentes entre as terapias químicas conhecidas – uns modestos 9% ao fim de um ano mas que mesmo assim é o valor mais alto obtido até hoje. O estudo está a causar furor entre a comunidade médica e científica.


Os resultados do ensaio foram publicados hoje no The Lancet por uma equipa de investigadores da Universidade de Duke liderada por Kishore Gadde. Para além da significativa perda de peso, o estudo verificou que o tratamento com doses moderadas e controladas de fentermina e topiramato reduziu a tensão arterial e a hemoglobina A1c, um factor de risco associado à diabetes. Os participantes também melhoraram o seu perfil lipídico e marcadores inflamatórios como a proteína C-reactiva.

Os pacientes que receberam a combinação de drogas conseguiram perder 8.6 % mais peso do que o grupo controlo. Hoje em dia, o orlistat (Xenical e Alli) é o único fármaco disponível para o tratamento contínuo a longo-prazo da obesidade. As meta-análises à sua eficácia mostram que, a doses máximas, o orlistat favorece a perda de 3 Kg em média, significativamene menos que os quase 9 Kg obtidos com esta combinação, a que se chamou de Qnexa.

Convém sublinhar que este ensaio foi financiado pela Vivus, farmacêutica que procura a aprovação do Qnexa pela FDA, rejeitado em 2010 por fracas provas da sua segurança. O próprio Dr. Gadde foi um consultor da Vivus até 2008. A fentermina é uma substância da família das anfetaminas com um efeito potente na regulação do apetite. O topiramato é um anticonvulsivante com acção igualmente anorexigénica. Não são fármacos ligeiros e existem alguns riscos associados, como a depressão, ansiedade, problemas de memória, parestesia, insónias, irritabilidade, etc. Recentemente, a FDA emitiu um aviso indicando que o topiramato pode provocar malformações no feto, sendo contra-indicado para mulheres grávidas. Neste ensaio em particular, os efeitos adversos mais comuns foram a boca seca, parestesia, obstipação, insónias e distorção do paladar.

Serão certamente necessários mais estudos para garantir (probabilisticamente) a segurança do fármaco e a sua eficácia. No entanto, estes primeiros resultados chamaram a atenção de quem procura a pílula mágica do emagrecimento e de quem vive dessa ilusão. Estaremos perante mais um negócio de triliões? Só o futuro nos dirá…




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