10 de abril de 2011

O efeito "auréola": não julgue um alimento pelo selo de biológico


ScienceDaily (10 de Abril de 2011) - Jenny Wan-chen Lee, uma estudante em Cornell University's Dyson School of Applied Economics and Management, vive fascinada com um fenómeno conhecido como "efeito halo". Os psicólogos reconhecem há muito que a forma como nós percepcionamos uma característica particular de uma pessoa pode ser influenciada pela maneira como percepcionamos outros traços do mesmo indivíduo. Por outras palavras, o facto de uma pessoa ter um atributo positivo pode emitir um "halo", resultando na percepção de que outras características associadas a essa pessoa são também positivas. Um exemplo disso seria julgar uma pessoa atraente como inteligente só porque ele ou ela é bem-parecida.


A literatura sugere que o efeito halo pode também ser aplicável aos alimentos e influenciar o que e quanto nós comemos. Por exemplo, estudos mostram que as pessoas tendem a consumir mais calorias em restaurantes fast-food que alegam servir comida mais "saudável", em comparação com o que comem numa típica casa de hambúrguer e batatas fritas. A explicação é que quando as pessoas entendem que um alimento é mais nutritivo, elas tendem a desleixar a contagem de calorias, levando-as a comer demais. Este efeito halo também parece aplicar-se a certos alimentos considerados por muitos como especialmente saudáveis, tais como os produtos orgânicos. Especificamente, algumas pessoas supõem de forma errónea que esses alimentos são mais nutritivos, apenas porque eles possuem "orgânico" no rótulo, uma temática de intenso e longo debate entre os nutricionistas.

Como parte da investigação para o seu mestrado, Lee questionou se o "health halo" em torno dos alimentos orgânicos leva as pessoas a percebê-los automaticamente como mais saborosos e com menos calorias. Ela testou esta hipótese através de um estudo double-blinded, controlado, em que pediu a 144 indivíduos no shopping local para avaliar comparativamente uma série de alimentos orgânicos ou convencionais. No entanto, todos os produtos eram biológicos, apenas rotulados como "regulares" ou "orgânicos". Os participantes foram convidados a avaliar cada alimento de acordo com10 atributos diferentes (o sabor, a percepção do teor de gordura, etc.), utilizando uma escala de 1 a 9. Também foi pedido para estimar o número de calorias de cada alimento e quanto estariam dispostos a pagar por eles.

Confirmando a hipótese de Lee acerca do “health halo”, os participantes relataram preferir quase todas as características dos alimentos marcados como orgânicos. Estes produtos também foram percepcionados como tendo significativamente menos calorias e com um preço mais elevado. Além disso, os alimentos com rótulo de "orgânico" foram classificados como sendo mais reduzidos em gorduras e mais ricos em fibras. De um modo geral, os produtos marcados como orgânico foram considerados melhores e mais nutritivos que os “não-orgânicos”, embora todos eles fossem iguais.

Assim, parece existir um “health halo” forte e consistente para os alimentos orgânicos, pelo menos para biscoitos, batatas fritas e iogurtes. Embora Lee seja a primeira a reconhecer que o seu estudo foi limitado na variedade de alimentos testados, ela está confiante de que este efeito é real e que tem implicações importantes no que e quanto as pessoas comem, especialmente aquelas que procuram preferencialmente alimentos biológicos. Mais estudos serão necessários antes de saber-mos se esta distorção de atributos resulta num consumo de alimentos orgânicos em maiores doses comparativamente aos convencionais.

Até essa altura, lembre-se de não julgar um livro (ou uma bolacha) pela capa (ou pelo seu rótulo).

Fonte: ScienceDaily



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