17 de maio de 2011

O "Peso Pesado" e a proteína do brócolo


Como é habitual à segunda feira, os concorrentes do "Peso Pesado" tiveram o seu encontro com a Teresa Branco e ficou definida a alimentação base desta semana. Uns ficaram com carne, legumes e frutas, outros com "erva" e fruta, outros com trouxas de ovos. É um jogo e um programa de entretenimento. A educação alimentar dos concorrentes tem o interesse que tem. Mas será escrupuloso agir desta forma?


Quando os concorrentes se inscreveram para o "Peso Pesado" sabiam para o que iam. Não me repugna que a produção do programa manipule a alimentação das equipas em nome do jogo e das audiências. Além disso, até são capazes de perder peso com uma ou outra trouxa de ovos...

Mas pelo que conhecia do programa original, uma das suas virtudes era educar tanto os concorrentes como o público que os seguia em aspectos de nutrição básica e nos fundamentos de uma dieta saudável. Eu não estou a ver isso aqui. Quando alguém que deveria estar a ser ajudado diz que "o frigorífico 1 tinha muita proteína como o brócolo" (estou a citar de memória), o que pensar do que se passa na casa? O que será destas pessoas quando saírem dali? Por este andar da carruagem, serão semanas perdidas para todos menos um. Mesmo que engorde novamente, será um gordo mais rico.

Para que não restem dúvidas, aqui fica a composição nutricional dos brócolos segundo a base de dados da USDA.

Valor energético: 34 kcal
Proteína: 3g
Hidratos de carbono: 7g
Gorduras: 0g

Não me parece que alguém conte com as cruxíferas (julgo que a taxonomia mudou mas botânica não é o meu forte) para o seu aporte proteico. Para além da quantidade diminuta de proteína, o valor biológico é muito baixo. Os brócolos não são uma fonte proteica a considerar.

A concorrente tem todas as desculpas do mundo para dizer aquilo. Mas a produção não tem uma única para o deixar passar. Dadas as características do programa, é irresponsável não assumir o papel de educador e de opinion maker sobre o público que segue o concurso. Julgo que teriam a obrigação de corrigir mas está visto que a reeducação alimentar não faz parte da checklist da SIC ou de quem quer que seja responsável pelo programa.

É natural que esteja a sobrevalorizar o sucedido. Foi uma pequena gafe sem grande importância por si só. Mas isso não iliba a produção das suas responsabilidades. Quando se decidiu importar o modelo Americano, o pacote trazia mais do que dinheiro em caixa. Não se pode simplesmente deitar para trás das costas a influencia que o programa terá nas pessoas. Este foi só um pequeno episódio que sugere o que aí virá e o que se passa dentro da herdade. Os concorrentes não parecem estar a aprender grande coisa sobre nutrição, uma das poucas lições úteis que poderiam trazer para casa.



1 comentário:

  1. Concordo. E é aterrador o feedback que tenho tido com as pessoas com as quais discuto este formato. Pouco informadas e eventualmente com pouco interesse sobre a nutrição per se não entendem os atropelos que por ali se passam e encontram "lógica" nas explicações dadas pela "fisiologista".
    Dá medo.

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