30 de maio de 2011

O "Peso Pesado": semana 4


Muito bons os resultados desta última semana no "Peso Pesado". No global, os concorrentes perderam 3.4% do seu peso, tendo 4 deles perdido mais de 5 Kg. Comparando com a temporada em curso nos EUA, os portugueses perderam o dobro do peso no período homólogo (3.4% vs 1.7%). Em relação à perda total de peso, ainda se encontram atrás mas recuperaram algum terreno esta semana. Como é hábito, aqui fica a tabela comparativa dos resultados obtidos à 4ª semana no "Peso Pesado" e "The Biggest Loser".


(Clique na imagem para ampliar)

1ª semana
2ª semana
3ª semana

Após várias semanas com resultados modestos, à 4ª temos valores que se aproximam do que estávamos habituados a ver no “The Biggest Loser”. O valor conseguido pelo Filipe, 7.5 Kg (cerca de 17 lb no sistema Americano) é muito bom e está ao nível dos melhores resultados no programa original.

No buzz das redes sociais após a pesagem de sábado, tenho lido alguns comentários que levantam suspeitas em relação aos valores, tão desproporcionais ao que tinha vindo a ser obtido até então. Como sabem, eu não acompanho o programa com regularidade e na maior parte das vezes apenas vejo os excertos mais relevantes na internet, disponibilizados pela própria SIC. Até prova em contrário, acredito na honestidade dos valores, que aliás até nos dizem algo de interessante.

Queria aproveitar para sublinhar o facto de o Ricardo, também da equipa azul, ter perdido 5.7 Kg, o segundo maior valor desta semana. E faço-o pelo facto de ele ter ingerido 2000 kcal extra na prova da tentação. Acham que treinou a triplicar? Enquanto os outros estavam alapados no sofá, o Ricardo foi para o ginásio queimar aquela bomba calórica? Não me parece. Simplesmente, tal como tenho vindo a repetir incessantemente, a ideia de que gastar X calorias resulta numa perda de peso Y não está correcta. Que criar um deficit calórico de 500 kcal diárias irá fazer com que se perca perto de meio-quilo por semana (parece, e é, surreal mas acredite que isto vem escrito em muitos compêndios de nutrição). A equação de equilíbrio calorias ingeridas = calorias dispendidas não se aplica em sistemas abertos como o organismo humano. O medo que os concorrentes têm em jogar as provas de imunidade é descabido mas compreensível. Aquelas calorias extra pouca diferença irão fazer. Não é fácil de compreender para quem passou anos a ouvir a mesma história da carochinha, mas o nosso corpo não é um sistema isolado em equilíbrio onde se possa aplicar a primeira lei da termodinâmica, uma falácia tantas vezes reiterada pelos ditos peritos.

Com estes pormenores vamos aprendendo alguma coisa sobre a dinâmica da perda de peso. São as principais lições que pretendo fazer passar do “Peso Pesado”, um programa que tem sido bastante pobre até ao momento. Na pouca nutrição que se tem discutido, os interesses dos patrocinadores têm prevalecido à educação alimentar dos concorrentes e do público. No início, a minha ingenuidade ainda me levou a pensar que o “Peso Pesado” poderia desempenhar um importante papel na comunidade, uma ideia que já desvaneceu à 4ª semana de emissão. Resta-nos salientar os aspectos positivos e criticar os negativos, tentando assumir o papel que a produção recusa.



4 comentários:

  1. Para mim esta quarta semana foi um ajuste em termos de alimentação e treino versus a terceira semana. Passou-se algo na semana passada e como é obvio tanto em termos de nutrição como de treino, ouve adaptações, que resultaram bem por ventura esta semana. Mas esta é so a minha modesta opinião.

    Muitos parabens pelo seu blogue, para mim o melhor blog portuges na especialidade. Muitos parabens e continue o bom trabalho.

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  2. Obrigado por essas palavras que muito me motivam a continuar o projecto

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  3. "A equação de equilíbrio calorias ingeridas = calorias dispendidas não se aplica em sistemas abertos como o organismo humano"
    Eu corrigiria para: A equação de equilíbrio calorias ingeridas = calorias dispendidas é de dificil aplicação em sistemas abertos e complexos como o organismo humano. Porquê? porque é dificil de controlar todas as variáveis. Mas métodos de avaliação ecológicos e de elevada precisão como a água duplamente marcada estão a dar um forte contributo à "resolução" de algumas dessas variáveis

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  4. Tenho acompanhado todos os teus posts. Continua que tens aqui um seguidor assíduo.

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