16 de maio de 2011

O "Peso Pesado" vs "The Biggest Loser": semana 2


Passou-se mais uma semana no “Peso Pesado”. Tivemos os resultados da segunda pesagem e a equipa amarela foi corrida da herdade, tendo perdido cerca de 6 kg em conjunto. Quem assistiu à primeira eliminação, certamente notou que os resultados desta semana foram bem mais satisfatórios para o que estamos habituados a ver no original Americano. Na verdade, esta segunda semana em Portugal foi até melhor do que na temporada que decorre nos EUA.


Tal como fiz para a primeira semana, aqui está uma tabela comparativa que sistematiza os resultados do “Peso Pesado” e “The Biggest Losser” na segunda semana do concurso (clique na imagem para ampliar).



Podemos constatar que os concorrentes Portugueses perderam mais 0.6% do peso que os seus pares Americanos, com uma perda global de 3.2%. A percentagem obtida na semana um tinha sido de 2.7%, menos de metade da verificada no “The Biggest Loser”.

Apesar desta ligeira recuperação, os concorrentes Portugueses ainda estão na retaguarda. Até ao final da segunda semana, perderam 5.4% do peso contra os 8.3% dos concorrentes Americanos.

Considero estes resultados bastante positivos. No “The Biggest Loser”, a primeira semana é um mergulho de cabeça e o corpo responde muito bem. Na semana seguinte o organismo “defende-se” e é perfeitamente normal que as perdas sejam mais ligeiras. Por cá, os valores modestos obtidos permitiram uma segunda semana mais forte e os concorrentes estão de parabéns por isso.

Estas flutuações nas percentagens de perda de peso são muito didácticas para o público e julgo ser meu dever salientar desde já. É um fenómeno que irá ser constante ao longo do programa, tal como o foi no “The Biggest Loser”. E didácticas porquê? Porque deita por terra a teoria vigente do deficit calórico. Entre os nutricionistas é comum dizer que uma “caloria é uma caloria”e que a um deficit de 500 kcal diárias irá corresponder uma redução de peso na ordem das 400g ao fim de uma semana. Se as calorias ingeridas estivessem em equilíbrio com as calorias gastas, a regra calories in = calories out, um deficit calórico resultaria num emagrecimento progressivo e constante. Mas, na verdade, se aplicarmos à letra as leis da física temos que um menor input de energia resulta num menor output, ou seja, o corpo adapta-se e gasta menos calorias. Com deficits enormes como os que se conseguem nestes concursos, é possível manter uma redução ao longo de várias semanas, embora de forma não linear. Com restrições energéticas mais modestas, rapidamente o corpo se irá adaptar e os rebounds não são raros. Esta é uma das razões para o fracasso da maioria das intervenções para perder peso. As outras vão sendo reveladas no blogue…

Não acredito que os concorrentes do “Peso Pesado” venham algum dia a apanhar os seus pares Americanos. Os métodos e mentalidades diferem do dia para a noite. Estão longe de saudáveis mas reflectem uma cultura de extremos onde dedicação e trabalho fazem parte da estrutura social. É importante no entanto que ninguém assuma esta via como a mais correcta e saudável. Trata-se de um concurso em que quem perder mais peso ganha. Apenas e só isso. Bem… ao bom estilo Português também lhe quiseram adicionar uma vertente de telenovela, reality show e Opera. Três ingredientes do sucesso.

Esta segunda semana foi de um modo geral positiva, com resultados na balança bastante satisfatórios para o que temos visto nos episódios diários. Aguardo com interesse a evolução dos concorrentes ainda em prova e espero que possamos em conjunto retirar as devidas conclusões. Não passarão certamente por dizer que se trata da melhor forma de perder peso mas a estatística poderá ensinar-nos qualquer coisa.



3 comentários:

  1. Qualquer reality show é mais show do que reality. Seria interessante comparar, no longo prazo este tipo de intervenção (se é que lhe podemos chamar intervenção) com abordagens de índole motivacional predominantemente intrínseca. É que, do que acompanhei do programa, os treinadores e equipa de apoio, são os melhores Fisiologistas do Exercício, Nutricionistas e Psicólogos. Seria interessante fomentar um debate sério entre os diversos Profissionais destes ramos relativamente ao Programa.

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  2. Concordo com tudo excepto uma coisa. Que a equipa seja constituída pelos "melhores", o que quer que isso signifique. Penso que a produção tinha uma ideia muito concreta daquilo que queria e nem todos os profissionais estariam dispostos a por de parte aquilo que acreditam para integrar a equipa do Peso Pesado. Por exemplo, nenhum treinador competente iria, cá fora, colocar um obeso sedentário de 150 kg a correr na passadeira ou a fazer exercícios de elevado impacto articular. Também não seriam muitos os nutricionistas que, cá fora, iriam submeter uma pessoa a um choque energético tão grande.

    Quanto ao programa poder fomentar um debate, concordo totalmente e espero dar um pequeno contributo com os meus artigos aqui no blogue. Não tenho qualquer interesse na vertente reality show ou mesmo de concurso, mas considero que o Peso Pesado tem potencial para incutir hábitos de vida saudável se for bem aproveitado, não pela produção mas pelos profissionais do sector.

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  3. melhores fisiologistas de exercício ? wtf ?

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