11 de maio de 2011

Pensa que a lipoaspiração é solução? Pense outra vez...


Desde os anos 70 que a lipoaspiração é a cirurgia estética mais comum, muito recorrida por quem a pode comportar e não está disposto a esforços extra para conseguir o corpo que deseja. Outras vezes serve apenas para retocar algumas áreas mais problemáticas que a dieta não consegue eliminar. Embora muitas vezes nos seja dito que o processo é permanente, há sempre alguém que conhece um caso em que a gordura voltou pouco tempo depois, mesmo com cuidados a nível de alimentação. Um estudo recente de uma equipa Norte-Americana demonstra que até 1 ano após intervenção, os níveis de gordura corporal retornam ao estado inicial mas redistribuídos por outras regiões.


Dados preliminares da equipa do Dr. Teri Hernandez apontavam já nesse sentido e eram corroborados por estudos em modelos animais. Os resultados parecem ser temporários e o tecido adiposo redistribui-se em poucas semanas após lipoaspiração. No entanto, faltavam ensaios prospectivos em humanos, uma lacuna que os investigadores se propuseram a colmatar. A hipótese inicial postulava que após lipoaspiração, haveria um retorno à mesma percentagem de gordura corporal, acompanhada por uma redistribuição noutras áreas do corpo. Uma hipótese que de facto se verificou nas mulheres submetidas ao procedimento.

Embora a lipoaspiração tenha tido os resultados cosméticos desejados a curto prazo, a composição corporal retornou ao estado basal no espaço de um ano. A gordura reacumulou-se preferencialmente na zona abdominal, quer tenha sido removida aí ou não, e em menor extensão nas ancas, coxas (os dois locais de onde mais gordura foi retirada), ombros e trícepes. Embora a gordura abdominal seja um factor de risco cardiometabólico, a equipa não verificou uma deterioração em parâmetros como a adiponectina, triglicéridos e insulina.

A principal conclusão do estudo é não só que a composição corporal em equilíbrio é restaurada, como que essa gordura se acumula preferencialmente na zona abdominal. Assim sendo, é expectável que a longo prazo essa gordura possa exercer efeitos metabólicos indesejados que a curta duração do ensaio não permite descortinar. No entanto, interessa também distinguir se se trata de tecido adiposo visceral ou subcutâneo, dois tipos de gordura com efeitos bem distintos.

Mas a meu ver este trabalho tem implicações bem mais profundas do que as exploradas pelos autores. Fica bem patente o controlo neurohormonal apertado a que a massa gorda está sujeita. A remoção cirúrgica de tecido adiposo acciona mecanismos compensatórios que asseguram o retorno ao estado basal de equilíbrio. Homeostase em toda a sua plenitude. É por isto que não é tão fácil emagrecer quanto se imagina (pelo menos quem nunca tentou). Não é uma simples equação termodinâmica, mas um jogo neuroendocrino viciado em que o organismo terá sempre vantagem. Só entendendo estes processos é possível minimizar os factores inatos e conseguir uma perda de peso permanente que corresponda a um novo estado de equilíbrio e não a uma fase transitória e insustentável a longo prazo.

Portanto, se estava a pensar que a lipoaspiração resolvia os seus problemas, pense outra vez. Tratam-se de resultados efémeros que muito dificilmente irão ser mantidos a longo prazo. Perca nas ancas e coxas, ganhe na barriga, ombros e trícepes. Será preferível do ponto de vista estético?



7 comentários:

  1. Olá caríssimo Sérgio e obrigado pelo artigo.

    Estava um elefante na sala e os autores nem o viram (ou discutiram)…

    Até aos 6 meses ambos os grupos revelaram o mesmo padrão de aumento de peso. Em relação à diferença entre grupos na %MG ela diminui das 6 semanas para os 6 meses, apesar do aumento da diferença de peso entre grupos! Terá o grupo lipo perdido massa muscular – ou o controlo aumentado a sua? Mas o que acontece e que tem realmente que ser observado e comentado, é o período dos 6 meses ao 1 ano. Enquanto que o grupo da lipo segue o seu padrão linear de aumento de peso (o que é normal), o controlo altera-o, iniciando uma tendência de diminuição de peso. Que terá contecido? As outras medições (RM, pregas e circunferências também atestam esta crucial curiosidade, em todos os locais medidos): veja-se inclusivamente que a gordura visceral do grupo controlo diminui tanto dos 6 meses para 1 ano que até passa a ser menor que a do grupo da lipo!!! Ou seja, o grupo lipo tem um comportamento perfeitamente natural, mas o grupo controlo não. Claro que quando se comparam os dois ao final de um ano, e se olha apenas para os números, as conclusões podem ser (são) enganadoras. Notem que os autores habilmente “escondem” o que ocorre dos 6 meses a 1 ano, tanto no abstract como no texto.

    Segundo os autores: “We provide strong evidence that AT is, indeed, restored to the baseline level when it is removed surgically”. Só podem estar a brincar não é? Imaginemos a seguinte situação: Se a curva de aumento de peso e %MG do grupo lipo se mantiver (o que é normal) e voltarem a medir aos 2 anos, seguramente eles estarão mais pesados e ainda com mais gordura. Se o grupo controlo conseguir manter o seu peso e %MG (provou que era capaz até de os reduzir) e compararem os dois grupos aos 2 anos então até poderão afirmar “We provide strong evidence that AT is, indeed, restored AND EVEN ENLARGED from the baseline level when it is removed surgically”. ESSA É QUE ERA!

    Ou seja, as conclusões parecem-me tremendamente desajustadas e até desencorajadoras. Parece uma coisa do destino, ou como diria o o Dr. Rudolph Leibel, especialista em obesidade e investigador na Universidade de Columbia a respeito deste mesmo artigo: “Não se pode enganar a Mãe Natureza”. Felizmente que temos algum ou até muito controlo nestas questões do peso e % MG, o que se por um lado nos aumenta a responsabilidade, por outro consciencializa-nos que dependemos essencialmente dos nossos próprios comportamentos.

    Um forte abraço,
    César Chaves

    Mais elefantes, desta vez bebés, na sala:
    1- Foi pedido que não alterassem o seu estilo de vida, mas apenas avaliaram a dieta (taxas de compliance baixas) e não a atividade física habitual ou o exercício.
    2- Inclusão de mulheres com medicação para a tiróide
    3- Alteração da dieta usual durante 3 dias antes da 1.ª avaliação, mas não 2.ª
    4- Remoção da MG em locais diferentes, com proporções variáveis
    5- Inicialmente os grupos eram claramente distintos (o da lipo eram mais leves, e com menores % de MG em todos os locais medidos)

    ResponderEliminar
  2. Obviamente não resolve as asneiras alimentares e maus habitos alimentares, fazer a lipo e continuar com os “suspeitos do costume “, maus habitos alimentares e sedentarismo, obviamente o resultado irá ser o mesmo.
    Ganho de massa gorda, agora se se distribui aqui ou ali ... bull-shit!, o corpo é um sistema tão complexo!!! ... .

    Penso que em casos especificos, ajuda e dá animo para a pessoa prosseguir com os seus objectivos, sou de certa maneira a favor, caso a pessoa tiver corrigido os habitos alimentares e inicado um programa de treino adequado, vá ! , é uma lufada de ar fresco!.

    Posso falar por mim, sempre fui uma pessoa normal quanto ao peso, mas anos a fio de desvairos alimentares e sedentarismo fizeram-me ganhar muita massa gorda na zona abdominal.

    Exceptuando esse periodo, sempre fiz desporto, gosto e sempre gostei, mas devido ao trabalho, casamento, filhos houve um longo periodo que não pude fazer.

    Pena é, que em geral as pessoas não estejam sensibilidadas para essa parte importante da vida, perdendo assim um dos melhores prazeres que poderemos ter!.

    Um dia cheguei a um tal ponto de saturação, tinha um volume tão grande na zona abdominal, sentia-me mesmo mal, estava farto!.

    (continua ...)

    ResponderEliminar
  3. Decidi tomar as acções necessárias para perde-la e durante 4 anos consecutivos fiz cardio, musculação, tentava seguir as indicações que encontrava por essa net fora.

    Fiz dietas proteicas, metabolicas, mas agora sei que existe por aí muita desinformação quanto a este tema (dietas), nada resultou, não quer dizer que não resultem de certa forma ... .

    Obviamente não as fiz como deve ser, diziam que bastava alterar os carbos por proteinas, 2g de proteina por peso corporal, bla bla bla, não funcionou (ponto) , continuava com uma pança do caraças!

    Assim e por mero acaso, surgiu-me a oportunidade de fazer uma lipo, foi em cá em Portugal, digo isto, pois um antigo treinador perguntou-me , então como foi a lipo?, e o Brasil é fixe!?, fiquei a olhar para ele, humm!?!?... bom!, existe tanto preconceito e desinformação por esse pais fora, mas adiante ...

    Fui à clinica do Dr. Biscaia Fraga (entrecampos) e fiz a lipo, foi com anestesia local, meteram 2 tubinhos na parte inferior da zona abdominal ao pe das virilhas, ligaram o aspirador e vá de tirar 4 litros de gordura.

    Não foi nada do que eu pensava, perdi algum volume , mas nada daquilo que imaginava, passei de pança para “pança menos um bocadinho”, com a agravante que um lado da zona abdominal ficou diferente do outro, ou seja mais banha dum lado do que outro.

    Pós-operatorio, algumas dores nada por aí alem, mas bastante incomodo, o corpo recupera ao fim dum mês. E 1(um) mês com cinta e a levar massagens para desfazer os granulos.

    Disseram-me que com mais uma lipo, ficava com os abêesses à vista, “mandei-o” dar uma volta ao bilhar grande, esse pessoal é capaz de tirar um olho só para sacar dinheiro, e não é pouco!.

    (continua)

    ResponderEliminar
  4. Preferiria ir à clinica do Humberto Barbosa (antiga Persona) e fazer a dieta e as corrents de Kotz, o que fiz passado uns anos, aí sim!, finalmente perdi grande parte da massa gorda. Realmente funciona! , mas é um castigo do arco da velha, venha o diabo e escolha ..., 1 mês a 600 Kcals dia, não é para qualquer um , puxa!!! .

    Relativamente à perca de massa muscular, acho que até certo ponto é um mito!

    Não sigo a regra das 2g de proteina por peso corporal, pois isso impede-me de entrar na zona de deficit calorico desejável para a perda de gordura e impele-nos a retirar hidratos de carbono(estou a falar dos complexos), eventualmente baixando o metabolismo, o que decididamente não é bom.

    Pelo menos é assim que o meu corpo funciona e não me venham com estudos disto e daquilo.

    Ai!!! , se eu conseguisse convencer o meu corpo desses estudos, o que eu não era!?!?.

    Claro que acho a proteina muito importante, mas não tanto assim!. Alias, em todas as refeições tento sempre comer proteina e hidratos de carbono complexos.

    Já agora “deixa-me bater no pessoal” que jura a pês juntos que se não tiveres o intake proteico 1-2gr por kg, e um "grande deficit" vais perder massa muscular a um ritmo alucinante, e ficares uma massa disforme com osso e banha ... non-sense!?!.

    Obviamente que há limites, mas não são os que papagueiam!

    O que agora tem resultado em mim, é um deficit calorico até 20%-25%, com uma alimentação dita “normal saudavel” , 30% proto , 10-15% fats boas, o restante HC’s.

    MAS NÂO constantemente, ou seja, periodos de deficit calorico alternados com periodos relativamente curtos de excesso calorico, na prática 10 a 20 dias de deficit, não constante, seguido de 1-3 dias a comer o que apetece com excesso calorico, mas algo comedido, ou seja, “não é comer um boi”!.

    Claro que treino 4 a 5 vezes por semana musculação e no final do treino,faço cardio cerca de 20-30 minutos.

    Agora, baseado no livro do Nelson Montana, “The Bodybuilding Truth” , vou exprimentar algumas das técnicas dele, especialmente o não fazer cardio e ter um treino mais intenso no máximo 20 -30 min por grupo muscular, aliado ao deficit calorico a ver no que dá.

    Não me venham com teorias de vão de escada, pois o meu corpo é teimoso que nem uma mula, nunca as ouve! . O “gajo” só ouve quando leva porrada da grossa!!!.

    O facto, é que agora tenho 85 cm de perimetro abdominal face aos 130 cms que tinha no meu pico de maior gordura, mudei de habitos e estou mais racional a comer.

    Mas isto não quer dizer que não faça asneiras de vez em quando “e das grossas”. Quando lhe dou ... dou-lhe no vinho tinto 1-2 garrafas ao longo duma comezaina durante 3 a 4 horas, isto mais no verão. Evito a cerveja, mas não quer dizer que não bebo ... .

    ... e se soubesse o que sei hoje ?

    nem teria feito a lipo nem a dieta do Humberto Barbosa, teria tão somente, reduzido o intake calorico!!! ...

    ResponderEliminar
  5. Obrigado pelo seu testemunho. Tentativa e erro, desde que informados, ainda é a melhor abordagem. Desejo-lhe o maior sucesso na luta pelos seus objectivos.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. E QUANTO À TÉCNICA DE CAVITAÇÃO, PIOR AINDA QUE A LIPO, NÃO?

      Eliminar
    2. Tenho essa opinião para ser sincero...

      Eliminar