31 de maio de 2011

"Quando nós olhamos para a composição de um alimento, temos de ver primeiro os ingredientes"


Eu tenho sido muito crítico em relação à componente nutricional do "Peso Pesado". Não que seja melhor ou pior do que as outras vertentes do programa, mas porque é a área que mais me interessa e em que me sinto mais à vontade para comentar. Critiquei a escolha dos enlatados, a questão do bife frito, os "amarelos ao ataque", e estou certo que outras oportunidades virão. Mas após ter discutido estes episódios que considero muito mal conseguidos por parte da produção, julgo que é importante fazer justiça quando surge algo positivo. Foi o caso do episódio de ontem.




A discussão entre os produtos frescos e congelados não é relevante para o caso. Muitas pessoas não podem simplesmente fazer compras com regularidade e os produtos congelados representam uma forma prática de comer alimentos saudáveis. Existe uma variedade enorme de vegetais, legumes e até produtos animais congelados de boa qualidade e que mantêm o seu valor nutricional. Eu próprio sou consumidor massivo destes produtos, e outras vezes compro-os frescos e congelo para rapidamente confeccionar como desejo.

Notou-se uma preocupação subtil com os hidratos de carbono. Repare no caso da macedónia onde a Dra Teresa Branco sublinhou o seu conteúdo em batata. Uma escolha menos adequada para os objectivos pretendidos segundo ela. Estou de acordo, embora não considere a batata um alimento particularmente pernicioso quando comparado com os cereais por exemplo. De qualquer forma, acho importante destacar desde já essa preocupação.

Mas a frase da noite foi "quando nós olhamos para a composição de um alimento, temos de ver primeiro que tudo os ingredientes". Trata-se de algo já dito aqui por mim algumas vezes mas que nunca é demais relembrar. As tabelas nutricionais são muitas vezes enganadoras e a informação que fornecem é limitada. Um alimento processado (como o esparregado) é feito com uma série de aditivos que nem imaginávamos que lá estivessem. No caso dos hamburguers, quase todos os produtos pré-feitos que conheço contêm algum tipo de farinha, para além de um elevado teor em colagénio (a carne utilizada é de fraca qualidade e proveniente da zona dos tendões do animal). Não são bons alimentos para consumir, mas também não há justificação para tal (a não ser o preço). Em qualquer talho poderá escolher a peça de carne que desejar e pedir que lhe façam os hamburguers, sem quaisquer aditivos indesejáveis.

Ingredientes a evitar e a que devemos estar atentos são, por exemplo, amidos e farinhas, açúcares em diversas formas (açúcar, frutose, glicose, xarope de milho, xarope de milho invertido, açúcar invertido, melaço, etc), gorduras hidrogenadas ou parcialmente hidrogenadas, óleos vegetais refinados (controverso eu sei, mas os PUFA e MUFA não são exactamente aquilo que se pinta, especialmente após sujeitos a processamento) e aditivos químicos diversos. De certeza que me escaparam alguns, mas estes são os principais ingredientes que a indústria adiciona aos produtos que processa. Quanto ao sal, é difícil escapar-lhe mas será sempre preferível adicioná-lo em casa, na dose que desejar. Pensemos no exemplo das ervilhas de conserva. Existem marcas que disponibilizam produtos apenas com ervilhas, água e sal. Outras acrescentam açúcar. Será necessário? Por qual optar? Parece-me uma escolha óbvia.

Não me refiro a junk food. Essa seria excluída à partida. Mas existem vários produtos minimamente processados que muitas vezes julgamos inócuos mas que não são mais do que "lobos em pele de ovelha". Isto aplica-se  aos alimentos dietéticos, uma das maiores fraudes da indústria onde apenas algumas excepções fazem a regra.

Portanto meus caros, faça-se justiça. Seria desonesto da minha parte limitar-me a criticar os aspectos negativos do programa. Algumas lições positivas poderão ser espremidas esporadicamente, e é importante sublinhá-las para que não passem despercebidas. Podem parecer noções banais, mas a falta de uma educação alimentar nos Portugueses é assustadora. É algo por que vale a pena lutar e qualquer contributo é útil, especialmente quando vem através de um programa alvo de tanto interesse mediático e com potencial para atingir um grande número de pessoas.



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