8 de maio de 2011

"Quer experimentar o nosso bacon Vegan?"


Hoje ontem por e-mail através da newsletter do Robb Wolf um vídeo que em 30 seg ilustra na perfeição o que eu acho acerca dos substitutos Vegan de alimentos comuns: lixo.




Tenho todo o respeito por quem decidiu adoptar essa ideologia. Embora muitos optem por uma abordagem autista e fundamentalista, é tão legítima como qualquer outra. Vivo em paz com a minha condição biológica de Homem e não sinto a necessidade de renegar um legado de omnívoro, daqueles que há falta de melhor lá comem umas plantinhas.

Aceito todas as justificações para optar por uma vida vegetariana menos uma: que se trata de uma alternativa mais saudável. Exactamente... ser Vegan e saudável é como misturar água em azeite… não ligam. Magrinhos e com barrigas proeminentes, distendidas. Algo que poderíamos descrever como tripas inflamadas. Esta imagem é-lhe familiar?

Mas não é sobre isto que quero falar e peço que não me esfolem já. Vamos também deixar a palavra Vegan de parte. Às vezes parece que se trata de um tabu qualquer que deixa muita gente desconfortável. “The V Word” com se costuma dizer entre os bloggers da minha corrente. Falemos antes de vegetarianos. Na verdade até será mais correcto já que apenas me estou a referir à dieta.

Entre os vegetarianos encontro muitas vezes uma atitude que considero paradoxal. Por exemplo, um dos alimentos base da sua dieta é a soja. Por outro lado, defendem uma agricultura mais sustentada, biológica, e sem organismos geneticamente modificados. Esqueceram-se que praticamente toda a soja no mercado é transgénica e grande parte propriedade de uma única companhia, a Monsanto? Depois do milho, a soja é provavelmente a cultura com maior importância económica. Os milagres da indústria alimentar dão-lhe centenas de aplicações, a um preço muito reduzido. É difícil encontrar um alimento processado que não contenha um derivado de milho ou soja. Também não é por acaso que a soja é a fonte proteica preferencial das rações para animais. É a que fica mais em conta. Mas basta empacotá-la numa embalagem bonita e podemos vende-la numa loja de produtos naturais a um preço muito inflacionado. Um verdadeiro negócio da China. The China study anyone? Podem ler aqui um pouco mais sobre o efeito nos níveis hormonais dos homens.

Mas não é o caso da soja que me deixa mais confuso. É a necessidade em arranjar substitutos para os alimentos animais. Comer glúten (seitan) como fonte proteica, ignorando o seu potencial inflamatório? (já aqui abordado superficialmente num outro artigo). Inventar um “bacon” vegetariano? Carne de conserva vegetariana? Pele de porco vegetariana (quem é que come pele de porco anyway...)? Galinha vegetariana? São preferíveis, a nível de saúde, estes alimentos artificiais e processados à carne? E porque se procura arranjar alternativas? Eu respondo. Nós, humanos, não gostamos de mudar. É mais confortável mudar o ambiente que nos rodeia. Se não podemos comer açúcar inventamos os adoçantes. Se as gorduras engordam, então criamos os produtos light. Se não podemos comer carne, inventamos carne vegetariana.

E depois ainda temos os alimentos fortificados e as recomendações de multivitamínicos e suplementos. Se são reconhecidas algumas carências, nomeadamente em aminoácidos, vitaminas do complexo B, DHA e EPA (a conversão do ALA é um processo muito ineficiente), não é assumir que se trata de uma dieta desadequada? Quando leio papers técnicos sobre o tema as conclusões são quase sempre as mesmas: o vegetarianismo é possível mas deve ser tomado este ou aquele suplemento, aumentar a DDR de um nutriente particular, etc. Quando há necessidade em suplementar, quando a gama de alimentos não fornece os nutrientes vitais, então algo está mal... não acha?

Ser vegetariano vai contra tudo o que defendo sobre nutrição, não deixando de ser legítimo em termos de ideologia, desde que coerente. Um manjar de fitatos, lectinas, saponinas, exorfinas e outras –inas pouco recomendáveis. Falem-me em respeito pelos animais. Eu contesto mas aceito. Se sentem uma necessidade de se elevar acima da natureza humana, muito bem. A minha perspectiva é diferente mas nem mais nem menos correcta a este nível. Contra questões de fé não há argumentos. Não comam carne. Comam cereais, tofu, seitan… hoje em dia é fácil por qualquer coisa com um sabor decente. Não vivam é na ilusão de que é uma opção mais saudável. Certamente que podemos sobreviver como vegetarianos, mas dificilmente será possível uma vida em toda a sua plenitude.

Não interpretem mal a minha posição quanto ao tema. Respeito a opção de ser vegetariano mas sinto-me revoltado quando promovem este estilo de vida como mais saudável e mais adequado.



3 comentários:

  1. Então o seitan não é um elemento típico da dieta mediterrânica, a dieta mais saudável do universo? O que a mim mais me impressiona é a constante indiferenciação entre Alimentação e Nutrição. São coisas completamente diferentes, sendo esta última uma ideologia que deu origem a todas estas confusões. Alguns artigos sobre os mitos do vegetarianismo:

    http://www.the-vegetarian.com/TheVegPara.pdf
    http://rawfoodsos.files.wordpress.com/2010/08/minger_formal_response2.pdf
    http://www.scienceofhealthindex.com/mythsvegetarianism.pdf
    http://anthonycolpo.com/?p=129

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  2. Sim concordo!

    E a diferença entre bacon vegetariano e bacon sovino? Por acaso as pessoas sabem a quantidade de porcaria em que os animais são alimentados hoje em dia?

    Afinal somos aquilo que comemos?!

    http://www.sociedadevegan.com/forks-over-knives

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  3. Só agora encontrei este artigo. Sou vegetariana, mas ao ler o teu artigo concordei com muita coisa. A verdade é que eu sei muuuuito pouco sobre nutrição e acho dentro do que pode ser o equilíbrio de uma alimentação vegetariana acho que ainda estou um pouco longe, mas sempre a tentar aprender. Mas agora comer esses produtos vegan ou vegetarianos processados e etc e tal também não concordo nada. Não percebo também qual é a ideia de se fazer essas coisas. Eu não sinto falta de comer esses produtos de origem animal pq haveria de querer comer uma "cópia". Claro que obviamente teremos visões diferentes em alguma coisa, mas gostei MUITO de ver este artigo aqui. :)

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