22 de junho de 2011

A carne e o cancro: um artigo da revista Sábado


Saiu hoje na revista Sábado um artigo interessante sobre os mitos, e outros menos mitos, da relação dieta-cancro.O Dr. David Kayat é um oncologista de renome, há 7 anos director do Instituto Nacional do Cancro, em França. O seu livro "O Verdadeiro Regime Anticancro" é já um bestseller no seu país e foi recentemente lançado em Portugal. Em entrevista à Sábado, o Dr. Kayat revela algumas das suas descobertas. Entre os tópicos está inevitavelmente o consumo de carne vermelha."Tudo depende da carne e da forma como a cozinhamos", diz ele.


Aqui fica o excerto do artigo da Sábado, "Os Mitos dos Alimentos Contra o Cancro", que faz alusão ao consumo de carne vermelha:



Ora, eu já tinha alertado aqui para a curiosidade de a maioria dos estudos epidemiológicos que indiciam uma eventual relação entre a carne vermelha e o cancro colo-rectal serem feitos na população Americana, um resultado que não é reproduzido em estudos Europeus. Citando-me a mim próprio,

É curioso que a grande maioria dos indícios no sentido de uma relação entre a carne e o cancro venha de estudos Norte-Americanos e que os Europeus muito raramente encontrem uma associação positiva.

O Dr. Kayat dá uma possível explicação para este fenómeno. Admito que me surpreendeu uma tal diferença entre a carne de produção Americana e Europeia. Mas as características da carne Norte-Americana não me espantam tendo em conta os métodos de criação intensivos e a alimentação à base de milho e soja. Para além de aumentar consideravelmente o percentual de gordura e lhe dar o tal aspecto "mármore" que muitos procuram, mais tenra, altera também o rácio ómega3:ómega6 para níveis potencialmente inflamatórios. Especulo se não será também uma razão para as discrepâncias dos estudos Europeus e Norte-Americanos.

Relativamente aos métodos de confecção, nada de novo. Já aqui abordei o assunto com conclusões semelhantes.

Kayat fála-nos das diferenças entre a carne produzida nos EUA e na Europa, mas hoje em dia o mercado foi invadido gado Sul-Americano. Que características terá esta carne? Sabem que mais? O melhor é talvez não arriscar e comprar boa carne Portuguesa. O novilho barrosã é excelente e se conseguirem deitar a unha a gado de produção extensiva, alimentados a pasto, tanto melhor.



2 comentários:

  1. Mais fácil de encontrar (pelo menos em restaurantes)é a carne Mirandesa,que é de qualidade comparavel à raça Barrosã.

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  2. E ainda existe o confounder carne processada, que ao ser agrupada juntamente com a carne não processada, vai baralhar ainda mais os resultados.

    Mas também é preciso esclarecer que a maioria da evidência em Nutrição vem de estudos epidemiológicos, existindo poucos estudos de intervenção com hard end points, por razões óbvias.

    Exceptuando pessoas com hemocromatose, em que a redução do consumo de carne vermelha (excelente fonte de ferro) me parece adequado, a maioria de nós deveria preocupar-se com as verdadeiras causas de cancro do cólon e nesse sentido, hiperinsulinemia, elevado rácio IGF-1/IGFBP-3, défice de Vitamina D talvez seja bem mais importante do que condenar o bifinho!

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