11 de agosto de 2011

Comer melhor sem pensar nisso


As pessoas em dieta podem não necessitar de tanta vontade como pensam se fizerem alterações simples no meio envolvente que podem resultar numa alimentação mais saudável, sem segundos pensamentos. São palavras de um psicólogo na 119º convenção anual da American Psychological Association.


"As nossas casas estão cheias de armadilhas alimentares", diz Brian Wansink que apresentou as suas descobertas e estratégias para um estilo de vida mais são numa sessão plenária intitulada "Modificando o ambiente alimentar: de comer sem pensar a comer melhor sem pensar".

"A maioria de nós tem uma vida demasiado caótica para um foco consciente em cada dentada que damos e depois perguntar a nós próprios se estamos saciados. O segredo está em mudar o ambiente de forma a que funcione para si e não contra si".

Wansink identificou vários mitos acerca dos comportamentos alimentares como forma de explicar porque razão as pessoas estão cada vez mais gordas. "As pessoas não imaginam que algo tão simples como o tamanho da tigela pode influenciar o quanto uma pessoa come".

Vários estudos mostram precisamente isso, incluindo o trabalho recente de Wansink a que me refiro. As pessoas comeram 45% mais pipocas em recipientes XL do que L. Curiosamente, indivíduos que comeram pipocas rançosas em taças XL ingeriram 34% mais do que quem comeu pipocas frescas em taças mais pequenas.

"Simplesmente não tinham consciência que o estavam a fazer", disse Wansink. Esta estratégia também se aplica ao que bebemos. O trabalho mostra que as pessoas colocam cerca de 37% mais líquido em copos baixos e largos do que em copos altos e estreitos com o mesmo volume.

Até uma taça de cereais para crianças pode ser uma armadilha. Um estudo mostra que crianças às quais foi dada uma tigela de 500 mL têm uma maior tendência a repetir a refeição do que crianças com uma de 250 mL (refeições iguais).

Outro mito, de acordo com Wansink, é que as pessoas sabem quando estão satisfeitas e param antes de comer em excesso. O seu laboratório testou esta hipótese através de uma "taça sem fundo". Recrutaram 60 pessoas para um almoço e deram-lhes tigelas de 650 mL com sopa, cheias até meio. Metade do grupo tinha, sem saber, tigelas que se auto-enchiam sob pressão pela base. Os resultados: pessoas com as "tigelas sem fundo" comeram até 73% mais sem se aperceberem disso. "A lição é: não se fie no seu estômago para lhe indicar quando está cheio. Ele pode mentir", disse Wansink.

Estar alerta para estes resultados pode ajudar as pessoas a fazer escolhas mais saudáveis, especialmente aqueles que já o tentam. Um dos estudos de Wansink mostrou que os participantes perderam até 1 Kg por mês depois de fazerem algumas modificações simples no meio envolvente, incluindo:

   - comendo com pratos de salada em vez de grandes pratos de jantar;
   - mantendo a junk food longe da vista e passar os alimentos mais saudáveis para a frente do frigorífico;
   - comer na cozinha ou sala de jantar, e não à frente da TV.

"Estas estratégias simples serão provavelmente mais bem sucedidas do que a vontade própria. É mais fácil mudar o ambiente do que a nossa mente", conclui Wansink. Ora não é isto mesmo a natureza humana?






ScienceDaily

1 comentário: