16 de novembro de 2012

A Amnistia Internacional sobre os confrontos de dia 14 de Novembro

Eu por regra não fujo muito à temática do blogue, muito menos para escrever sobre política ou questões fracturantes da sociedade. Mas achei uma certa graça ao comunicado da Amnistia Internacional sobre os confrontos frente à Assembleia da República no passado dia 14 de Novembro. E começa assim...



A Amnistia Internacional condena uso excessivo e desproporcional de força contra manifestantes que protestavam pacificamente em Lisboa e pede inquérito ao Governo. 

A Amnistia Internacional Portugal condena o uso excessivo da força por parte da Polícia de Segurança Pública (PSP) contra manifestantes que pacificamente exerciam o seu legítimo direito de protesto, em frente à Assembleia da República, em Lisboa, no decurso da greve geral de ontem contra as políticas de austeridade. 


A minha resposta é a seguinte:


O típico pai de família desempregado que não tem dinheiro para alimentar os filhos.
Com "A" de "amor" escrito ao peito, arremessa cravos à vil polícia que reprime
cuelmente uma manifestação pacífica.




Não sei se eles viram a mesma manifestação que eu. Não sei se eles viram um bando de miúdos a agredir os polícias no exercício da sua profissão. Sim... a trabalhar, coisa que talvez eles não saibam do que se trata. É da crise... Mas se existem jovens que deviam estar descontentes com o País, eu seria um deles. Também não tenho um daqueles empregos para a vida que os sindicatos tanto defendem. Quem não gostaria de um? Com uma licenciatura, um mestrado e uma pós-graduação também estou, para todos os efeitos, desempregado. Mas tenho trabalho pontual, o que é um pouco diferente. Tenho de me esforçar para que cada aula, curso ou workshop seja um sucesso e que assim continue a ser contratado por quem ainda tenta mover este País. Quando passo um recibo verde claro que me custa dar ao estado uma grande parte do fruto do meu trabalho, quando o retorno é tão pequeno. Mas não é por isso que vou mandar calhaus à polícia.

Não me interpretem mal. Eu sou totalmente a favor do direito à manifestação e ainda acho que acção policial pecou por tardia. Talvez se houvesse uma actuação logo no início contra o pequeno grupo que gerou os confrontos tivessem impedido o escalar da violência e assegurado uma manifestação pacífica, o objectivo claro da grande maioria das pessoas ali presentes. Assim, a única coisa que aqueles tipos conseguiram foi dar às autoridades uma justificação para acabar, e bem, com aquele circo e atentado à Democracia. Mas depois sempre lhes podem chamar fascistas... 

Li um comentário do Daniel Oliveira, um conhecido colunista de esquerda da nossa praça, que mostra o que eu entendo por um manifestante consciente. Quando os calhaus começaram a voar tentou dissuadir a violência. Como isso não foi possível, e antes que um lhe calhasse em sorte, pôs-se a andar dali para fora. Aquilo deixou de ser a sua manifestação. No dia 14 de Novembro tive vergonha e medo do meu País. Não sei se ainda o reconheço nem o que será dele num futuro próximo. Mando-me daqui para fora? Talvez seja boa ideia... E levo comigo os milhares de euros que Portugal investiu na minha formação. Sim... que tu pagaste. Eles lá fora agradecem.

5 comentários:

  1. Acho que estás redondamente enganado num aspecto crucial.
    A autoridade tem o dever e a responsabilidade de agir dentro da Lei, dar resposta proporcional, e também de educar a população - tanto de forma directa como através do bom exemplo. Isso sim, é profissionalismo.

    Se há pessoas que mereciam o tratamento violento que a polícia aplicou de forma indiscriminada a toda a gente, é claro que era o pequeno grupo desordeiro. Mas o resto da manifestação foi vítima de abuso de força e poder, o que é inaceitável numa democracia. A polícia agiu de forma vingativa e emocional, e não de forma profissional. Foi um espectáculo de degradação.
    http://indicativo.blogs.sapo.pt/11307.html

    Pelo menos, concordo completamente contigo quando dizes que a actuação foi tardia e deveria ter sido feita mais cedo e de forma mais "cirúrgica". Mais ainda, pegando nos escassos e polémicos indícios de infiltrados da polícia entre os manifestantes e a probabilidade de alguns deles terem ajudado a exaltar os ânimos com a intenção de precipitar acontecimentos e identificar cabecilhas, não posso deixar de sentir asco pela forma como a situação foi encarada.

    Em todas as manifestações grandes há um grupo mais violento. Vamos sempre bater em toda a gente indiscriminadamente? Isso é o que faz um Estado totalitário que não tem respeito pelos seus cidadãos. A acção da polícia foi sem qualquer sombra de dúvida fascista. Principalmente quando se leva em conta o aumento salarial que eles receberam logo a seguir... jogada típica de um Estado que teme a população em vez de a defender... num clima de austeridade extrema e cortes a torto e a direito, isto só pode ser interpretado como uma recompensa aos "cães de fila" que mantêm o poder intacto.

    Acorda, Sérgio.... o Estado de Direito está morto e ninguém enterrou o cadáver. E o cheiro já não dá para ignorar...

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  2. Acho que estás redondamente enganado num aspecto crucial.
    A autoridade tem o dever e a responsabilidade de agir dentro da Lei, dar resposta proporcional, e também de educar a população - tanto de forma directa como através do bom exemplo. Isso sim, é profissionalismo.

    Se há pessoas que mereciam o tratamento violento que a polícia aplicou de forma indiscriminada a toda a gente, é claro que era o pequeno grupo desordeiro. Mas o resto da manifestação foi vítima de abuso de força e poder, o que é inaceitável numa democracia. A polícia agiu de forma vingativa e emocional, e não de forma profissional. Foi um espectáculo de degradação.
    http://indicativo.blogs.sapo.pt/11307.html

    Pelo menos, concordo completamente contigo quando dizes que a actuação foi tardia e deveria ter sido feita mais cedo e de forma mais "cirúrgica". Mais ainda, pegando nos escassos e polémicos indícios de infiltrados da polícia entre os manifestantes e a probabilidade de alguns deles terem ajudado a exaltar os ânimos com a intenção de precipitar acontecimentos e identificar cabecilhas, não posso deixar de sentir asco pela forma como a situação foi encarada.

    Em todas as manifestações grandes há um grupo mais violento. Vamos sempre bater em toda a gente indiscriminadamente? Isso é o que faz um Estado totalitário que não tem respeito pelos seus cidadãos. A acção da polícia foi sem qualquer sombra de dúvida fascista. Principalmente quando se leva em conta o aumento salarial que eles receberam logo a seguir... jogada típica de um Estado que teme a população em vez de a defender... num clima de austeridade extrema e cortes a torto e a direito, isto só pode ser interpretado como uma recompensa aos "cães de fila" que mantêm o poder intacto.

    Acorda, Sérgio.... o Estado de Direito está morto e ninguém enterrou o cadáver. E o cheiro já não dá para ignorar...

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  4. Peço desculpa pela duplicação de comentários, esta interface tem muitas falhas... :( agradeço que apagues o que estiver a mais. :)

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