20 de novembro de 2012

Dieta vs exercício físico na perda de gordura



O que é mais importante para perder peso: dieta ou exercício? Esta questão que parece óbvia não é assim tanto. Se isolarmos a variável peso (não falo em composição corporal), o exercício físico parece acrescentar muito pouco a uma dieta hipocalórica. Existem também dúvidas que o exercício por si só, sem uma intervenção a nível dos comportamentos alimentares, possa induzir uma perda de peso significativa. Portanto, a pergunta coloca-se. Se o objectivo for apenas baixar uns Kg na balança, para quê suar no ginásio? Será que a perda de gordura é semelhante em valor total e fraccional?


Um aspecto a ter em conta é sem dúvida a alteração da composição corporal. A prática de exercício físico, em particular treino de força, induz alterações a nível da proporção de massa magra no organismo, algo que a balança não evidencia. O músculo é mais denso que a gordura, logo pesa mais para um mesmo volume. Mas imaginem a seguinte experiência. Uma amostra de indivíduos saudáveis era dividida em dois grupos para uma intervenção de perda de peso baseada num deficit energético idêntico durante 1 ano. Um dos grupos faria apenas uma dieta hipocalórica e o outro faria dieta e exercício de forma a igualar o deficit produzido pela dieta apenas no primeiro grupo. O que esperariam que acontecesse?

Os resultados deste ensaio foram publicados este ano no Journal of Applied Physiology. Ambas as intervenções favoreceram uma perda de gordura e peso significativo, não se verificando diferenças entre elas para os parâmetros. Em termos de gordura total os resultados foram idênticos na análise estatística.

Mas quando olhamos para as fracções de tecido adiposo o caso muda de figura.


O tipo de exercício aplicado foi essencialmente treino cardiovascular. Como podemos ver, o exercício (EX) levou a uma maior perda de tecido adiposo visceral (VAT) e entre as fibras musculares (IMAT). Por seu lado, a dieta (CR) favoreceu mais a perda de gordura subcutânea total (SAT) e da coxa (SCAT).

Porque isto é importante? É conhecido o impacto negativo que a gordura abdominal visceral tem na saúde. Ele está relacionado com a inflamação sistémica, resistência à insulina, dislipidémias, entre outras complicações comuns na Síndrome Metabólica. Este tipo de gordura é pouco sensível à acção da insulina, mas muito susceptível à estimulação adrenérgica lipolítica pelas catecolaminas. Estas últimas são produzidas na actividade física, explicando o motivo pela qual a sua prática parece favorecer a perda de gordura intra-abdominal.

Se eu pudesse resumir estes resultados em duas linhas seria algo do género: 

Se quer perder peso, faça dieta. Mas se quer ganhar saúde, faça dieta e exercício físico.

Referência

Murphy J et al. (2012). "Preferential reductions in intermuscular and visceral adipose tissue with exercise-induced weight loss compared with calorie restriction". J Appl Physiol. 112:79-85.

Sem comentários:

Enviar um comentário