24 de novembro de 2012

Gordos mas contentes...



Um estudo recente revela que uma variante do gene FTO ligado à obesidade está associada a uma redução de 8% no risco de depressão. Não é apenas um gene da obesidade, mas também um gene da felicidade.


O trabalho aparece na revista Molecular Psychiatry e mostra uma associação negativa entre a variante e a depressão. No entanto, "uma diferença em 8% é modesta e não deverá fazer grande diferença na prática clínica". É a primeira vez que uma interacção recíproca entre a obesidade e depressão é estabelecida a nível genético. Ao contrário da ideia corrente, de que a obesidade eleva o risco de depressão, o estudo sugere que indivíduos com este polimorfismo podem estar protegidos das perturbações psicológicas muitas vezes associadas ao excesso de peso.

A componente genética da depressão é estimada em cerca de 40%. Por seu lado, o peso da genética na obesidade é um assunto controverso entre os cientistas, apontando-se valores entre os 40 e os 70%. Excluindo a obesidade monogénica muito rara (causada por mutações num único gene), a obesidade é essencialmente resultado do pequeno contributo de vários genes de susceptibilidade em interacção com o ambiente. O FTO é o gene com maior influência que se conhece. Ele codifica uma enzima que activa outros genes e é muito expresso no hipotálamo onde se julga ter um papel regulador da homeostase energética.

No entanto, é importante referir que se juntar-mos todos os polimorfismos até então associados à obesidade, eles explicam menos de 2% da variação no peso corporal. Há muito mais para além dos genes...

2 comentários:

  1. Essa não é a minha experiência clínica. Não sei se estas pessoas alguma vez lidaram com utentes obesos por um período prolongado de tempo.

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    1. Trata-se de um estudo epidemiológico. Não se pode aplicar à prática clínica.

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