31 de dezembro de 2013

Certificação Internacional em Nutrição Desportiva, Aveiro

É com enorme prazer que vos venho anunciar que a Certificação em Nutrição Desportiva apadrinhada pelo Tudor Bompa Institute chegou à zona Centro/Norte do país, nomeadamente Aveiro. Tal como em Lisboa, os 3 primeiros módulos serão da minha responsabilidade, e os restantes serão lecionados por formadores de excelência com quem tenho a honra de trabalhar. Várias pessoas no Norte me têm contactado para formações, e aqui está uma oportunidade :) 


15 de dezembro de 2013

Análise à proteína Total Whey da Gold Nutrition

Depois de publicar a análise à 100% Whey Gold Standard da Optimum Nutrition [link], aqui vão os resultados da análise ao teor proteico da Total Whey da Gold Nutrition. Apesar de ser um dos suplementos que me dá mais garantias de qualidade, muitos leitores mostraram dúvidas relativamente a este produto e pediram a análise. Aqui está... Tudo de acordo com o descrito na embalagem no que respeita à quantidade de proteína. Cliquem na imagem para ampliar ou descarreguem para os vossos arquivos se tiverem dificuldade em ver.


10 de dezembro de 2013

3 anos de blog + novidades!

Pois é... No passado dia 6 de Dezembro o blog fez 3 anos de existência! Obrigado a todos vós que fizeram do Fat New World um sucesso, com mais de 1 milhão de visitas! Para mim tem sido uma experiência muito gratificante e enriquecedora. Cresci como profissional e como pessoa, cada vez mais apaixonado por esta área que nos une - nutrição, fitness, e saúde. Bem sei que nos últimos tempos não tenho conseguido escrever ao ritmo a que vos habituei, mas isso não significa que tenha abandonado o blog ou que lhe tenha dado um papel secundário. Apenas tenho sido muito procurado profissionalmente, o que em grande parte também está ligado ao sucesso do Fat New World e é o melhor feedback possível do meu trabalho. Também por isso vos deixo um agradecimento.

Para ser sincero não sei se conseguirei voltar aos artigos diários, mas o Fat New World irá persistir por muito tempo! E tendo em conta a elevada procura e recomendações por parte dos leitores, em breve irei lançar um serviço de acompanhamento personalizado, em parceria com outros profissionais de excelência nas suas áreas (nutrição e fisiologia). O que se pretende é um acompanhamento integrado que pressupõe um diagnóstico metabólico e promoção de estratégias para optimização da composição corporal, sem nunca esquecer a saúde. Isto sempre com a componente científica e racional a que vos habituei... Mais novidades para breve :)

2 de dezembro de 2013

O vinho tinto na doença cardiovascular


Todos já ouvimos sobre os benefícios do vinho tinto na saude cardiovascular. É um tema que agrada os meios de comunicação pelo seu mediatismo, embora na grande maioria dos casos se tratem de resultados de estudos epidemiológicos com todos os problemas que lhes são inerentes. Associação não significa causalidade e uma série de outros comportamentos confundem a validade da associação numa perspectiva biológica (e não apenas estatística). Por esta razão, julgo ser digno de nota um estudo publicado recentemente sobre o tema [link], mas desta vez um ensaio de prevenção secundária (em pacientes com aterosclerose) em que as pessoas foram submetidas a modificações no estilo de vida (dieta regular vs Mediterrânea, exercício vs sedentarismo) e testado o efeito de 100-200 mL diários de vinho tinto.

Se as modificações no estilo de vida no sentido de uma dieta mais saudável e exercício tivessem sido os factores de maior impacto provavelmente não estaria a escrever um artigo sobre isso. Poucos terão dúvidas a esse respeito. Mas a verdade é que o consumo de vinho tinto parece, por si só, ter um efeito bastante benéfico a nível da lipidémia com uma elevação dos níveis de HDL-c e redução no rácio LDL-c/HDL-c, considerado um indicador robusto do risco de doença cardiovascular. Na verdade o efeito do vinho tinto parece até superior! (o inverso para os triglicéridos, o que é natural tendo em conta o efeito do álcool a este nível).

Não se apressem a concluir que o vinho tinto protege do risco cardiovascular e que tem um efeito mais potente do que um estilo de vida saudável (o que quer que isso seja). Na verdade, as modificações no estilo de vida parecem induzir um efeito mais duradouro e persistente na lipidémia, o que já de si é um indicador discutível do real risco cardiometabólico. Mas os resultados deste estudo apontam para que de facto a inclusão de uma pequena dose de um bom vinho tinto (100-200 mL) na dieta regular possa trazer benefícios a curto-médio prazo. Tendo em conta o teor em resveratrol, quercetina, e outros compostos fenólicos anti-oxidantes e anti-inflamatórios, não é de estranhar um efeito protector sobre uma doença com o carácter da arteriosclerose. Além disso, o efeito calmante e anti-stress (cortisol) que poderá ter é um ponto extra a ter em conta na prevenção de doença e bem-estar.


27 de novembro de 2013

Certificação em Nutrição Desportiva, um curso WellX ProSchool, Nutriscience, e Tudor Bomba Institute

É com enorme prazer e orgulho que anuncio fazer parte do corpo docente da 1ª edição da Certificação em Nutrição Desportiva promovida pela WellX e Nutriscience, e com o selo do internacionalmente reconhecido Tudor Bompa Institute. Este curso é constituído por 6 módulos e dirigido a todos os profissionais na área do exercício, nutrição, e saúde em geral. Mais informações AQUI ou entrem em contacto com a WellX ProSchool. Inscrições abertas!


26 de novembro de 2013

Obesidade saudável: será que existe?


Existe grande contorvérsia em torno daquilo a que se tem chamado "obesidade saudável", um estado em que o excesso de gordura não parece apresentar efeitos nefastos no organismo. São pessoas aparentemente saudáveis e com indicadores de saúde perfeitamente normais, como a glicemia, HDL-c, e marcadores inflamatórios, nem sempre fáceis de convencer de que o seu estado coloca em risco a saúde. O painel bioquímico não reflete isso. Embora numa perspectiva de gestão de recursos faça sentido dar prioridade de intervenção à obesidade patológica, com doenças metabólicas associadas e geralmente com um perfil abdominal, a verdade é que os outros, sem problemas aparentes, não devem ser esquecidos. Já um estudo Espanhol de coorte verificou um risco 700% mais elevado de desenvolver diabetes em pessoas obesas "metabolicamente saudáveis" do que em indivíduos com peso normal num período de 11 anos. Agora, um outro estudo Americano vem reforçar esses mesmos resultados, encontrando um risco muito superior de desenvolver diabetes em todos os padrões de obesidade (OR de 3,9 nos "obesos saudáveis") [link]. O mesmo foi verificado para o risco cardiovascular.

O que isto significa? De uma forma simples, há os obesos com problemas e os que irão ter problemas no futuro. Óbvio que estou a generalizar abusivamente mas percebem a ideia. O aumento do risco de disfunções metabólicas é demasiado grande para ser ignorado, mesmo quando tudo parece-me bem, hoje. É urgente adoptar medidas preventivas o mais cedo possível, e que passam invariavelmente pela perda de gordura e optimização metabólica. Friso perda de gordura e não necessariamente peso. Tenho-me deparado com muita gente de peso normal e gordura excessiva, especialmente na zona abdominal. O deficit em massa muscular é outro problema que anda de mãos dadas com este, e, como sabem, na minha opinião não há optimização metabólica sem treino de força. Daí a importância de uma boa avaliação da composição corporal que complemente a bioimpedância, quando o DEXA não é possível, com recurso a perímetros e pregas cutâneas. Uma ferramenta de grande utilidade no diagnóstico e intervenção para optimizar o metabolismo e saúde.




21 de novembro de 2013

Café ao final da tarde e as perturbações no sono


É do senso comum que ingerir café ou outros alimentos/bebidas cafeínadas pode perturbar o sono, com maior ou menor magnitude consoante a tolerância individual. Um estudo recente avaliou o impacto no sono do consumo de cafeína 3 e 6 h antes de dormir, verificando que em qualquer um destes momentos se verificava um efeito negativo, nem sempre com percepção do mesmo por parte dos participantes [link]. Este estudo suporta obviamente a recomendação de que se deve evitar o consumo de cafeína a partir do meio da tarde, apesar da dose ter sido um pouco alta para os hábitos dos Portugueses (400 mg de cafeína correspondem a uns 4-5 cafés espresso). Curiosamente este foi o primeiro estudo a avaliar o efeito do consumo de cafeína em horários diferentes na qualidade do sono. Como estimulante que é, poderá não só actuar a nível do sistema nervoso mas também provocar um aumento do cortisol em momentos inapropriados, nomeadamente o final da tarde/noite. Como tal, mesmo não sendo sensível o impacto negativo da cafeína nessas horas do dia, é recomendável evitar o seu consumo. E quem vos diz isto é um "viciado" em café... :)


20 de novembro de 2013

O óleo de coco virgem protege contra a peroxidação lipídica


Os potenciais benefícios do óleo de coco virgem não são novos para vocês que lêem o blog, e vão para além do controlo de peso [link]. Ao contrário do refinado, extraído a altas temperaturas, o óleo virgem apresenta um conjunto de antioxidantes polifenólicos que protegem do stress oxidativo, mas que se perdem rapidamente quando usado para cozinhar a temperaturas elevadas. É sabido que aquecer e reaquecer óleos altera a sua estrutura e inicia o fenómeno de peroxidação lipídica que gera radicais livres agressores no organismo, como é exemplo o MDA. Um estudo agora publicado [link] testa em ratinhos o efeito do óleo de coco virgem contra o efeito deletério do óleo de palma oxidado nos níveis de MDA no tecido cardíaco. Embora seja de esperar um efeito protector, não deixa de ser surpreendente a magnitude e eficácia da adição, e não substituição, de 15 ml de óleo de coco na dieta destes animais expostos a peróxidos. Por outras palavras, os ratinhos que ingeriram óleo de coco como aditivo à dieta rica em gorduras oxidadas geraram menos MDA no tecido cardíaco e, como tal, estiveram menos expostos a estas moléculas agressoras.

O óleo de coco não é propriamente uma gordura comum nos países não-tropicais, mas isso não significa que não possa ser introduzida na nossa dieta. Existem vários benefícios potenciais, uns "mais comprovados" do que outros de um ponto de vista científico, que no conjunto suportam um efeito protector da ingestão de uma quantidade modesta de óleo de coco na dieta habitual. Tratando-se de uma gordura muito versátil e de sabor neutro, pode ser adicionada a quase tudo sem prejuízo.


14 de novembro de 2013

Carga ácida da dieta e o risco de diabetes tipo 2


Embora seja um tema controverso, acredita-se que um dos grandes problemas da dieta moderna seja a sua elevada carga ácida, ou seja, o potencial dos alimentos ingeridos em gerar ácidos e baixar o pH dos fluidos. Mas a verdade é que em termos de evidência científica ela fica um pouco aquém do que seria desejável para afirmar com veemência que devemos transitar para uma dieta mais alcalina, rica em vegetais e alguns frutos. Um estudo de coorte agora publicado com mais de 60 000 participantes foi o primeiro de larga escala a associar a carga ácida da dieta com maior risco de doença, neste caso diabetes tipo 2. Segundo estes resultados, um PRAL (Potential Renal Acid Load) elevado associa-se a um aumento impressionante de 56% no risco de desenvolver diabetes em mulheres num período de 14 anos.

13 de novembro de 2013

Mais benefícios dos mirtilos...


Os frutos silvestres são reconhecidos pelo seu elevado teor de antioxidantes, nomeadamente polifenóis, com um efeito bioactivo e protector a vários níveis. Mais ainda os selvagens sujeitos a agressões constantes do meio e que dependem desses fitoquímicos como mecanismo de defesa. Entre os frutos silvestres, os mirtilos estão entre os mais ricos nestes compostos com acção potencialmente benéfica a nível cardiometabólico.

Um estudo publicado recentemente mostra que a ingestão de mirtilos aparenta um efeito protector a nível da função endotelial em animais obesos, propensos a inflamação e hipertensão [link]. Relembro que a disfunção endotelial é considerada "o factor de risco dos factores de risco", ou seja, o ponto para onde todos os factores de risco clássicos convergem. O endotélio é a barreira que separa o fluído (sangue) da face interna dos vasos (íntima e túnica média). É também responsável pela produção de substâncias vasodilatadoras (óxido nítrico e prostaciclinas) e vasoconstritoras (tromboxanos). Quando se verifica um desequilíbrio pendente para a vasoconstrição temos aquilo a que chamamos "disfunção endotelial", um estado também marcado por inflamação, hipercoagulação, e permeabilidade vascular. No fundo, um aumento considerável do risco cardiovascular e arterosclerose. 

12 de novembro de 2013

Análise à proteína Optimum Nutrition 100% Whey Gold Standard


Aqui ficam os resultados da análise a uma das proteínas mais vendidas em Portugal, e no Mundo - Optimum Nutrition 100% Whey Gold Standard. Como poderão ver no relatório, os 80% de proteína alegados pela marca correspondem ao resultado da análise (81,2 g/100 g). Os hidratos de carbono estão um pouco acima do descrito no rótulo, mas alerto-vos para o facto de este método de análise quantificar os edulcorantes como glícidos. Além disso está ainda dentro da margem legal permitida (10%). Concluindo, em termos "macro" a proteína da ON tem aquilo que diz ter. Claro que estamos a falar em teor de macronutrientes e não fontes dos mesmos. De qualquer forma parece-me uma escolha segura e de qualidade assegurada. É a que consumo, e assim continuará...

Mais análises a seu tempo...



10 de novembro de 2013

1 milhão de visitas!

Hoje o Fat New World passou o primeiro milhão de visitas. Um momento marcante na história deste blog que começou como um mero passatempo, mas que rapidamente se tornou uma referência em nutrição e exercício. Algo em que eu tenho muito orgulho e que considero o meu grande sucesso a nível profissional. O conhecimento e experiência só fazem sentido se forem transmitidos, e o Fat New World não é mais do que um veículo para vos falar de uma área que me apaixona e que no fundo está presente em tudo na minha vida. Uma extensão de mim próprio e do meu dia-a-dia. Mas como se costuma dizer, "quando um ensina, dois aprendem". Hoje isto faz todo o sentido para mim. Recebi tanto ou mais do que dei, a todos os níveis. Aprendi muito e cresci como pessoa, cientista e professor. 

Bem sei que nos últimos tempos tenho estado mais ausente, o que se deve a motivos pessoais (mudanças) e projectos que revelarei em breve. Não tem sido fácil conciliar tudo isso com um site que aborda temáticas muito específicas e que requerem estudo e trabalho. Em breve espero que tudo estabilize e possa voltar à frequência de artigos a que vos habituei. Não pensem que o Fat New World perdeu gás. Estou mais motivado do que nunca!

Muito obrigado a todos! 

6 de novembro de 2013

O sabor do azeite activa áreas cerebrais com implicações metabólicas


Sabemos que alguns alimentos iniciam respostas cerebrais que não dependem do seu valor calórico, mas apenas sabor. Lembrem-se do caso dos adoçantes artificiais [link]. Uma equipa de investigadores mostra agora que algo muito semelhante se poderá passar com o azeite, activando uma zona específica do cérebro chamada frontal operculum [link], uma área já associada ao controlo da glicemia e resposta antecipatória à ingestão de alimentos, independentemente do seu valor calórico.

A equipa forneceu a um grupo de voluntários iogurte magro normal, ou iogurte magro com extracto de azeite (apenas influenciando o sabor). O iogurte com extrato de azeite aumentou o fluxo sanguíneo no opérculo frontal, estimulando sensações no cérebro associadas à ingestão dessa gordura. O significado destes resultados não são claros. Mas uma coisa é certa. Tendo em conta a resposta cerebral com implicações metabólicas que o "sabor" dos alimentos parece ter, a visão ultrapassada de uma dieta focada essencialmente nos macronutrientes é demasiado redutora para a complexidade da fisiologia humana.


5 de novembro de 2013

Ingestão deficitária de vitaminas e minerais na Europa


Todos reconhecemos o quanto a dieta Ocidental é pobre, não obviamente em energia, mas no aporte de micronutrientes essenciais. As carências macronutricionais foram praticamente erradicadas do Mundo Moderno, dando lugar a deficiências micronutricionais muitas vezes subclínicas. O caso do Magnésio, Zinco, Selénio e Crómio é bem conhecido. Um estudo agora publicado no British Journal of Nutrition [link] revela que em alguns países Europeus o aporte de certas vitaminas e minerais pode ser deficitário, nomeadamente de vitamina D, vitamina B2, vitamina E, Cálcio, Iodo, Ferro, Selénio, Zinco e Potássio.

4 de novembro de 2013

Primeiro módulo do curso de Nutrição Clínica


No passado fim-de-semana teve lugar o primeiro módulo da 2ª edição do curso de Nutrição Clínica da Nutriscience. Quatro dias intensos com 32h de formação, das quais assumi 16h para falar um pouco de biologia celular, bioenergética, metabolismo, e regulação hormonal. O restante ficou com os meus amigos e colegas Pedro Bastos e Óscar Picazo, que nos falaram de química, lípidos e micronutrientes. Tal como aconteceu o ano passado, o curso iniciou-se com o pé direito e foi um bom prenúncio para o que aí vem. O grupo é fantástico e os meus agradecimentos a todos pela vossa presença e contributo. É sempre óptimo e enriquecedor reunir numa sala pessoas de tão diferentes áreas e experiências. Obrigado também ao Chef Duarte Alves pelos já famosos "Nutribreaks".

Depois destes dias muito atarefados espero voltar ao blog, embora com disponibilidade limitada. Estou em mudanças e é um Inferno…

1 de novembro de 2013

Curso de Nutrição Desportiva, Janeiro-Junho 2014, em Lisboa

Como já vos tinha dito, o primeiro semestre de 2014 será marcado por vários cursos e formações de Nutrição Desportiva e composição corporal que irei dar. Um deles será organizado pela Wood House Training Lab, uma formação creditada e destinada essencialmente aos profissionais do exercício e nutrição. Será composto por 6 módulos, com o primeiro a ter lugar em Janeiro de 2014 e uma frequência mensal, num total de 70 h de aulas e 17 UC. Trata-se de um curso no qual participei desde início na estruturação dos conteúdos, que acredito irem ao encontro das questões e problemas com que se deparam os profissionais e atletas no dia-a-dia. Serão abordados fundamentos de bioquímica nutricional e metabólica, regulação e resposta endócrina, hipertrofia, optimização da composição corporal, endurance, suplementação, doping, entre outros. Em relação a este último espero diferenciar-me da comum abordagem, explicando detalhadamente as características, acção e riscos de cada substância, encarando de frente um problema indissociável da vivência nos ginásios.

Mais sobre o curso e matérias a abordar aqui: http://woodhousetraininglab.com/sub_formacao.php?cd_item=7&cd_formacao=2

Para mais informações contactar a Wood House Training Lab. Inscrições abertas:

info@woodhousetraininglab.com

O curso terá lugar em Cascais, Lisboa.


25 de outubro de 2013

Ausência temporária

Escrevo apenas para justificar a minha "ausência" nestes últimos dias, um facto que se prende com a aproximação da 2ª edição do curso de Nutrição Clínica da Nutriscience [link]. O primeiro módulo será já no dia 31 e ficarei responsável por toda a parte de bioenergética, bioquímica nutricional e metabolismo das proteínas e hidratos de carbono, e regulação hormonal. Como tal, o tempo que costumo dedicar ao blog tem sido ocupado pela preparação do curso. Confesso que é com grande satisfação que inicio esta segunda edição, com grandes expectativas tendo em conta o sucesso da primeira. Relembro que apesar do curso já estar encaminhado ainda se poderão inscrever, em todos ou apenas em alguns módulos individuais.

Mas em breve voltarei ao blog... :)

22 de outubro de 2013

Garrafas de plástico e actividade estrogénica na água


Nós estamos constantemente expostos a químicos xenobióticos no dia-a-dia, seja nos alimentos que ingerimos, na água que bebemos, ou nos cosméticos e produtos de higiene que usamos. Mas "estamos" pode ser de facto uma palavra abusiva, porque a partir do momento em que nos consciencializamos para o problema a tendência é reduzir ao máximo a exposição, o que é até certo ponto possível. Um dos efeitos melhor caracterizados destes xenobióticos é a disrupção endócrina. Eles afectam a normal funcionamento do nosso sistema hormonal, exercendo um efeito semelhante às hormonas esteróides, nomeadamente os estrogénios. Dois dos químicos mais mediáticos são o bisfenol A e os ftalatos, já aqui falados por várias vezes [link]. 

Os plásticos são um veículo destes xenobióticos que migram facilmente para os produtos que ingerimos, e a água engarrafada é um dos casos melhor caracterizados. Uma equipa de investigadores Alemã comparou a actividade estrogénica presente em águas engarrafadas em recipientes de plástico ou vidro [link]. Os resultados mostram que essa actividade é cerca de 3 vezes maior em garrafas de plástico (PET). 

As implicações são óbvias... É sempre preferível optar pelas garrafas de vidro, embora muitas vezes não seja praticável. Pelo menos assegurem-se que os recipientes de plásticos não são expostos a temperaturas elevadas, uma vez que o calor aumenta a migração dos químicos para a água. Não é boa ideia deixar uma garrafa no carro em plano Verão, por exemplo. Mas muito pior ideia é deixar as garrafas completamente expostas ao sol como acontece no armazém do hipermercado mais próximo da minha casa (no Almada Fórum), o que pode ser facilmente verificado por quem lá passa de carro. É quase certo que não se trate de desleixo, mas apenas ignorância relativamente a um problema sério de saúde pública.


Os ómega-3 estão associados a um menor risco de acidentes vasculares nos idosos


Os benefícios dos ómega-3, EPA e DHA, são bem conhecidos, embora alguns ainda se lembrem de os associar ao cancro [link]. De acordo com um novo estudo publicado no Journal of the American Heart Association [link], os níveis de ómega-3 no sangue parecem associados de forma inversa ao risco de episódios isquémicos transitórios e outras anomalias a nível cerebral em idosos. E estamos a falar numa redução de 40% quando comparamos os indivíduos com níveis mais elevados com os mais baixos. Estes resultados vêm confirmar resultados anteriores com a mesma amostra, associando o consumo de peixe a um efeito protector a nível cerebral. Claro que se trata apenas de mais um estudo epidemiológico, e que associação não significa causalidade. Uma das lições mais importantes que eu quero fazer passar aqui no blog. No entanto, e tendo em consideração a decadente dieta moderna, não serão poucos os que de facto terão benefícios com o aumento da ingestão de ómega-3. Várias razões já foram aqui apontadas [link]...


19 de outubro de 2013

Porque é importante dormir?


Já aqui falámos vezes sem conta da importância do sono e das consequências da privação [link], mas por que motivo temos necessidade de dormir? Certamente que o sono terá um efeito regenerador a nível cerebral e metabólico, mas um novo estudo publicado na Science [link] sugere um objectivo mais concreto: remover e limpar o cérebro dos catabolitos e toxinas geradas pela actividade intensa durante o dia. A actividade cerebral necessita de energia, muita energia. Mas o transporte dos catabolitos tóxicos para fora dos neurónios também, substâncias geradas na actividade normal do cérebro. Os canais transportadores são dependentes de muita energia. Segundo esta hipótese, não é possível suprir as necessidades energéticas de ambas as funções, actividade e remoção de catabolitos, em simultâneo. Como tal, o organismo periodizou tarefas. Alta actividade durante o dia, e remoção do "lixo" à noite, durante o sono. Distúrbios de sono poderão levar à acumulação de toxinas com consequências patológicas, que são aliás padrão em certas doenças neurológicas.

Obviamente que se tratam ainda de resultados preliminares em animais que geram uma hipótese. Mas uma hipótese elegante e com sentido biológico. É redutor pensarmos no sono como um mecanismo fisiológico com uma finalidade, quando as ramificações dos seus efeitos se estendem a todo o metabolismo a um nível sistémico. Racionar energia deverá ser apenas mais uma das funções para juntar a tudo o que já sabemos sobre a importância do sono.


17 de outubro de 2013

Metanfetamina detectada em suplemento à venda em Portugal


Eu acredito no potencial ergogénico de alguns suplementos, mesmo sendo uma pessoa muito crítica por natureza. Uso-os e recomendo-os, embora apenas uma gama de produtos limitada que considero eficaz a nível de performance. Mas também sou um dos primeiros a alertar para os problemas dos suplementos alimentares, e a falta de regulação é um deles. Ninguém analisa o que sai para o mercado, nem tem de o fazer. Só se lembram disso quando os problemas surgem. Não é portanto de estranhar que várias marcas lancem para o mercado substâncias ilícitas que são detectadas nos testes de despistagem anti-doping sem conhecimento e intenção do atleta. O Craze da Driven Sports é mais um exemplo, um suplemento pre-workout à venda em Portugal. 

Intrigada por uma série de análises anti-doping positivas para anfetaminas, uma equipa de investigadores da Universidade de Harvard analisou o Craze [link] e detectou a presença de N-alfa-dietilfeniletilamina, um composto da família das metanfetaminas. A empresa alega que esta substância está presente nas orquídeas, e como tal pode ser comercializada como suplemento alimentar, embora na verdade nunca tenha sido detectada em quantidades significativas. O mais provável é que se trate de mais uma designer drug, assemelhando-se ao caso do Jacked 3D e do óleo de Gerânio com DMAE. Além disso, tanto quanto sei o ópio também existe numa planta e não é por isso que é legal.

Fica o alerta. Este caso não é o primeiro nem vai ser o último, enquanto as autoridades competentes não se consciencializarem do problema e exigirem outro tipo de regulação ao mercado. Lançar o produto primeiro e fazer perguntas depois não tem funcionado, nem vai funcionar. Para quem, como eu, defende os suplementos alimentares como ergogénio ou até saúde, casos como este só desvirtuam a indústria e dão argumentos a quem ainda tem preconceitos em relação a estes produtos.



16 de outubro de 2013

Próximos cursos de Nutrição Desportiva


A partir de Novembro irei dar uma série de cursos de Nutrição Desportiva e no Exercício Físico. Para já deixo aqui a informação para o ciclo de formações creditadas promovidas pela WellX ProSchool, em parceria com a Nutriscience.

1) FUNDAMENTOS DE NUTRIÇÃO E METABOLISMO (8h | 1,6 UC)

2) NUTRIÇÃO E CONTROLO DE PESO (8h | 1,6 UC)

3) NUTRIÇÃO, HIPERTROFIA E FORÇA (8h | 1,6 UC)

4) NUTRIÇÃO E ENDURANCE (8h | 1,6 UC)

5) NUTRIÇÃO, INFLAMAÇÃO E DOR CRÓNICA (8h | 1,6 UC)


Condições especiais para quem pretender frequentar os 5 módulos do curso. O primeiro terá lugar no dia 30 de Novembro, e será da minha responsabilidade. O mesmo para os módulos 2 e 3, já no início do próximo ano.

Para mais informações, por favor contactem a WellX ProSchool ou visitem o site [link].

Brevemente terei também novidades relativamente a um outro curso de Nutrição Desportiva creditado, com 70 h de formação, a iniciar em Janeiro! Stay Tuned!


15 de outubro de 2013

Whey vs soja nos níveis de testosterona e cortisol em resposta ao treino


Existe uma grande polémica em relação à soja e aos níveis de testosterona nos homens, acreditando-se que as isoflavonas presentes poderão de alguma forma inibir a produção endógena. Alguns estudos em modelos animais e humanos apontam nesse sentido, embora o grau de certeza seja reduzido [link]. Uma das teorias para o efeito hipertrófico do exercício assenta numa base hormonal. O treino de resistência muscular parece estimular hormonas anabólicas, como a hormona do crescimento e testosterona por exemplo, um efeito contrariado pelo cortisol que também faz parte da resposta hormonal normal ao treino. A hipertrofia é resultado de um balanço favorável entre anabolismo e catabolismo, e várias estratégias nutricionais são implementadas no sentido de potenciar a componente anabólica, mas principalmente atenuar o catabolismo induzido pelo cortisol. A proteína de soro de leite (whey) é um suplemento funcional que atua precisamente com esse objectivo. No entanto, o seu efeito a nível das hormonas esteróides está ainda mal caracterizado, uma lacuna que um novo estudo agora publicado tenta preencher. Qual o efeito comparativo da whey à soja nas hormonas esteróides em resposta ao exercício?

14 de outubro de 2013

É possível compensar a privação de sono com umas horas extra ao fim-de-semana?


Nas sociedades modernos, o sono é quase um capricho. Uma das primeiras necessidades fisiológicas básicas que as pessoas estão dispostas a sacrificar para mais umas horas de trabalho ou diversão. Já aqui falámos imenso das consequências disso [link], pelo que não me irei repetir. O aumento do apetite, especialmente por hidratos de carbono/açúcares, resistência à insulina, e inflamação estão bem caracterizados e são hoje aceites como o preço de uma noite mal dormida. Poderíamos pensar que os danos de uma semana de trabalho com déficit de sono seriam reparados ao fim-de-semana através de umas horas extra de descanso. Mas será mesmo assim? Uma equipa de investigadores tentou responder a essa pergunta, concluindo que os danos metabólicos da restrição de sono não são totalmente mitigados por umas horas adicionais ao fim-de-semana [link].

12 de outubro de 2013

2º Curso Avançado de Nutrição Clínica: extensão do prazo de inscrição


O prazo limite para inscrição no 2º Curso Avançado de Nutrição Clínica da Nutriscience foi alargado até à próxima sexta-feira, dia 18 de Outubro. 

Mais informações e inscrição no site da Nutriscience [link] ou através do e-mail geral@nutriscience.pt. O curso terá início a 31 de Outubro.

Há problema em levar consigo o batido proteico já preparado?


Uma pergunta que me fazem frequentemente é se podemos preparar o batido proteico com água previamente, ou se a devemos juntar só antes de beber. A minha resposta é sempre a mesma e peremptória: a água só se junta antes de beber. A razão não é porque pode correr mal se o shaker abrir no saco do ginásio, mas sim devido a uma degradação dos componentes quando o pó é hidratado. Nesse sentido, um artigo publicado há uns dias no Journal of Food Science [link] mostra que no momento em que adicionamos água a um pó de proteína, o processo de oxidação tem início com a formação de radicais livres de oxigénio. Não só a qualidade do produto fica comprometida, como também existem problemas associados à ingestão desses radicais, que certamente não são benéficos para a sua saúde. Portanto meus caros, fica mais uma vez a dica. A água só se junta no momento em que se vai beber. Na verdade nem vejo grande vantagem prática em juntar antes. Basta levar o pó no shaker e uma garrafa com água ao lado.


10 de outubro de 2013

O vinagre reduz o Índice Glicémico dos alimentos

Continuando no tema de como controlar melhor a glicemia [link], sabiam que os ácidos orgânicos reduzem significativamente o índice glicémico das refeições? A adição de vinagre a alimentos ricos em hidratos de carbono, como o pão (que nem sequer deve comer mas está na imagem... então tive de mencionar) ou arroz, pode atenuar significativamente a elevação da glicemia. Uma ou duas colheres de sopa de vinagre de cidra ou arroz serão suficientes para um efeito.


A importância da proteína para o controlo da glicemia


É bem aceite que a composição de uma refeição condiciona a resposta glicémica à ingestão de hidratos de carbono. Sabe-se que a adição de fibra, ácidos orgânicos, gordura, e até proteína atenuam a elevação dos níveis pós-prandiais de glicose no sangue. O caso das amêndoas [link] é bem característico deste efeito. Como nutriente, a proteína é um factor menos mencionado, provavelmente por ser pouco compreendido na sua mecânica. Mas na verdade, é provavelmente um dos mais relevantes e que poderá  usar em seu benefício para uma melhor gestão da glicemia e controlo do apetite. Como pode a proteína facilitar isso?

9 de outubro de 2013

Practice 2013: 26 e 27 de Outubro, Universidade Lusófona

Nos próximos dias 26 e 27 de Outubro vai-se realizar na Universidade Lusófona (ULHT) mais uma edição do Practice, que, mais uma vez, conta com vários especialistas nacionais e internacionais em exercício físico. Fica a nota para os profissionais e alunos da área. Eu próprio deverei estar presente, mas apenas como espectador :).

Para mais informações visitem o site oficial: http://www.practice.com.pt/pt/


8 de outubro de 2013

A divulgação científica e as revistas de acesso livre


Um artigo do jornal Público [link] sobre fraudes nos artigos científicos tem sido muito partilhado nas redes sociais, embora na verdade isto seja tudo menos novo e há anos que é debatido entre a comunidade científica. Um investigador de Harvard "fabricou" um artigo científico com resultados falsos, totalmente inventado e nem sequer com grande mestria, que submeteu a publicação em várias revistas Open Access. Estas publicações são de acesso livre ao público, disponibilizando os artigos gratuitamente. Isto até parece um acto nobre... Ciência ao alcance de todos, e de borla. Mas das 304 revistas a que o artigo foi submetido, 157 aceitaram-no para publicação sem questionar. O que se passa aqui?

Uma autópsia aos Chicken McNuggets


Quando nos vendem McNuggets de frango, o primeiro ingrediente que esperamos encontrar é carne... de frango. Um grupo de investigadores do Mississipi teve a ideia de autopsiar McNuggets de duas conhecidas cadeias de fast food [link]. A conclusão? Apenas 40-50% é de facto carne. O resto é gordura adicionada, tecido conjuntivo, osso triturado, e até epitélio... das vísceras. A composição nutricional anda perto dos 55% gordura, 25% hidratos de carbono, e 20% proteína (não era suposto ser carne?). De facto esta questão já tinha sido levantada pelo Jamie Oliver na sua demanda contra a fast food no Reino Unido. Aquilo é tudo menos carne, e já aqui vimos que consequências pode ter o seu consumo [link]...

7 de outubro de 2013

900 000 visitas! Obrigado!

Hoje atingimos as 900 000 visitas no blog! Obrigado a todos vocês que fizeram deste projecto um sucesso. Citando Robert Heinlein, "quando um ensina, dois aprendem". Expondo-vos no fundo um pouco do que sei e do que faço, acabei por aprender e receber muito mais do que dei. Tem sido uma experiência fantástica para mim, e estou certo que continuará a ser, nestes ou noutros moldes. Sei que nos últimos tempos tenho estado menos activo na minha escrita, mas outras responsabilidades e compromissos me têm mantido ocupado, demais para conseguir manter o ritmo a que vos tinha habituado. A verdade é que também isso acabou de uma forma ou de outra por surgir através do site, com uma procura muito grande por quem me lê, o melhor sinal de satisfação que podemos ter :)

Vamos até ao 1 milhão? Conto convosco para isso!

Muito obrigado.

5 de outubro de 2013

Conferência "Food, Nutrition, and Prevention of Chronic Diseases"


Hoje teve lugar mais um evento Nutriscience: "Food, Nutrition, and Prevention of Chronic Diseases". O nome em Inglês tem razão de ser. Para além do nosso conhecido Pedro Bastos, o evento contou a a participação do investigador Norte-Americano Stephan Guyenet, mais conhecido pela autoria do seu blog Whole Health Source. Foi um prazer e honra ouvir ambos em mais uma excelente iniciativa da Nutriscience. Para fotos e dois pequenos vídeos acedam aqui:


Para que o Stephan possa aceder coloquei no meu site em Inglês :)

O desafio Men's Health chegou ao fim...


Chegou ao fim o desafio do João Parreira, quem tive o prazer de acompanhar na sua jornada de três meses para uma recomposição corporal. Devo dizer que o João me surpreendeu pela positiva e assumiu o compromisso por completo, implementando as modificações profundas que sugeri à sua dieta e estilo de vida. Sei o quanto isso pode ser difícil, mas os resultados são de longe o melhor catalisador para a mudança. Os meus agradecimentos e parabéns também aos Personal Trainers Samuel Corredoura e Bernard Oliveira que trataram de todas as questões associadas ao treino. Mas quem está realmente de parabéns é o João Parreira pelo seu esforço e dedicação. São resultados muito bons em apenas 3 meses, e tens de estar orgulhoso. Mas o mais importante é que continues a tua luta pondo em prática as estratégias que te passámos. Um grande abraço!


3 de outubro de 2013

O papel do fígado na resistência à insulina


Continuando a falar-vos de resistência à insulina, é importante entender a importância que o fígado desempenha em todo este processo. Trata-se do órgão central de todo o metabolismo, sejam hidratos de carbono, lípidos, proteínas, hormonas, fármacos, e até toxinas. Embora, numa perspectiva temporal, não seja o primeiro local onde a resistência à insulina se instala, a verdade é que com a progressão e agravamento da disfunção também ele acaba por sofrer. As consequências podem ir desde uma produção excessiva de glicose, dislipidémias, e eventualmente até a algum grau de esteatose hepática (fígado gordo) que compromete a integridade e função do órgão. 

1 de outubro de 2013

A importância do pequeno-almoço: calorias ou composição?

Um exemplo do que NÃO comer
Tomar ou não tomar o pequeno-almoço? Esta é uma questão que tem gerado muita polémica nos últimos tempos, agitando dogmas antigos do "nutricionismo" - o pequeno-almoço é a refeição mais importante do dia. Embora dentro do paradigma da nutrição convencional eu seja do mais controverso que há, o que me deixa muito feliz devo dizer, não é a importância do pequeno-almoço que eu contesto mas sim a sua composição. É altura de abandonarmos a ideia dos hidratos de carbono [link], pelo menos em tipos metabólicos menos flexíveis na alternância de substratos energéticos. E se formos diabéticos? O tipo de pequeno-almoço tem influência no controlo da doença e apetite? Um equipa Israelita sugere que sim num estudo apresentado recentemente no meeting da European Association for the Study of Diabetes [link].

29 de setembro de 2013

Tradução de artigos... Help!

Amigos,

Como sabem eu tenho um novo blog em inglês, o Metabolic Edge. Não é mais do que uma extensão do Fat New World onde coloco alguns dos artigos traduzidos. Mas a verdade é que o tempo para as traduções é escasso, e por isso peço a vossa ajuda. Possíveis interessados em colaborar enviem um e-mail por favor para sergio.veloso@fat-new-world.com com o respectivo orçamento por artigo :).

Cumps!

28 de setembro de 2013

O sono, a melatonina, e o tecido adiposo castanho


Se há coisa que não me canso de sublinhar aqui no blog é a importância do sono na saúde em geral e no controlo metabólico do tecido adiposo. As ramificações da associação são várias e algumas delas poderão revisitar aqui. Um novo estudo publicado muito recentemente revela agora que a melatonina, hormona que regula o nosso sistema cronobiológico, o ritmo circadiano, tem influência na formação de células adiposas e no tipo metabólico, favorecendo a geração de células "castanhas", queimadoras por excelência de gordura e energia [link].

27 de setembro de 2013

Vantagem genética em atletas de potência e força


Existem variantes genéticas, polimorfismos, que parecem conferir vantagem competitiva aos atletas, pelo menos de um ponto de vista teórico. Por altura dos jogos Olímpicos de 2004 esta questão foi muito debatida devido a uma série de estudos que surgiram sobre doping genético, variantes no gene do IGF-1 e miostatina. É legítimo tirar partido dessa vantagem, mesmo sendo algo que nasce connosco? As opiniões divergiram, mas como pode ser alguém discriminado pelo seu background genético? Claro que não é eticamente correcto banir alguém da competição por ter genes mais favoráveis. Em sequência desta polémica têm surgido alguns trabalhos que associam determinados polimorfismos a performance. Por exemplo, um estudo publicado recentemente no Journal of Strength and Conditioning Research  [link] mostra-nos que existe uma prevalência bastante superior de um polimorfismo CC e CT no gene AGT, que codifica para o angiotensinogénio em atletas de potência e força, comparativamente a atletas de endurance ou não-atletas.

26 de setembro de 2013

Ginkgo biloba: o que é e para que serve


Hoje escrevo-vos sobre um tema diferente do habitual, mas ainda assim relacionado com o espírito do blog – saúde (caso ainda não tenham reparado, embora alguns devam achar que vos quero matar). Existem inúmeros suplementos alimentares à base de plantas com alegada acção terapêutica, e uma das mais estudadas é a Ginkgo biloba. Os seus efeitos a nível do sistema circulatório são reconhecidos, sendo indicada para o tratamento de doenças vasculares com algum sucesso. Os potenciais efeitos a nível cognitivo derivam essencialmente do melhoramento da irrigação cerebral, embora possa também ter uma acção a nível dos neurotransmissores. Aproximando-se o frio, e as crises vasculares tão comuns, não há melhor altura para falar um pouco desta planta milenar e dos suplementos que existem no mercado.

24 de setembro de 2013

Os adoçantes artificiais e a resposta cerebral ao doce


Para aqueles que seguem o blog com atenção, não é novidade nenhuma que os adoçantes artificiais não são solução, se é que não são eles próprios um problema. Os nosso organismo não se deixa enganar com facilidade, e pode até sofrer uma desensibilização que desacopla a percepção do sabor doce da chegada de energia disponível [link]. O que que isto quer dizer? O sabor doce é um sinal de chegada de calorias, e o corpo responde a esse sinal com um aumento da taxa metabólica, secreção de hormonas, indução de saciedade, etc. Se o organismo recebe repetidamente esses sinais, mas com um aporte energético nulo (adoçantes artificiais), eventualmente a resposta é inibida mesmo com o açúcar normal, o que nos torna incapazes de controlar a ingestão em refeições subsequentes. Existem vários estudos que apontam nesse sentido, e agora surge mais um no Journal of Physiology [link]. Segundo os dados apresentados, o açúcar, mas não os adoçantes, são capazes de estimular a dopamina, neurotransmissor de prazer e recomenpensa. A disrupção deste mecanismo no cérebro pode levar a um aumento da ingestão espontânea por menor "satisfação", associada essencialmente ao valor calórico e não tanto ao sabor doce.

23 de setembro de 2013

Meu novo blog - Metabolic Edge


Depois de várias pessoas terem insistido comigo para tal, decidi finalmente criar a versão Inglesa do Fat New World. O Metabolic Edge (www.metabolicedge.net) é o meu novo blog, que não vem em substituição deste, mas como um local onde tentarei colocar artigos traduzidos do Fat New World.

Para já apenas um artigo breve de apresentação (aqui), e o site será actualizado com menor frequência que o Fat New World... O tempo não dá para tudo, o que por um lado é bom sinal. Estou envolvido em vários projectos que me limitam a disponibilidade, alguns dos quais noticiarei em breve :)

Fat New World goes international :P Conto tambem convosco para o fazer crescer...

Os suplementos alimentares são inúteis?


Os suplementos alimentares são eficazes ou não? Esta questão daria lugar a uma discussão apaixonada entre dois extremos: os que os consideram perfeitamente inúteis e os que os acham a solução para todos os males. A verdade é que se nos basearmos apenas nos estudos científicos disponíveis chegamos rapidamente à conclusão de que a grande maioria é ineficaz, senão inútil. Mas eles continuam a ser utilizados, e alguns com grande sucesso. Eu próprio uso e recomendo alguns suplementos que considero bastante interessantes em situações específicas. Onde me posiciono eu no meio desta confusão? Sendo um defensor e "pregador" de ciência, não estarei eu próprio corrompido pelo hype, fé, e marketing?

22 de setembro de 2013

Congresso "Nutrição, Alimentos, e Prevenção de Doenças Crónicas" - dia 5 de Outubro, em Lisboa

No próximo dia 5 de Outubro terá lugar o congresso "Nutrição, Alimentos, e Prevenção de Doenças Crónicas", em Lisboa. O evento promovido pela Nutriscience conta com os palestrantes Pedro Bastos, já nosso conhecido, e Stephan Guyenet, investigador da Universidade de Washington e autor do blog Whole Health Source. Com vários seguidores em Portugal e por esse Mundo fora, é uma oportunidade rara para ouvir e conhecer uma das principais referências da blogosfera sobre nutrição e saúde.


As inscrições são limitadas e já se encontram abertas em: http://www.nutriscience.pt/registration_form_foodnutrition.html

Vejo-vos lá!


21 de setembro de 2013

As bebidas carbonadas e a percepção do açúcar


Os refrigerantes são hoje em dia um dos maiores veículos de açúcar nas sociedades modernas, com quantidades brutais por dose que consumimos (salvo seja... não eu) sem dar conta. Segundo um novo estudo publicado na Gastroenterology [link], as bebidas carbonadas reduzem a percepção do sabor doce no cérebro, condicionando os mecanismos de regulação da homeostase energética. O açúcar e o sabor doce são sinais de entrada de energia e satisfação (recompensa). Se nos tornamos incapazes de entender esses sinais de forma eficiente, o resultado é a ingestão de maior quantidade para sentir o efeito. A combinação de dióxido de carbono com açúcar parece actuar precisamente nesse sentido, diminuindo a satisfação e potenciando o consumo desses refrigerantes. Além disso, parece ser também mais difícil distinguir entre com açúcar e adoçantes artificiais nas bebidas carbonadas.

Se por algum motivo ainda continua a beber estas "coisas", será boa altura para parar. E não apenas as regulares com açúcar, mas também as dietéticas com edulcorantes (veja porquê aqui). Criadas para lhe dar prazer, mas são apenas calorias vazias e cocktails de químicos que falta nenhuma lhe fazem.


19 de setembro de 2013

A frutose pode desregular o metabolismo... mas a que comemos ou a que produzimos?


Os últimos anos têm sido marcados por vários estudos que associam o consumo de frutose a uma série de disfunções características da Síndrome Metabólica [link]. Falo de resistência à insulina, esteatose hepática (fígado gordo), ácido úrico elevado, produção de AGEs, hipertensão, etc etc etc. Embora até ao momento isto tenha apenas sido verificado para doses muito altas de frutose pura, presente essencialmente em refrigerantes e não a frutose na fruta, os estudos são claros e inequívocos - a frutose em doses elevadas é má para o seu fígado. E o que é mau para o seu fígado reflete-se no organismo como um todo. Daqui foi iniciada por alguns uma demanda apaixonada contra a frutose que rapidamente caiu em extremismo, o que aliás parece ser a sina da investigação na área das ciências médicas e nutricionais (basta lembrar do colesterol). Então devemos evitar ou excluir a frutose da dieta... Muito bem. De acordo se estivermos a falar de alimentos processados e não de fruta (embora também deve ser consumida com moderação). Mas e se o consumo de frutose fosse indiferente para a associação da mesma com as mencionadas disfunções metabólicas? E se o corpo fosse capaz de criar o seu próprio veneno a partir da glicose que ingerimos em doses muitas vezes absurdas?

18 de setembro de 2013

"Estômagos obesos" e indução de saciedade


Hoje tempo apenas para uma pequena notícia de um estudo recente em ratinhos sobre sobre saciedade [link]. A capacidade de uma refeição induzir saciedade varia muito de pessoa para pessoa, e os obesos têm regra geral uma resposta atenuada. Grande parte desta resposta deve-se ao efeito mecânico dos alimentos sobre a parede do estômago, que estimula os aferentes nervosos vagais a transmitir sinais de saciedade ao cérebro. Neste estudo que vos falo, foram criados ratos obesos com dieta "western" que revelaram menor sensibilidade nervosa ao conteúdo estomacal do que ratos "normais", o que aumenta a ingestão alimentar (menos saciedade). Mas mais importante do que isso, essa resposta anormal não é revertida com a dieta típica destes animais ou perda de peso. Os ratinhos continuam com uma sinalização deficiente de saciedade, o que potencia o consumo alimentar de uma refeição. 

Se estes resultados se traduzirem em humanos, fica evidenciado mais um motivo pelo qual as intervenções dietéticas convencionais para perda de peso são tão ineficazes. Mais alimento é necessário para sentirmos saciedade e a ingestão calórica aumenta, um efeito que permanece mesmo depois de perdermos peso (pelo menos a curto prazo). Achei este estudo interessante porque de alguma forma sinto-o em mim próprio. Como sabem (ou ficarão a saber aqui), tenho um historial de obesidade. A verdade é que ainda sinto a necessidade de comer bastante às refeições, o que consigo controlar com uma ingestão elevada de vegetais e alimentos pouco densos em energia, ou simplesmente contrariando a vontade (o que também é uma forma eficaz...). Talvez seja este o motivo...

17 de setembro de 2013

Dietas cetogénicas e low-carb no controlo do apetite


Existe uma grande controvérsia relativamente à eficácia e segurança das dietas very-low carb ou cetogénicas para perda de peso. Uma relação de amor e ódio. Uns defendem-nas com unhas e dentes, outros acham-nas mais uma fad diet muito perigosa e no limiar da loucura. Outros ainda, como eu, posicionam-se a meio termo. A verdade é que os estudos a médio-longo prazo que comparam um regime hipocalórico convencional a uma dieta restrita em hidratos de carbono, quando todos os outros parâmetros estão controlados (consumo energético, adesão, actividade física, etc), têm falhado em mostrar uma superioridade das dietas low-carb numa janela de 2 anos, os estudos mais longos que dispomos. Uma é tão ineficaz como a outra quando deixamos as pessoas por sua conta. A adesão ao programa diminui com o tempo, bem como a receptividade metabólica à intervenção. Mas quem está "no campo" sabe que a restrição em hidratos de carbono favorece uma perda de peso mais rápida, embora esse peso seja recuperado muito rapidamente quando voltamos a um regime convencional. Este efeito favorável na gestão do peso tem sido atribuído a uma "vantagem metabólica", em que eu não acredito para ser sincero. Na verdade, tudo se parece resumir ao seu efeito altamente saciante, que se traduz numa redução espontânea da ingestão energética. Um estudo agora publicado no Eur J Clin Nutr aponta precisamente nesse sentido [link].

16 de setembro de 2013

A obesidade visceral está associada a uma redução do volume cerebral


Sem muito tempo para vos escrever hoje, fica apenas uma nota para um estudo curioso e interessante sobre a relação entre a obesidade e o volume de matéria cinzenta, que segundo estes resultados se relaciona inversamente com a adiposidade visceral [link]. Por outras palavras, quanto mais gordura abdominal, maior a perda de volume cerebral. Na verdade, sabe-se que a restrição calórica e perda de peso pode reverter a atrofia associada à obesidade, o que deverá estar relacionado com uma melhor sensibilidade à insulina e menos inflamação. Mais do mesmo... A resistência à insulina e inflamação contribuem para a perda de matéria cinzenta e volume cerebral, o que não significa que fiquemos estúpidos... necessariamente. Mas ao que parece, a nossa cintura expande numa relação inversa com o nosso cérebro.


15 de setembro de 2013

O efeito da canela na glicemia e sensibilidade à insulina

A insulina é uma hormona central no metabolismo e partição energética. Infelizmente, a sua função fisiológica normal é facilmente comprometida em pessoas susceptíveis, em estados de inflamação (como a obesidade por exemplo), ou com uma dieta desfavorável. Re-estabelecer uma sensibilidade à insulina é essencial para a optimização metabólica, em particular nos órgãos que contribuem mais para a gestão dos níveis de glicemia e lipidémia, nomeadamente o músculo e fígado. Quando isto é atingido, a capacidade de lidar com os hidratos de carbono da dieta é superior, verificando-se uma maior estabilidade dos níveis de glicose, redução dos triglicéridos, um perfil lipoproteico mais favorável, menor inflamação, aumento da saciedade ao longo do dia, menos cravings, redução da gordura corporal, aumento da massa muscular, maior densidade mineral óssea, redução da tensão arterial, entre outras melhorias significativas a nível metabólico que se traduzem numa melhor qualidade de vida.

Para quem tem excesso de peso, em particular gordura na região abdominal, emagrecer é a melhor estratégia para restaurar a sensibilidade à insulina. O treino de força tem aqui também um papel de destaque. Mas existem alimentos e compostos bioactivos que favorecem directamente a sensibilidade à insulina e tolerância à glicose. Um dos que desperta maior interesse é a canela, mais propriamente um grupo de compostos chamado procianidinas e o cinamaldeído. Quem me procura sabe que enfatizo a utilização de canela em conjunto com as refeições mais ricas em hidratos de carbono sempre que possível, e esta é a razão...

Fails no ginásio...

Só para rir um bocadinho que hoje é Domingo...



14 de setembro de 2013

Sintomas do hipogonadismo nos homens: deficiência em testosterona ou estrogénios?


Falámos há alguns meses do declínio nos níveis de testosterona que os homens experienciam com o passar dos anos [link]. Abordámos também já aqui o papel importante, e por muitas vezes ignorado, que os estrogénios desempenham nos homens [link]. Embora controverso, nos países "ocidentalizados" verifica-se de facto uma tendência decrescente da testosterona com a idade. Tendo em conta que nos homens a produção de estrogénios depende muito dos níveis de testosterona, através da acção da enzima aromatase, é natural que os níveis absolutos de estrogénios fiquem eles também deprimidos com o envelhecimento. Se assim é, quais as consequências disso?

12 de setembro de 2013

Investir no bem estar e saúde dos trabalhadores aumenta o valor da empresa


Apenas uma pequena nota para um estudo que achei interessante, numa perspectiva mais "económica" da saúde. Segundo um trabalho publicado no Journal of Occupational and Environmental Medicine, as empresas que investem no bem-estar e saúde da sua força de trabalho têm mais valor e geram mais dividendos para os investidores [link]. No fundo são companhias mais produtivas e prósperas. Na verdade, várias grandes empresas lideradas por pessoas "com visão" cuidam do bem-estar dos seus trabalhadores. Algumas já têm ginásios dedicados ou protocolos externos, opções saudáveis nos refeitórios, actividades lúdicas de grupo, entre muitas outras medidas que aumentam a satisfação do trabalhador, e, consequentemente, a dedicação ao trabalho e produtividade. Esta estratégia é um investimento e não uma despesa.