30 de janeiro de 2013

Taubes, NuSI e novas experiências em Nutrição


Gary Taubes é um famoso, se calhar o mais famoso, proponente das dietas low-carb cetogénicas e da tal vantagem metabólica que ainda ninguém consegui provar definitivamente. O seu projecto mais recente foi a criação do NuSI (Nutrition Science Initiative) em conjunto com Peter Attia, uma instituição que se dedica a angariar fundos e financiar investigação na área da nutrição. Mais concretamente, a tentar provar que a sua hipótese está correcta. A verdade é que a investigação de fundo em nutrição tem perdido qualidade à medida que certos dogmas foram dados como adquiridos. Nesse aspecto acho o NuSI uma iniciativa de louvar e que, se isenta, poderá contribuir bastante para o desenvolvimento da ciência. E que experiências deverão ser feitas?


Taubes deu algumas sugestões no seu blogue e espero que agora passe à prática. Numa conferência recente apontou também alguns caminhos a seguir e eu anseio pelos resultados destes trabalhos.


É impossível que uma experiência como esta nunca tenha cruzado a mente de um investigador da área. Eu próprio já pensei nela muitas vezes, mas a verdade é que nunca foi feita. Meter dois grupos de pessoas, em paralelo ou cross-over, numa câmara metabólica e fornecer-lhes uma dieta hipercalórica (mas isocalórica entre os grupos) low-carb e outra low-fat. Tudo teria de ser quantificado, incluindo os alimentos defecados, corpos cetónicos na urina e as trocas de calor com o meio. Simples não é? Nem por isso... Metodologicamente é um desafio.

Porque é esta experiência importante? Se as dietas cetogénicas têm de facto uma vantagem metabólica, parte da energia ingerida vai ser dissipada como calor. E apesar de não ser dos argumentos mais usados em defesa destes regimes, existe alguma plausibilidade biológica nisso. Se alimentarmos ratos com uma dieta muito rica em gordura, poderemos verificar um aumento da actividade da UCP3, uma proteína desacopladora presente das mitocondrias do músculo. Esta UCP3 utiliza ácidos gordos para dissipar energia como calor, no objectivo de reduzir a lipotoxicidade induzida pelo elevado fluxo destes para a mitocondria. Esta energia perde-se do sistema e não é metabolicamente útil - aumenta o gasto.

Mas se este processo se dá em humanos de forma significativa ainda está para ser provado. E se as dietas cetogénicas actuam nesse sentido igualmente. Mas deixo aqui um desafio a quem segue uma dieta deste tipo. Durante uma semana, meçam a vossa temperatura corporal (subclavicular) basal e pós prandial (após a maior refeição do dia e em intervalos de 30 min). Façam-no com um termómetro de mercúrio. Depois terão de fazer o mesmo mas para uma dieta "tradicional". Alguém aceita o desafio? Eu sou capaz de alinhar...

Se as ideias do Gary Taubes forem para a frente, é sem dúvida de louvar embora os ataques muitas vezes injustos que faz à comunidade científica. Por exemplo, numa carta ao editor da Nature, Taubes diz basicamente que os investigadores se têm preocupado só com a equação energética e não com a regulação hormonal em resposta a uma refeição. Mas onde é que ele tem estado? Mas que raio anda ele a ler? Há montanhas de investigação sobre regulação hormonal... Apenas nenhuma conseguiu provar as suas teorias. Será que a NuSI faz fazê-lo? Estamos cá para ver.

1 comentário:

  1. Bom artigo.

    Quanto ao desafio, mesmo sem medições, avanço já que sinto sempre a minha a aumentar e bastante, então a temperatura enquanto durmo é sempre superior, especialmente quando entro em cetose depois de realizar carbload e respectiva depleção forçada.
    Pelo menos é o que sinto.

    Relativamente ao estudo/experiência, já tinha pensado nisso várias vezes mas efectivamente são necessários alguns meios/recursos para o fazer como deve ser e como profissionalmente nem da área sou, é um hobbie, pior ainda.
    Mas ofereço-me como "cobaia" para um estudo nacional destes obviamente, desde que deixem treinar...haha

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