20 de fevereiro de 2013

A ONU sobre os perigos da exposição aos disruptores endócrinos



Muitos químicos utilizados na fabricação de produtos utilizados no dia-a-dia podem exercer um efeito nefasto no nosso organismo, nomeadamente na desregulação do sistema endócrino. Estes disruptores endócrinos, como por exemplo o bisfenol-A e os ftalatos, estão presentes em plásticos, latas, pesticidas, produtos de limpeza cosméticos, etc. As vias de exposição são todas as possíveis e imaginárias. Não é consensual entre os cientistas se estes químicos podem ou não ter um efeito adverso nas quantidades a que estamos expostos. Muita da investigação é feita em modelos animais ou in vitro, por razões óbvias, e os trabalhos com humanos são maioritariamente observacionais. Numa iniciativa conjunta do Programa Ambiental das Nações Unidas e Organização Mundial de Saúde, foi agora publicado um relatório de consenso que aponta para os perigos da exposição aos disruptores endócrinos, especialmente na infância.


Um problema sério com estes químico é que muitos nem sequer foram devidamente testados. Este relatório das Nações Unidas agora publicado é sem dúvida o mais completo sobre o tema, salientando os riscos de um desenvolvimento normal dos órgãos sexuais masculinos, cancro da mama, cancro da próstata, atrasos no desenvolvimento do sistema nervoso, hiperactividade, deficit de atenção, e problemas na tiróide. Existe também uma associação conhecida entre estes disruptores endócrinos e a obesidade, embora não esteja estabelecida ainda uma relação causal directa.

O estudo faz também algumas sugestões para diminuir a exposição da população a estas substâncias, apontando para a necessidade de mais investigação e regulamentação. Os perigos da exposição podem ser maiores do que se pensa e têm de ser devidamente avaliados. Apenas com uma colaboração activa entre a comunidade científica e política se poderá minimizar e avaliar o verdadeiro risco que estes químicos apresentam para a nossa saúde.

Entretanto cabe-nos também a nós reduzir o contacto com estas substâncias com medidas proactivas. É possível evitar os plásticos, latas e cosméticos fabricados com estas substâncias. Felizmente, a tendência é para uma legislação cada vez mais apertada e muitos destes disruptores endócrinos vão sendo banidos pelas autoridades competentes. O problema é, segundo a ONU, aqueles que ainda nem sequer sabemos o efeito.


Veja também:


Sem comentários:

Enviar um comentário