1 de fevereiro de 2013

Os mitos, presunções e factos na perda de peso



Como bem sabemos, o emagrecimento está envolto em mitos e estratégias que passam de boca em boca, nem sempre com provas científicas da sua eficácia. Não é por isso que devem ser desvalorizadas se pelo menos fizerem algum sentido dentro das evidências que já existem. Ora, uma conceituada equipa no estudo na obesidade escreveu ontem um artigo no New England Journal of Medicine sobre os mitos, presunções e factos na perda de peso. Controverso é certo, mas acho que vos devo passar as conclusões deste trabalho.

Vamos aos mitos (carreguem na tabela para ampliar):


Pequenas alterações na quantidade de energia que ingerimos induz grandes alterações a longo prazo. Este é o mito número um e eu concordo. Se temos muito peso a perder, a alteração não pode, nem deve, ser pequena sob o risco de fracassar. Do meu ponto de vista, às vezes é necessário ser drástico. E como os próprios referem no mito número 3, não existem provas de que uma perda de peso rápida leve a um maior insucesso da intervenção a longo-prazo. Bom, mas para ser honesto, a falta de provas é nos dois sentidos já que não existem estudos a longo-prazo, mais de 2 anos, que avaliem o período pós restrição severa de energia.

Chamo a vossa atenção também para o mito 5: as aulas de educação física, na forma corrente, são importantes para reduzir ou prevenir a obesidade infantil. Bom... Tendo eu passado por elas em Portugal, e desconhecendo a realidade dos EUA, tenho de concordar. Apesar da boa vontade de muitos professores, não creio que estejam a resultar e as estatísticas dizem-nos precisamente isso.

Destaque também para o último mito, para grande pena de alguns: sexo queima entre 100 a 300 kcal. Pelos cálculos dos autores, um acto sexual nem chega às 20 kcal. Mas também quem é que o faz para emagrecer?

E agora as presunções, ainda por provar:



Ter snacks ao longo do dia não engorda? Depende do snack e da frequência obviamente. Isto também nos levaria a um outro ponto que não foi focado no artigo - comer a horas fixas. Há já algum tempo que quero escrever sobre isso. Existem cada vez mais evidências de que o corpo tem um ritmo circadiano adaptável às refeições e que comer sempre às mesmas horas poderá de facto diminuir o risco de obesidade. Isto é pelo menos o que nos dizem alguns estudos em animais interessantíssimos.

E os factos:


Resumindo, apesar de a genética ter um papel relevante, não existe um determinismo hereditário na grande maioria dos casos (como vimos aqui). A dieta e exercício físico são as melhores estratégias para perder peso, embora alguns fármacos possam potenciar o processo. O exercício, apesar de ter um papel mais pequeno na gestão do peso, traz inegáveis benefícios para a saúde. É na infância que os hábitos saudáveis devem ser incutidos pois trata-se de um período de desenvolvimento crítico para o risco de obesidade.

Alguma novidade? Só falta esclarecer que tipo de dieta, que tipo de exercício... Talvez seja aí que reside o problema... Além disso, há alguns pontos neste trabalho que mereciam uma discussão mais a fundo. Convém salientar que a inexistência de provas científicas muitas vezes não significa que sejam estratégias inúteis, mas simplesmente que os estudos são insuficientes. Além disso não esqueçamos que a grande maioria dos trabalhos são feitos no paradigma da dieta ocidental moderna, com tudo o que isso implica (basta olhar à nossa volta).


Sem comentários:

Enviar um comentário