22 de março de 2013

As fórmulas para estimar a Taxa Metabólica de Repouso


É comum utilizarem-se equações de aproximação para estimar a nossa taxa metabólica de repouso (RMR). Muita gente usa esta estratégia para planear uma dieta adequada aos objectivos, sejam eles ganho de massa magra ou perda de gordura. Mas será que esta abordagem é ajustada a todos?


Existem várias equações para estimar a RMR, algumas das quais na tabela seguinte (clique para ampliar):


Não sei porquê mas a de Harris-Benedict continua a ser uma das mais utilizadas em nutrição. Parece que pararam no tempo... Está fórmula data já do início do séc. XX.

Mas será que são boas aproximações do gasto energético diário em repouso? Num estudo publicado recentemente, as equações foram comparadas ao rácio de trocas respiratórias (RER), um método bem mais robusto e com o qual as fórmulas se correlacionam.


Convém sublinhar que a amostra foram mulheres pós-menopausa e que, para sermos rigorosos, as conclusões deste estudo devem-se cingir a este grupo.

Como podemos observar no gráfico, existe uma discrepância significativa entre a taxa metabólica real e a estimada. Erro esse em excesso... As equações sobre-estimam as nossas necessidades energéticas. As piores são a da OMS e de Harris-Benedict, com uma diferença para o real de 29 e 23% respectivamente. A mais precisa foi a de Mifflin, que também é a mais recente entre as estudadas. Ninguém ia publicar uma que fosse pior do que as antecedentes... Senso comum.

Qual o significado disto? Simples. Se uma mulher pós-menopausa vem ter comigo para perder peso e eu calculo a RMR através da equação de Harris-Benedict estou a incorrer num erro grosseiro. E se o fizer com a da OMS ainda pior. Por exemplo, se lhe der um déficit calórico de 20% arrisco-me a que mesmo assim ela esteja a comer mais do que deve para perder peso.

Eu pessoalmente prefiro uma fórmula que não está representada neste estudo: a de Katch-McArdle. Ela tem em consideração a massa magra, onde reside a maior diferença no metabolismo basal entre indivíduos. No entanto, deve ser utilizada com cautela se os métodos de avaliação da composição corporal não forem precisos. Confio muito pouco na bioimpedância (depende do aparelho). Prefiro uma avaliação por pregas feita por alguém experiente ou, idealmente, um DEXA. Hoje já é possível fazê-lo a preços acessíveis.

Não sendo possível optaria sempre por uma boa avaliação da dieta precedente. Se o peso estiver estabilizado, aumenta-se para ganhar peso ou reduz-se para o perder. Claro que não é assim tão linear e são necessários ajustes macronutricionais igualmente importantes.

Portanto, cuidado quando utilizam estas fórmulas rígidas na prática clínica ou simplesmente quando estruturam um regime alimentar para vós próprios. Podem estar a cometer um erro grosseiro...

10 comentários:

  1. Sérgio, sabe-me indicar um sitio na zona de Lisboa para fazer um DEXA?

    Obrigado!

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    1. Radiomédica, próximo do Marquês de Pombal.

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    2. Muitíssimo obrigado!

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  2. Qual é o artigo, citado por você no texto, que avaliou a validade dessas equações?

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    1. O link está no artigo...

      http://link.springer.com/article/10.1007%2Fs12603-012-0395-3

      Cumps

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  3. E a equação de Cunningham?

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    1. Melhor do que qualquer uma delas, mas também não foi avaliada neste estudo em particular

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  4. Não considerando este estudo em particular, poderemos considerar a Mifflin como a mais adequada para uma população pouco ativa (leia-se sem grande massa magra) e Cunningham ou Katch-Mcardle para uma população mais ativa?

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    1. Podemos considerar isso sim, desde que exista uma avaliação fidedigna da composição corporal que permita inferir sobre a FFM

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  5. E já sabemos que o Sérgio não é fã da bioimpedância... Como não tenho outra possibilidade (pregas, DEXA), para a formula de Cunningham, utilizo mesmo os dados recolhidos atraves da tanita BC 601 (das tertra polares acho que é das melhores).

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