2 de março de 2013

Os alimentos orgânicos e os disruptores endócrinos



A exposição a disruptores endócrinos é um problema para o qual estamos cada vez mais alerta. Para minimizar o contacto com estes químicos, muitas pessoas evitam os recipientes de plástico e optam por alimentos ou cosméticos orgânicos e naturais. Será suficiente? 


Uma equipa de investigadores divulgou recentemente os resultados de uma experiência com 10 famílias, às quais tinham sido dadas instruções sobre como reduzir a exposição a compostos como o BPA e ftalatos. Além disso, as famílias apenas consumiram produtos orgânicos e frescos provenientes do mercado local e sem contacto com plásticos. Para surpresa, a concentração de ftalatos na urina aumentou e era 100 vezes superior à média estimada para a população. Quando testaram a concentração nos alimentos consumidos, verificaram que os lacticínios, especiarias e os coentros apresentavam concentrações bastante elevadas destes químicos. As crianças em particular estiveram bastante expostas, com ingestão estimada de 183 mg/Kg/dia, bem acima dos 20 mg considerados seguros. 

Os produtos frescos "orgânicos" no mercado local têm muito que se lhe diga, uma questão que discuti recentemente com um amigo Eng. Agrónomo (pode ser que ele esteja a ler e comente). Não há garantias que os produtores respeitem as normas de segurança se não há controlo, talvez muitas vezes sem má fé mas apenas ignorância. Os pesticidas e outros químicos estão disponíveis para todos de forma livre e podem ser usados consoante a consciência de cada um.

Claro que estamos a falar de uma amostra muito específica e restrita. Não podemos generalizar de forma alguma os resultados deste estudo. De qualquer forma fica o alerta. Os alimentos do quintal do amigo podem não ser os mais seguros...

4 comentários:

  1. Sinceramente já desconfiava do exposto, vivo numa zona rural e sei bem a inconsciência q existe em torno da utilização de pesticidas e afins na hortinha onde supostamente é td natural! Termos como é só uma calda, é só um pozinho tentam amenizar produtos perigosos e na maior parte colocados sem a mínima noção das quantidades adequadas! :(

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  2. Boa noite! É exactamente deste tipo de situações que estivemos a falar. A designação de orgânico, ou natural, ou o quer que seja, por si só não garante uma melhor qualidade dos produtos. Tudo depende da forma como são produzidos. E ai, como em todas as áreas, há bons e maus profissionais. No entanto, todos produtores que têm algum tipo de certificação de qualidade (existem vários tipos de certificação, correspondendo também a diferentes níveis de exigências impostas pelos clientes) estão sujeitos a uma série de regras, práticas culturais e códigos de conduta que, sendo respeitadas, garantem que se estão a colocar no circuito comercial produtos com uma elevada qualidade e segurança alimentar. E de forma sustentável, principalmente a nível ambiental.

    A Agricultura que se faz hoje em dia sofreu uma grande evolução em relação ao passado recente, e, praticada por quem sabe, incorpora uma componente cientifica cada vez maior, em detrimento da componente empírica. Como curiosidade, e porque estamos num blog que fala de nutrição, tal como é normal um nutricionista basear o seu trabalho em análises clinicas, também é usual um Agricultor mandar fazer análises à seiva de uma planta para avaliar o estado nutricional da sua cultura, e em função dos resultados, elaborar o plano nutricional para a mesma, corrigindo alguns desequilíbrios que possam existir.

    Aproveito para reforçar a mensagem que deixas em relação aos mercados locais, pois ai vendem-se muitas vezes alimentos produzidos sem qualquer tipo de regras e que não são sujeitos a nenhum tipo de controlo de qualidade (analises de resíduos, etc.) como acontece quando falamos de produção certificada. Não quero dizer com isto que não se deva comprar nestes locais, mas, ou se conhece bem e confia no produtor em causa, ou é um tiro no escuro, que pode correr bem, mas também pode correr mal, como no caso desta experiencia que o Sérgio divulgou.
    Um exemplo prático destas situações é o “bicho” da fruta. Quando alguns vendedores publicitam a sua fruta como sendo 100% natural, e a prova é que até tem “bicho”, desconfiem. Podem não estar perante um produto obtido sem a utilização de pesticidas (como à partida poderia parecer), mas perante um fenómeno de resistência desenvolvido pelo dito “bicho”, que perante a utilização exagerada e desadequada de pesticidas se tornou resistente aos mesmos. E isto acontece muitas vezes (na maioria dos casos, arrisco-me a dizer) pela ignorância que referes.
    Só mais uma coisa. Atenção ao princípio “o que é natural é bom”. Não esquecer que alguns dos venenos mais potentes que são conhecidos são 100% naturais.

    Um abraço,

    Francisco

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  3. "monsanto" + business + falta de ética = produtos organicamente maus

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