4 de abril de 2013

Derivado dos ómega-3 revela-se promissor no tratamento do cancro


Uma das muitas prováveis aplicações terapêuticas dos ómega-3 é também o cancro. O EPA e DHA têm-se mostrado benéficos em vários aspectos da doença e inibindo a progressão do tumor. Um estudo bem fresquinho da UC Davis mostra agora o seu efeito anti-angiogénico em ratos, ou seja, inibidor da formação de novos vasos sanguíneos que alimentam o tumor. Os anti-angiogénicos têm sido usados como terapêutica em alguns cancros, no sentido de o "matar à fome". Zhang e colaboradores mostram agora que um derivado do DHA produzido no organismo, o ácido epoxi-docosapentaenóico (EDP), tem um efeito bloqueante da angiogénese por inibição do VEGF, o factor de crescimento responsável pela neo-vascularização. Além disso, a mesma equipa demonstrou que um derivado do ácido araquinóico (um ómega-6), o ácido epoxi-eicosatrienóico (ETT), tem um efeito contrário, estimulando a angiogénese e progressão do tumor.

Uma das possíveis vantagens da utilização de EDP como terapêutica comparativamente aos bloqueadores de VEGF convencionais é que não deverá causar hipertensão, um efeito secundário comum a estas drogas. Além disso, a administração conjunta de inibidores da hidrolase de epóxidos solúvel (sEHI) ajuda a estabilizar o EDP e a potenciar a sua acção. Parece existir um efeito sinérgico entre as duas estratégias terapêuticas.

E relativamente à dieta, a ideia parece agora óbvia. Será positivo adoptar uma alimentação mais rica em ómega-3 e pobre em ómega-6, longe da dieta Ocidental moderna. Quem acompanha o blogue sabe precisamente do que falo e que as implicações deste rácio vão muito além do cancro como aqui evidenciado. Os próprios autores do estudo salientam esse aspecto como importante adjuvante à terapia convencional.

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