31 de maio de 2013

A carne vermelha, a carnitina, e o risco cardiovascular


O mês passado foi publicado um trabalho na Nature Medicine que fez manchete na imprensa internacional e nacional, como é exemplo o artigo no Público "Componente na carne vermelha associado à aterosclerose". Muitas foram as pessoas que me chamaram a atenção para ele, algumas preocupadas obviamente com a sua saúde, outras com aquele risinho irritante na cara de quem pensa: “já te lixaste com a carne vermelha... eu avisei-te!”. O trabalho que falo, intitulado “Intestinal microbiota metabolism of L-carnitine, a nutrient in red meat, promotes atherosclerosis”, tenta associar à força toda o consumo de carne vermelha com as doenças cardiovasculares, em particular à aterosclerose. Por falta de tempo foi impossível escrever uma crítica elaborada sobre este miserável exemplo de lixo científico, uma falha que quero agora corrigir. E não... Não me lixei com a carne vermelha.

30 de maio de 2013

Os ftalatos aumentam o risco de hipertensão em crianças


Cada vês mais vamos estando alerta para os perigos dos xenobióticos, e os ftalatos são possivelmente a classe mais falada, no mau sentido. Eles estão presentes nos plásticos, embalagens de alimentos, cosméticos, e no nosso corpo. As consequências vão sendo conhecidas aos poucos, existindo já indícios de que possam comprometer a saúde cardiovascular, nomeadamente a função das nossas artérias. As crianças são um grupo particularmente susceptível aos ftalatos, em especial num quadro de obesidade propício a bioacumulação e maior exposição. Num artigo publicado a semana passada, uma equipa de investigadores relaciona pela primeira vez os níveis de ftalatos urinários e a pressão arterial em crianças. Quanto maior a exposição a estes químicos, maior o risco de hipertensão, cada vez mais comum em crianças com excesso de peso. Na verdade, este aumento da pressão arterial foi bastante modesto mas significativo.

29 de maio de 2013

A Coenzima Q10 reduz a mortalidade em pacientes com insuficiência cardíaca


Este ano, o meeting sobre insuficiência cardíaca da European Society of Cardiology teve lugar Lisboa. Estes eventos são sempre locais muito interessantes de divulgação científica. De acordo com uma equipa de investigadores Dinamarqueses, os suplementos de Coenzima Q10 podem reduzir a mortalidade por quase metade em pacientes com insuficiência cardíaca. Um resultado impressionante para um produto não-farmacêutico, e comparável ao atingido pelos inibidores da ACE e beta-bloqueantes.

28 de maio de 2013

Os refrigerantes açucarados aumentam o risco de pedra nos rins


Fala-se muito dos míticos problemas renais associados ao consumo de proteína acima da miserável recomendação, mas poucas vezes ouvimos que o açúcar, e os refrigerantes em particular, aumenta consideravelmente o risco de pedra nos rins. Um estudo prospectivo publicado no Clinical Journal of the American Society of Nephrology veio agora reforçar essa associação, mostrando que as pessoas que bebem apenas uma refrigerante açucarado por dia têm 23% maior risco de desenvolver pedra nos rins, comparativamente àqueles que apenas consomem uma vez por semana. O consumo de café, chá, cerveja, vinho e sumo de laranja revelou-se associado a um menor risco.

27 de maio de 2013

As estatinas e a diabetes


Eu sei que estou sempre a bater nas estatinas, mas é mais forte do que eu. Os efeitos secundários destes fármacos para o colesterol são reconhecidos e devem ser sempre considerados quando se inicia a terapia. O declínio da função neuromuscular é um deles, mas também a diabetes. Uma meta-análise de 2010 publicada no Lancet verificou um aumento em 9% do risco de diabetes com estatinas, um efeito ligeiro e comportável, segundo alguns, pesando com a protecção que confere a eventos cardiovasculares, mesmo em diabéticos. Lembre-mo-nos que estas drogas actual também como anti-inflamatórios, e que a doença cardiovascular é acima de tudo uma doença inflamatória.

Um estudo agora publicado vem reforçar os resultados da mencionada meta-análise. Em retrospecção, a terapia com estatinas aumentou a prevalência de diabetes, especialmente com as drogas mais fortes e mais usadas - simvastatina e atorvastatina. Este efeito foi ainda mais acentuado com o avançar da idade, e independente da ocorrência de um evento cardiovascular.

Ómega-3, stress, e função cardiovascular


Os efeitos cardio-protectores dos ómega-3 são reconhecidos, embora talvez não tão bem caracterizados como gostaríamos. O EPA e DHA têm uma potente acção anti-inflamatória, anti-agregante, anti-hipertensora, estimulam a adiponectina e actuam reduzindo os níveis de triglicéridos. Todos estes efeitos serão benéficos para a saúde cardiovascular.

Sabe-se que o stress mental provoca alterações fisiológicas com implicações na função cardiovascular potencialmente deletérias, como aumento da pressão arterial e ritmo cardiaco, em grande parte devido a um disparo da actividade simpatética controlada a nível neuronal. Uma equipa Norte-Americana mostrou que os ómega-3 podem desempenhar um papel importante na regulação da actividade neuronal que controla a função cardiovascular em resposta ao stress. A toma de 9g/d de óleo de peixe durante 8 semanas, comparado ao azeite, atenuou o aumento do ritmo cardíaco e actividade simpatética face a uma situação de stress mental - um teste aritmético... o que poderá ser mais stressante que isso? :P

24 de maio de 2013

A apigenina e o cancro


São vários os fitonutrientes com influência no desenvolvimento e progressão do cancro. Compostos como a curcumina, quercetina, 6-gingerol, resveratrol, catequinas são conhecidos pelo seu potencial efeito anti-carcinogénico, restaurando o normal funcionamento das células e devolvendo-lhes a capacidade de "suicídio" quando algo corre mal. Mas à excepção da curcumina, alguns destes fitoquímicos estão ainda pouco estudados fora das caixas de petri. Outros estão apenas associados ao cancro em estudos epidemiológicos, como o valor que isso tem (quase nulo...).

Um composto que podemos adicionar à extensa lista é a apigenina, presente na salsa, aipo, e camomila, por exemplo. De acordo com investigadores da Universidade de Ohio, a apigenina parece normalizar o splicing do mRNA, um processo que está alterado em grande parte das células cancerosas (da mama por exemplo). O restauro da "mecânica celular" poderá devolver a capacidade de se auto-destruir antes da progressão para cancro.

Aulas de Educação Física têm impacto na obesidade infantil


Tendo passado pelo ensino elementar há relativamente pouco tempo, a ideia que eu tenho é que não se dá a devida importância às aulas de Educação Física. E muitas vezes isto é da responsabilidade tanto de professores como dos pais. Mas a verdade é que pouco se sabe acerca do papel que essas aulas têm para a criança, em particular na gestão do seu peso. Um estudo recente da Universidade de Cornell revela que aumentar o tempo que as crianças dedicam à Educação Física reduz a probabilidade de ser obeso. Estudando o tempo que os Estados Norte-Americanos mandatam para a actividade física, verificou-se que por cada 60 min adicionais a probabilidade de obesidade era reduzida em 4,8%, particularmente nos rapazes.

23 de maio de 2013

"Nutrigenética e Nutrigenómica: O Futuro da Nutrição" - 28, 29 e 30 de Junho, no Porto


Já tinha anunciado este curso mas cá vai novamente, agora com mais informação. No próximos dias 28, 29 e 30 de Junho, a Nutriscience vai organizar no Porto o curso "Nutrigenética e Nutrigenómica: O Futuro da Nutrição". O formador é o Professor Doutor Marcelo Rogero da Universidade de São Paulo, um especialista reconhecido internacionalmente na área. Meu amigo e um cientista fora de série, o Marcelo Rogero é também provavelmente um dos melhores professores que conheço. Recomendo vivamente a todos os nutricionistas, médicos, e profissionais na área da saúde que se interessem pelo tema. Garanto que vai valer a pena. Para mim será a 2ª vez que assisto a este mesmo curso, e provavelmente não a última :).

Mais informações e inscrições aqui.

Os ómega-3 e a adiponectina - implicações na diabetes e obesidade


Os suplementos de óleo de peixe, conhecidos pelo ser teor em ómega-3 (EPA e DHA), são reconhecidamente úteis na regulação da saúde metabólica, em especial no contexto de uma dieta altamente polarizada para o consumo de óleos vegetais. Embora a sua "fama" se deva à sua acção a nível cardiovascular, doenças como a diabetes ou mesmo a obesidade podem beneficiar de um maior consumo de ómega-3. E um dos potenciais intermediários aqui será a adiponectina.

22 de maio de 2013

As tabelas nutricionais e o valor real dos alimentos


Quando nós queremos fazer cálculos de balanço energético assumimos simplesmente que o valor calórico dos alimentos que vem listado na tabela é de facto a energia que absorvemos. Por outras palavras, partimos do princípio de que tudo o que comemos é absorvido e disponibiliza energia para os processos biológicos. Este conceito vem de um estudo nos anos 70 onde se verificou que cerca de 95% do que ingeríamos era de facto absorvido. O valor calórico dos alimentos é estimado através da sua combustão completa em condições experimentais controladas. Mas seremos nós tão eficientes como um calorímetro de bomba em usar energia?

21 de maio de 2013

A mais recente classe de drogas no tratamento da diabetes


O controlo farmacológico da diabetes conta agora com uma nova classe de drogas, os análogos de GLP-1. A GLP-1 é uma hormona intestinal com efeitos metabólicos bastante interessantes do ponto de vista clínico. Ela estimula a secreção de insulina, aumenta a sensibilidade à insulina, reduz o apetite, entre outras acções fisiológicas de relevo. A utilização destes análogos sintéticos é ainda recente e os seus efeitos são mal conhecidos a longo prazo. Uma meta-análise aos ensaios clínicos com estes fármacos no tratamento da diabetes, apresentada recentemente no meeting anual da American Society of Hypertension, revela uma redução significativa da pressão arterial, peso corporal, e uma redução da HbA1c em 0,41.

Os análogos de GLP-1 não são a primeira abordagem no controlo da diabetes. No entanto, os resultados bastante positivos que têm sido obtidos sugerem que possam vir a ser uma arma terapêutica de sucesso. Há uns tempos falei-vos da acção destes fármacos a nível da perda de peso. É pertinente recordar agora o artigo, bem mais detalhado: "O Victoza (liraglutide) para emagrecer"

A obesidade está associada a uma disfunção das artérias a partir dos 50 anos


A "rigidez" dos vasos sanguíneos é um factor de risco cardiovascular de grande importância, especialmente com o avançar da idade. Este fenómeno está relacionado com vários factores que causam uma disfunção na parede dos vasos, como exposição continuada a glicémia elevada e inflamação crónica. E a obesidade está relacionada com ambos. Um estudo agora publicado na revista Hypertension mostra que a % de gordura corporal está associada positivamente com a rigidez das artérias. No entanto, esta relação apenas se verifica a partir dos 50 anos de idade.

20 de maio de 2013

As emissões automóveis comprometem a função das HDL


As lipoproteínas HDL são geralmente assumidas como protectoras porque fazem o transporte reverso do colesterol para eliminação. Mas na verdade, o papel das HDL é bem mais complexo do que isso e entre as suas acções está também uma função anti-oxidante de relevo. Esta função nem sempre é preservada e alguns tipos de HDL são ineficientes em atenuar o stress oxidativo. As HDL tipo 3, mais pequenas, são assumidas como protectoras precisamente pela sua maior capacidade em inibir a oxidação das LDL e desta forma reduzir o risco aterogénico. Assim sendo, e tal como acontece para as LDL, não só o total de HDL é importante como também a sua funcionalidade. E que factores podem comprometer a função antioxidante das HDL? Segundo equipas da Universidade da Califórnia, as emissões dos automóveis são um deles.

17 de maio de 2013

O exercício físico e o impacto socioeconómico da doença


Porque devem os nossos séniores fazer exercício? Porque devem ser implementadas políticas de promoção da actividade física na 3ª idade? Primeiro faz-lhes bem à saúde, segundo faz-nos bem à carteira... A todos. Pelo menos é o que nos diz um estudo publicado há dias no PLoS sobre o impacto económico dos programas de exercício cardiorespiratório e de musculação em idosos com deficit cognitivo e sinais de Alzheimer. A prática de actividade física estruturada deste tipo reduziu a necessidade de cuidados de saúde, idas ao médico, e exames de diagnóstico complementares.

16 de maio de 2013

Crossgen Beef Protein - participa e ganha uma!


Os suplementos de proteína hidrolisada de carne andam aí e estão na moda como alternativas ao soro de leite. Algumas pessoas, influenciadas ou não pelo "movimento paleo", têm optado por estes novos produtos para evitar o consumo de derivados do leite. A verdade é que não existem estudos comparativos entre os hidrolisados de carne e a whey que possam atestar qual delas é superior em termos de potenciação das adaptações ao treino. Acredito que sejam bastante idênticas. Ambas são ricas em aminoácidos essenciais e leucina (BCAAs em geral). A hidrólise parcial aumenta a velocidade de absorção da proteína de carne, provavelmente até mais rápida que os concentrados de soro de leite. Tal como nestes últimos, os hidrolisados de proteína de carne também parecem conter péptidos bioactivos inibidores da ACE. O teor em creatina também é obviamente superior nas proteínas de carne. Não contém lactose, pelo que é bem tolerada a nível gastrointestinal pela maioria das pessoas. Conseguiremos encontrar sempre argumentos contra ou a favor consoante as nossas crenças. O que ainda não conseguimos encontrar são estudos comparativos.

Ofereceram-me recentemente uma embalagem de Crossgen Beef Protein. A Crossgen é uma marca recente no mercado, mais virada para o Crossfit e filosofia que o caracteriza - intimamente ligado à Paleo, onde os derivados do leite não têm lugar. É sem dúvida um produto interessante em vários aspectos. O teor proteíco total (81%) não difere da maioria dos concentrados de soro de leite, tal como a quantidade de hidratos de carbono (8%, não de lactose claro) e gordura (4%). A nível de micronutrientes poderá ser um pouco mais rica, mas pobre daquele que estiver a contar com estes suplementos para o seu aporte de vitaminas e minerais. Então o que torna este produto diferente?

As estatinas e o condicionamento físico


As estatinas, fármacos que reduzem o colesterol, são das drogas mais prescritas em todo o Mundo. Isto mesmo com as evidências crescentes de que podem não ser adequadas para toda a gente, se é que o são para alguém. São conhecidos os seus efeitos degenerativos no sistema nervoso e músculo, por exemplo. E se as estatinas influenciam negativamente o sistema músculo-esquelético, qual o seu impacto a nível do condicionamente físico? Uma equipa da Universidade de Missouri tratou de responder a esta questão num artigo publicado recentemente no Journal of the American College of Cardiology.

15 de maio de 2013

Ómega-3 para perda de gordura


Existem dezenas de produtos para perda de peso no mercado, mas os mais eficazes nem sequer são vendidos como tal. A obesidade é uma "disfunção" de génese multifactorial, mas as suas implicações ramificam-se também a vários sistemas do organismo. E um aspecto central que relaciona tudo isto poderá ser a inflamação. A inflamação causa obesidade ou é uma consequência do excesso de gordura? Provavelmente as duas coisas. Assim sendo, nutrientes de acção anti-inflamatória poderiam facilitar o processo de perda de peso e restaurar funções metabólicas comprometidas no estado obeso. E um dos mais poderosos são os ómega-3 de origem animal, o EPA e o DHA. Será que uma gordura pode facilitar a perda de gordura? É bem provável que assim seja.

14 de maio de 2013

Bactéria pode proteger da obesidade e diabetes


Já que estamos numa de microbiota hoje (leiam aqui o outro artigo do dia), aqui vai mais um. O intestino de ratos e humanos obesos ou com diabetes tipo 2 é caracterizado por menores níveis de uma bactéria, a Akkermansia muciniphila, comparativamente a organismos saudáveis (onde constitui cerca de 3-5%). A "dieta obesogénica" parece levar a uma diminuição desta A. muciniphila, que pode ser restaurada com probióticos e prebióticos. As implicações da restauro da microbiota a este nível foram dramáticos em ratinhos. Comparando com animais não-tratados, verificou.se uma maior perda de peso, melhor composição corporal e menos resistência à insulina. O retorno a níveis normais de A. muciniphila aumentou os endocanabinóides intestinais, moléculas importantes na homeostase energética e imunitária.

Esta bactéria também parece afectar a produção de substância anti-microbianas e aumentar a produção de muco. Na verdade, a A. muciniphila digere a mucina produzida pelas células intestinais, estimulando mais secreção e uma camada mais espessa. Desta forma, a bactéria parece proteger a barreira intestinal e exercer um efeito regulador na microbiota, tudo em troca de alimento. A equipa está excitada relativamente aos resultados e pronta para estudar o significado terapêutico do restauro da microbiota em humanos.

Diferenças entre sexos na flora intestinal - testosterona e auto-imunidade


Nós somos um micróbio gigante. Alguém me disse isto uma vez mas já não me lembro quem. Cerca de 95% das células no nosso corpo são bactérias, representando mais de 2 Kg do peso. Elas não estão lá por acaso e a sua interacção com o hospedeiro é hoje alvo de grande interesse por parte da comunidade científica, em aspectos múltiplos como, por exemplo, obesidade e  doenças autoimunes. A diabetes tipo 1 enquadra-se neste último grupo e um trabalho recente publicado na Science veio ajudar na compreensão do processo.

13 de maio de 2013

Final de mais um curso Nutriscience... Obrigado Gabriel de Carvalho!


Este fim-de-semana teve lugar o último módulo da primeira edição do curso de Nutrição Clínica da Nutriscience. E que módulo! O Gabriel de Carvalho, meu amigo e reputado nutricionista Brasileiro, veio falar-nos de diagnóstico clínico funcional e interpretação de análises bioquímicas. No fundo, integrar todos os conhecimentos adquiridos no curso e munir os profissionais de ferramentas que permitam utiliza-los na sua prática clínica como meio de diagnóstico e tratamento. Da quase meia centena de participantes, não acredito que alguém tenha ficado insatisfeito. Foram 30 h com conteúdos de excelência, com um profissional e comunicador fora de série.

A poluição aumenta a resistência à insulina em crianças


Os elevados níveis de poluição que observamos nos dias de hoje têm consequências a nível da saúde e qualidade de vida. Doenças cardiovasculares e stress oxidativo são apenas dois exemplos de um leque vasto, e do qual ainda só levantámos a pontinha o véu. Outro parece ser a resistência à insulina em crianças segundo um estudo prospectivo publicado recentemente por uma equipa Alemã. Um grupo de crianças foi acompanhado durante 10 anos, avaliando-se a associação entre os níveis de poluição ao nascimento e indicadores da sensibilidade à insulina (HOMA-IR). Os resultados mostram que as crianças com maior exposição a poluentes, tanto dióxido de azoto como partículas, eram mais resistentes à insulina, um factor de risco bem caracterizado para diabetes e obesidade.A proximidade a uma estrada primária aumentou o risco em 7% por cada 500 m.

12 de maio de 2013

As estatinas provocam deformações nos neurónios com implicações neuro-cognitivas


A fobia do colesterol foi uma oportunidade para o desenvolvimento de drogas como as estatinas. Ou foi o desenvolvimento de drogas como as estatinas que originou a fobia do colesterol? Bom... Agora isso não interessa. O importante é que estas drogas têm efeitos secundários sérios em algumas pessoas, como dores musculares, "confusão", e perda de memória. Enquanto que o primeiro estará muito provavelmente relacionado com a inibição da síntese de coenzima Q10, a neurodegeneração e sintomas cognitivos não estão tão bem caracterizados. Mas uma equipa de investigadores Norte-Americana publicou agora resultados interessantíssimos sobre os efeitos das estatinas na morfologia dos neurónios. Ao que parece, as estatinas provocam deformações nos axónios, uma espécie de inchaço tipo colar de pérolas. Segundo os autores, estas bolsas ainda não caracterizadas deverão provocar uma interrupção na transmissão de sinais nervosos nos neurónios, explicando assim os sintomas neuro-cognitivos associados à terapia com estatinas.


9 de maio de 2013

Entrevista a Uffe Ravnskov na Activa


O médico dinamarquês Uffe Ravnskov deu recentemente uma entrevista que vos quero deixar aqui. Há uns tempos falei-vos nele quando recomendei a leitura de um dos seus livros, o "The Cholesterol Myths". O tema da entrevista é precisamente esse...

Mulheres Americanas seguem dietas hiperproteicas com sucesso na gestão do peso


Low-carb, low-fat... Uma guerra sem fim à vista. A verdade é que as intervenções de carácter científico têm mostrado uma coisa: ambas as estratégias são ineficazes na perda e manutenção do peso a longo prazo. A minha posição em relação a isto é clara. Não existem dietas universais e muito provavelmente estamos focados nos dois macronutrientes que menos interessam para o caso. O foco deveria ser colocado na proteína.

8 de maio de 2013

Inter-conversão do tecido adiposo branco e castanho


O desenvolvimento de novas terapias no combate à obesidade é uma área de investigação muito apetecível. E um dos aspectos mais estudados actualmente é sem dúvida a transdiferenciação do tecido adiposo branco em castanho. O tecido adiposo castanho (BAT) difere substancialmente do branco em vários aspectos metabólicos e histológicos. As reservas de gordura são multiloculares e apresenta um número muito elevado de mitocondrias produtoras de energia. Estas mitocondrias contêm uma proteína específica, a termogenina ou UCP1, que gera calor por desacoplamento dos processos normais de produção de ATP. A energia é dissipada, aumentando consideravelmente o gasto energético.

7 de maio de 2013

O cortisol e a gordura abdominal - como avaliar?


O cortisol, a hormona do stress, tem sido associado a maiores % de gordura, particularmente abdominal, e menor massa magra total. Embora se trate de uma hormona catabólica por excelência, o cortisol activa vários mecanismos que levam ao ganho de peso a longo-prazo: aumento da actividade da LPL (lipoproteína lipase) e genes lipogénicos, resistência à insulina, fome, entre outros. Tendo em consideração que o stress crónico é um problema disseminado na sociedade moderna, a gestão dos níveis de cortisol é muitas vezes crítica num programa eficaz de perda de peso. Mas apesar de existirem sinais indirectos de exposição excessiva à hormona, qualquer terapia deverá ter por base uma avaliação laboratorial dos seus níveis. A questão que se coloca é: como avaliar?

Cursos no Norte para o mês de Maio


Nos próximos dias 18 e 19 de Maio estarei na Trofa para a edição Norte do curso de Nutrição no Exercício Físico e Desporto. Dois módulos creditados de 8 h: "Introdução à Nutrição e Nutrição", "Força e Composição Corporal". O curso conta ainda com mais dois módulos em Junho com o Pedro Bastos e Miguel Casimiro. Mais informações e inscrições aqui

O local do curso será o ginásio Aquaplace, na Trofa. Morada: Rua António Sá Couto de Araújo, 4785-909 Trofa.

No dia 1 de Junho também andarei pelo Norte com uma aula na Expo Cycling & Fitness, em Vila do Conde.


6 de maio de 2013

Dietas restritivas aumentam o "valor de recompensa" dos alimentos


Quando falamos em dietas de restrição calórica para redução e manutenção do peso a longo prazo os estudos são claros: a eficácia é limitada, sejam elas low-carb ou low-fat. Independentemente das nossas crenças, isto é o que a ciência nos diz. Muitas razões têm sido apontadas, como a redução dos níveis de leptina em dieta, a redução da taxa metabólica, ou a simples falta de adesão. Segundo novos dados, poderá haver um mecanismo adicional - o aumento da "recompensa" e prazer associado a alimentos com maior palatibilidade. A restrição energética e privação de refeições parece aumentar o valor de recompensa destes alimentos. Segundo os investigadores, "estes resultados são únicos no sentido em que são os primeiros a sugerir que a restrição calórica aumenta o grau de activação de regiões cerebrais implicadas na avaliação da recompensa e atenção. As implicações são claras. Se as pessoas querem perder peso, será mais efectivo consumir alimentos saudáveis durante refeições regulares do que optar por longos períodos sem comer".

A biologia da compulsão alimentar - diferenças entre sexos


É conhecido que as mulheres são mais susceptíveis aos distúrbios alimentares, entre os quais a bulimia, marcada por episódios de ingestão compulsiva acompanhados de comportamentos compensatórios como a indução do vómito. A maior incidência nas mulheres tem sido sempre associada a pressões sociais e psicológicas artificiais. Mas um estudo agora publicado sugere que a biologia também terá uma palavra a dizer. Estas diferenças entre sexos existem também em ratinhos, não sujeitos às pressões psicosociais que afectam os humanos. Num trabalho pioneiro publicado no International Journal of Eating Disorders, Kelly Klump e a sua equipa verificaram que os episódios de binge eram até 6 vezes mais frequentes nas fêmeas quando a ração habitual era substituída por um gelado de baunilha. Existiram provavelmente mecanismos de "recompensa" associados mas que não foram explorados neste estudo. A biologia parece ter um papel importante nas diferenças entre sexos no comportamento alimentar, algo reconhecido e observado, mas que só agora começa a ser estudado. Se os processos forem compreendidos será possível desenvolver novas estratégias de tratamento mais eficazes.

5 de maio de 2013

Mais sobre a Vitamina D (Parte 2)


Como a vitamina D está na moda, e em parte por motivos justificados, aqui vai mais um artigo dedicado a ela. São vários os tipos celulares com receptores de vitamina D, os VDR. Os efeitos metabólicos da vitamina D, mais propriamente do calcitriol, são generalizados a nível sistémico embora poucos sejam os casos em que se conhece o mecanismo molecular subjacente. Os VDR actuam sobre o genoma e podem influenciar a expressão de vários genes relacionados com a imunidade, cancro e metabolismo, tudo aspectos já associados de alguma forma à vitamina D. Uma equipa de investigadores liderada, mais um vez, pelo Doutor Michael Hollick verificou que a suplementação com vitamina D3 (colecalciferol) promove uma alteração na expressão de mais de 60 genes, implicados em quase 200 vias relacionadas com o cancro, autoimunidade e doença cardiovascular.

3 de maio de 2013

Mais notícias da Vitamina D...


Hoje sem muito tempo para escrever, quero apenas dar-vos conta de dois estudos muito recentes sobre a vitamina D. Segundo parece, baixos níveis de vitamina D estão associados a um maior risco de pneumonia, pelo menos na Finlândia. Num outro estudo, uma equipa Canadiana estabelece que 400 IU de vitamina D são suficientes nos bebés com menos de um ano para tirar partido de todos os benefícios da suplementação.

2 de maio de 2013

Seminários na Expo Fitness & Cycling - 1 de Junho, em Vila do Conde


Nos próximos 2 meses vou andar um pouco pelo Norte em formações e workshops. Um deles será no dia 1 de Junho, em Vila do Conde. O evento enquadra-se na Expo Fitness & Cycling, uma edição pioneira que contará um vários workshops temáticos. Os meus serão obviamente dedicados à nutrição para hipertrofia e perda de gordura. Um aspecto a destacar é que o meu amigo José Vilaça da UTAD irá falar da componente treino. Será portanto uma abordagem global ao processo de hipertrofia e emagrecimento.

Para mais informações, contactar a organização através do e-mail info@school-eventos.com


Os estrogénios nos homens e o risco cardiovascular


A obesidade nos homens é muitas vezes caracterizada por uma alteração na relação testosterona/estradiol. A enzima aromatase é responsável pela conversão da testosterona em estradiol, estando mais activa em indivíduos obesos. Na verdade, o tecido adiposo tem uma actividade bastante elevada desta enzima. Para além das consequências imediatas a nível de fertilidade, esta alteração nos padrões hormonais naturais dos homens pode ter implicações a nível de outros sistemas, nomeadamente a função cardíaca.

1 de maio de 2013

Uma hormona recém descoberta pode revolucionar o tratamento da diabetes


Uma hormona recém descoberta por uma equipa do Instituto de Células Estaminais da Universidade de Harvard está a causar alvoroço entre a comunidade científica e, em particular, a indústria farmacêutica. A betatrofina parece capaz de estimular a proliferação e diferenciação de novas células beta no pâncreas em cerca de 30 vezes a taxa normal. As implicações são claras no tratamento da diabetes, uma doença associada à falência das células beta. Aumentando o seu número com a betatrofina seria possível restaurar a função do pâncreas e conseguir normalizar a secreção de insulina. Segundo os investigadores, em vez de injecções diárias de insulina poderíamos passar a aplicações semanais, mensais ou até anuais de betatrofina.

Claro que se tratam ainda de resultados muito preliminares mas que estão a ser alvo de grande interesse por parte dos gigantes farmacêuticos, nomeadamente a Johnson & Johnson. De acordo com Douglas Melton, responsável pela investigação em Harvard, é possível termos ensaios clínicos em pessoas em menos de 5 anos. Até lá muita pesquisa terá de ser feita... O potencial existe, e o dinheiro agora também.

O amido resistente nos alimentos


O amido presente nos alimentos não é funcionalmente todo igual. Para além das diferenças a nível da proporção de amilose e amilopectina, algum amido escapa à digestão no intestino delgado - o amido resistente. Esta classe de hidratos de carbono tem sido estudada pelas suas potencialidades na gestão do peso e glicémia, um pouco à semelhança da fibra alimentar. Na verdade, o amido resistente tem propriedades características das fibras solúveis e insolúveis. A quantidade de energia que fornece é 30-50% inferior aos hidratos de carbono complexos digeríveis, parece ter um efeito saciante acentuado, facilitar a oxidação de lípidos, atenuar a resposta glicémica, optimizar a acção da insulina e exercer um efeito pré-biótico favorável na flora intestinal que o fermenta já no intestino grosso. Mas onde encontramos esse amido resistente?