27 de maio de 2013

As estatinas e a diabetes


Eu sei que estou sempre a bater nas estatinas, mas é mais forte do que eu. Os efeitos secundários destes fármacos para o colesterol são reconhecidos e devem ser sempre considerados quando se inicia a terapia. O declínio da função neuromuscular é um deles, mas também a diabetes. Uma meta-análise de 2010 publicada no Lancet verificou um aumento em 9% do risco de diabetes com estatinas, um efeito ligeiro e comportável, segundo alguns, pesando com a protecção que confere a eventos cardiovasculares, mesmo em diabéticos. Lembre-mo-nos que estas drogas actual também como anti-inflamatórios, e que a doença cardiovascular é acima de tudo uma doença inflamatória.

Um estudo agora publicado vem reforçar os resultados da mencionada meta-análise. Em retrospecção, a terapia com estatinas aumentou a prevalência de diabetes, especialmente com as drogas mais fortes e mais usadas - simvastatina e atorvastatina. Este efeito foi ainda mais acentuado com o avançar da idade, e independente da ocorrência de um evento cardiovascular.

Não podemos afirmar com base nestes resultados que a terapia não tem benefícios a nível da mortalidade cardiovascular. Alguns estudos apontam de facto nesse sentido. O que podemos dizer é que a iniciação do tratamento deve ser ponderada com o risco de desenvolver problemas de outro tipo, e que a mera redução do colesterol tem um impacto insignificante no risco. A prevenção primária, antes do evento e com base apenas nos níveis de colesterol, é, a meu ver, injustificada. Os benefícios não justificam o risco.

2 comentários:

  1. Caro Sérgio, já ouviu falar no "earthing" ou "grounding" ? Será que tem validade cientifica ?

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    1. Conheço o conceito mas não sou a melhor pessoa para falar dele. Confesso que sou um leigo na questão.

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