6 de maio de 2013

Dietas restritivas aumentam o "valor de recompensa" dos alimentos


Quando falamos em dietas de restrição calórica para redução e manutenção do peso a longo prazo os estudos são claros: a eficácia é limitada, sejam elas low-carb ou low-fat. Independentemente das nossas crenças, isto é o que a ciência nos diz. Muitas razões têm sido apontadas, como a redução dos níveis de leptina em dieta, a redução da taxa metabólica, ou a simples falta de adesão. Segundo novos dados, poderá haver um mecanismo adicional - o aumento da "recompensa" e prazer associado a alimentos com maior palatibilidade. A restrição energética e privação de refeições parece aumentar o valor de recompensa destes alimentos. Segundo os investigadores, "estes resultados são únicos no sentido em que são os primeiros a sugerir que a restrição calórica aumenta o grau de activação de regiões cerebrais implicadas na avaliação da recompensa e atenção. As implicações são claras. Se as pessoas querem perder peso, será mais efectivo consumir alimentos saudáveis durante refeições regulares do que optar por longos períodos sem comer".


Claro que este estudo deixa muito em aberto. Embora eu concorde em princípio com o padrão alimentar sugerido, não acho que a conclusão dos autores sejam assim tão clara quanto isso, e até um pouco abusiva tendo em conta os endpoints estudados - activação dos centros de recompensa por imagiologia. No entanto, poderá explicar porque alguns alimentos sabem tão bem em dieta...

3 comentários:

  1. Acho que tem muito a ver com aquilo que se diz " o fruto proibido é sempre o mais apetecido ". As pessoas acabam sempre por cair em tentação por saberem que não devem comer aquele tipo de comida.

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  2. Sérgio, qual a sua opinião sobre o Intermittent Fasting que foi alvo do programa da BBC2 Horizon "Eat, Fast & Live Longer" onde eles preconizavam dois dias por semana de restrição calórica (500 cal nas mulheres e 600 cal nos homens)?

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    1. Não vi o documentário mas a minha opinião acerca do intermittent fasting é que ainda há pouca evidência de que de facto possa trazer algum benefício. O estudo necessário para esclarecer essa questão tem um delineamento proibitivo. No entanto, não vejo com maus olhos a forma como foi sugerido no doc - 2 vezes por semana com restrição calórica severa. Aí até admito que possa ser positivo. Mas relativamente aos jejuns dia sim dia não ou até warrior diet style já tenho algumas dúvidas confesso, para mais em pessoas sedentárias.

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