14 de maio de 2013

Diferenças entre sexos na flora intestinal - testosterona e auto-imunidade


Nós somos um micróbio gigante. Alguém me disse isto uma vez mas já não me lembro quem. Cerca de 95% das células no nosso corpo são bactérias, representando mais de 2 Kg do peso. Elas não estão lá por acaso e a sua interacção com o hospedeiro é hoje alvo de grande interesse por parte da comunidade científica, em aspectos múltiplos como, por exemplo, obesidade e  doenças autoimunes. A diabetes tipo 1 enquadra-se neste último grupo e um trabalho recente publicado na Science veio ajudar na compreensão do processo.


O sexo feminino é mais susceptível ao desenvolvimento de diabetes tipo 1, o que, de acordo com os resultados deste estudo, estará relacionado não só com as diferenças a nível da microbiota mas também com a testosterona. Esta diferença de susceptibilidade entre sexos foi revertida quando se transplantou a flora intestinal dos machos nas fêmeas. Além disso, as fêmeas que receberam o transplante de microbiota revelaram níveis mais elevados de testosterona, sem comprometimento da fertilidade. Os níveis de glicose baixaram, os autoanticorpos para a insulina baixaram, e a activação das células imunitárias foi atenuada, processos estes regulados pelo receptor de androgénios.


A nível da microbiota, os machos apresentavam mais Rosaburia e Coprococcus 1 do que as fêmeas. A transplantação de flora intestinal deverá ter aumentado a quantidade relativa destas bactérias, apontadas então como responsáveis por este efeito imuno-modelador mediado pela testosterona.

Existem imensos estudos a confirmar a importância de uma microbiota saudável em vários processos metabólicos. Ela pode ser boa ou má para o hospedeiro, dependendo da importância relativa de cada uma das espécies que habita o nosso intestino. A dieta, stress, e outros factores podem influenciar a constituição da flora. E sendo ela modificável, cabe-nos a nós assegurar o seu equilíbrio.


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