8 de maio de 2013

Inter-conversão do tecido adiposo branco e castanho


O desenvolvimento de novas terapias no combate à obesidade é uma área de investigação muito apetecível. E um dos aspectos mais estudados actualmente é sem dúvida a transdiferenciação do tecido adiposo branco em castanho. O tecido adiposo castanho (BAT) difere substancialmente do branco em vários aspectos metabólicos e histológicos. As reservas de gordura são multiloculares e apresenta um número muito elevado de mitocondrias produtoras de energia. Estas mitocondrias contêm uma proteína específica, a termogenina ou UCP1, que gera calor por desacoplamento dos processos normais de produção de ATP. A energia é dissipada, aumentando consideravelmente o gasto energético.


As diferenças entre os dois tecidos poderão ser explicadas pelas linhagens celulares distintas que lhe dão origem. Os adipócitos castanhos parecem derivar de um precursor de célula muscular. Durante muito tempo se pensou que os Humanos não preservavam quantidades significantes deste tecido adiposo castanho na vida adulta. Mas estudos mais recentes vieram demonstrar não só que alguns indivíduos têm um número apreciável de adipócitos castanhos, mas também que esse tecido era capaz de aumentar consideravelmente o dispêndio energético. Além disso, é hoje possível estimular a transdiferenciação dos adipócitos brancos em castanhos através de estímulos como o frio, embora os estudos bem sucedidos em animais sejam escassos. Estes adipócitos mantêm características de ambos, sendo por isso designados de "brite" (brown e white).

Uma equipa de investigadores Suíça demonstrou recentemente que esta interconversão é possível em ratinhos expostos ao frio (8 ºC). Estes e outros resultados prévios são fortes indícios de que um processo idêntico pode ocorrer em Humanos. A redução na massa adiposo castanha na nossa espécie poderá estar em muito relacionada com a climatização  O impacto metabólico do frio é muito atenuado pela manipulação do ambiente e utilização de vestuário.

Quando falamos em aumento da taxa metabólica com o BAT não estamos a falar de números marginais. "Apenas" 50g deste tecido podem aumentar o gasto energético diário em 20%. O impacto de terapias focadas na transdiferenciação do tecido adiposo pode ser profundo e, mais importante, duradouro. No entanto, estamos ainda longe de uma aplicação clínica...

3 comentários:

  1. Existem metodos para determinar numa determinada pessoa, qual a % no total do tecido adiposo de cada um dos BAT e WAT ?

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    1. Existem mas em clínica não são comuns. Dá para avaliar com um FDG-PET scan (PET com administração de fluodesoxiglucose).

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  2. :) O ano passado foi identificada uma proteína, a Irisina, que é produzida pelo activação muscular pelo exercicio e que ajuda na diferenciação deste tecido adiposo branco em castanho. Esta é a proteína do momento e a comunidade cientifica está a apostar fortemente na sua investigação. E mais uma vez aqui vem o musculo como fonte principal na regulaçao da energia e em vários processos metabolicos.

    http://www.nature.com/nature/journal/v481/n7382/full/nature10777.html

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