5 de maio de 2013

Mais sobre a Vitamina D (Parte 2)


Como a vitamina D está na moda, e em parte por motivos justificados, aqui vai mais um artigo dedicado a ela. São vários os tipos celulares com receptores de vitamina D, os VDR. Os efeitos metabólicos da vitamina D, mais propriamente do calcitriol, são generalizados a nível sistémico embora poucos sejam os casos em que se conhece o mecanismo molecular subjacente. Os VDR actuam sobre o genoma e podem influenciar a expressão de vários genes relacionados com a imunidade, cancro e metabolismo, tudo aspectos já associados de alguma forma à vitamina D. Uma equipa de investigadores liderada, mais um vez, pelo Doutor Michael Hollick verificou que a suplementação com vitamina D3 (colecalciferol) promove uma alteração na expressão de mais de 60 genes, implicados em quase 200 vias relacionadas com o cancro, autoimunidade e doença cardiovascular.


Apesar de toda a evidência que já dispomos, a necessidade e doses de suplementação com vitamina D não são de todo consensuais. Um estudo publicado recentemente no The American Journal of Medicine sugere que não existem benefícios em termos de longevidade com níveis de 25-OH vitamina D superiores a 21 ng/dmL. Apesar de ser interessante ver um estudo que relaciona a vitamina D com major endpoints como a mortalidade, convém não esquecer que se trata de um estudo retrospectivo epidemiológico. Precisaríamos de um ensaio clínico devidamente delineado para uma conclusão robusta e válida.

Como já referi, o investigador que mais publica e estuda a vitamina D é o Professor Michael Hollick da Universidade de Boston. Sempre com resultados bastante abonatórios, Hollick é obviamente um apologista da suplementação com vitamina D em casos de deficiência. O problema é que não se sabe bem o que é "deficiência". Na minha perspectiva, consideraria valores óptimos de 25-OH vitamina D entre os 40 e os 50 ng/dL, com deficiência abaixo de 30. As dosagens ideiais para suplementação também são contorversas. Mas a DDR é claramente insuficiente em casos de deficiência, já que 100 IU/dia elevam as concentrações plasmáticas em apenas 1 ng/mL de 25-OH, em média. Doses de 3000 IU/d são necessárias, por vezes mais, durante um período de tempo que pode passar as 6 semanas. 

Importante: Um protocolo de suplementação com vitamina D deve ser sempre justificado com análises prévias aos níveis de 25-OH vitamina D e ao cálcio iónico. Em casos de hipercalcémia ou níveis no topo do aceitável, a suplementação não é recomendável. 

Hollick trabalha com várias equipas a nível mundial, pelo que não se poderá dizer que é o único a publicar sobre a vitamina D e a atestar os seus benefícios, tanto na reposição de níveis óptimos como em "mega doses" no tratamento de certas patologias. Normalmente, devemos olhar com desconfiança quando apenas uma equipa publica sobre um determinado assunto. Mas claramente não é o caso da vitamina D.

7 comentários:

  1. To [vitamin] D or not to D? That is the question

    http://www.theheart.org/article/1533945.do

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  2. Podes dar o teu parecer em relação ao suplemento Vitamina D3 da myprotein?
    Se é de qualidade, recomendado e em que quantidades?

    Obrigado,
    João Nuno.

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  3. Qual a dose diária recomendada apenas para manutenção? Vejo suplementos desde 100 UI a 10.000

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  4. Tenho um grande défice de Vitamina D (comprovado por análises clínicas), valor de 6.9ng/ml. Vou tomar o Molinar (A dose recomendada de Molinar é um comprimido (22.400 U.I.) a cada 28 dias
    (equivalente a 800 U.I./dia). Segundo o artigo, dará cerca de 8ng/ml diários, o que será pouco. Suplementar com Vitamina D3 (65ng/ml) será que poderá ser considerado elevado? Junto com o Molinar. Os níveis de cálcio estão estáveis (8.9).

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    1. Olá João. O Molinar é eficaz para restabelecer os níveis, mas no seu caso poderá demorar algum tempo. Não acho que seja necessário mais.

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