23 de maio de 2013

Os ómega-3 e a adiponectina - implicações na diabetes e obesidade


Os suplementos de óleo de peixe, conhecidos pelo ser teor em ómega-3 (EPA e DHA), são reconhecidamente úteis na regulação da saúde metabólica, em especial no contexto de uma dieta altamente polarizada para o consumo de óleos vegetais. Embora a sua "fama" se deva à sua acção a nível cardiovascular, doenças como a diabetes ou mesmo a obesidade podem beneficiar de um maior consumo de ómega-3. E um dos potenciais intermediários aqui será a adiponectina.


Para além de um efeito anti-inflamatório directo por bloqueio do factor de transcrição NF-kB e acção sobre os receptores membranares GPR120, os ómega-3 aumentam a produção de adiponectina nos adipócitos através da activação do PPAR-gama. Esta adiponectina faz parte das chamadas "adipocinas", compostos "hormone-like" com acção em diferentes células e tecidos do organismo. Ao contrário da grande maioria das adipocinas, que têm um carácter inflamatório, a adiponectina exerce um efeito protector da função cardiometabólica. Mas apesar de ser produzida pelos adipócitos, os seus níveis diminuem na obesidade devido à inflamação que se gera no tecido adiposo e pela produção massiva de leptina.

O fígado, músculo, coração, vasos sanguíneos e sistema imunitário são todos alvo da adiponectina, com uma redução na neoglucogénese, efeito anti-inflamatório, aumento da oxidação de ácidos gordos, maior sensibilidade à insulina, inibição da progressão do ateroma, entre outras acções resumidas na figura que se segue:



Como podemos ver, doenças como a diabetes podem beneficiar deste aumento da adiponectina pela sua acção positiva a nível da homeostase glicémica. Mas apesar de conhecido o mecanismo, o impacto da suplementação com ómega-3 nos níveis de adiponectina não está bem estabelecido em Humanos. Numa meta-análise a ser publicada em Junho no JCEM, verificou-se de facto um aumento significativo dos níveis de leptina com suplementos de ómega-3.


Estes resultados só vêm contribuir para o que já se conhece sobre os benefícios do ómega-3, seja ele proveniente de suplementos ou de fontes alimentares. Mas como em tudo o que é bom, o excesso tem o seu lado mau e é bom que estejamos conscientes disso. Como gordura polinsaturada que é, está sujeita a peroxidação e, como tal, deve ser ingerida no contexto de uma dieta rica em antioxidantes. O seu efeito a nível da cascata de coagulação deve ser também salvaguardado. Se assim for, o ómega-3 é provavelmente o melhor suplemento que pode tomar. Mas como com todos os suplementos alimentares, a fonte é crítica... Seja exigente na escolha dos produtos e procure informação sobre as marcas.

6 comentários:

  1. Muito bom!!

    Nesse caso, fico confusa para iniciar a suplementação de w3.

    Que relação entre EPA:DHA devo observar? E qual o mínimo em mg ou cápsulas para se ter algum benefício, sem exageros de consumo?

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    1. Geralmente é 12:18, ou algo perto disto. Não é o mínimo por cápsula que é importante, mas o total diário. Doses de EPA+DHA na ordem das 2g/d são geralmente suficientes.

      Eu referia-me mais especificamente à qualidade do produto... da matéria prima.

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  2. Quer dizer então que devo consumir doses de EPA e DHA que se aproximem de 2g dia?

    A maioria das cápsulas aqui no Brasil tem a relação de 180mg EPA para 120mg DHA. Imaginas quantas cápsulas devo tomar para atingir isto... Haja garganta :)

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    1. Sim... 6 ou 7 por dia... Dividido nas refeições...

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  3. POderia-me fornecer tambem o link deste artigo?

    os melhores cumprimentos,
    A. Ambrosio

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  4. Omega 3 ajuda quem tem diabetes a ter uma qualidade de vida melhor, traz algum beneficio ou não???

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