29 de junho de 2013

O envelhecimento, a testosterona, e a terapia hormonal


O interesse pela reposição hormonal (HRT) como terapia anti-envelhecimento está a crescer em Portugal, um pouco a reboque do que se passa em países como os EUA onde é prática comum. No caso dos homens, é reconhecido que a produção de certas hormonas decresce com a idade, como a hormona do crescimento e testosterona. Deixando a primeira de lado por agora, a terapia de reposição com testosterona pode aliviar alguns sintomas muitas vezes associados ao avançar da idade. Além disso, vários estudos comprovam que a terapia hormonal a níveis fisiológicos pode reduzir o risco cardiometabólico. Mas toda esta "hype" em torno da HRT se baseia numa premissa: os níveis de testosterona decrescem significativamente com a idade. Mas será que tem mesmo de ser assim?

28 de junho de 2013

Pais com uma vida activa, para filhos mais saudáveis


Todos sabemos que o exercício é central num estilo de vida saudável e que tem um impacto profundo no nosso perfil metabólico. E também sabemos que o nosso estilo de vida tem influência no metabolismo dos nossos filhos. Algumas marcas epigenéticas, mutáveis ao longo da vida com a interacção ambiental, parecem persistir nas células germinais e ser transmitidas à descendência [link]. Então, será que a prática de exercício por parte dos pais terá influência no fenótipo dos filhos? Um estudo com ratinhos agora publicado no Experimental Physiology [link] indica que sim.

-->

27 de junho de 2013

A radiação dos telemóveis - 15 min de exposição causa resistência à insulina


As sociedades modernas estão dependentes dos telemóveis, o que tem gerado um debate sobre os potenciais riscos da radiação para a saúde. Lembremos que a sociedade moderna é também uma sociedade doente. Um estudo publicado recentemente [link] mostra que animais expostos a 15 min ou mais por dia à radiação normal emitida por um telemóvel durante 3 meses apresentavam níveis de glicémia e insulina em jejum superiores aos controlos (não expostos). Verificou-se também um índice de resistência à insulina (HOMA-IR) menos favorável nestes animais. Concluindo, parece haver uma associação entre a exposição prolongada à radiação dos telemóveis e a deterioração de parâmetros da homeostase glicémica.

Estudos em humanos, que já abordei por aqui, indiciavam um efeito semelhante a nível cerebral [link]. É mais que provável que os efeitos nefastos se iniciam mesmo a nível central, nos mecanismos cerebrais de homeostase. Mas como é óbvio, muito dificilmente iremos ver um estudo controlado a longo prazo no Homem semelhante ao citado. Ninguém se arriscaria a fazer tal coisa. A confirmarem-se estes resultados obtidos em ratos, seria um desastre económico sem precedentes. Ou, mais provavelmente, os resultados desse ensaio seriam simplesmente ignorados e metidos na gaveta. Agora também já tenho justificação para as minhas conversas telegráficas de alguns segundos. Falar ao telemóvel nunca foi coisa que me agradasse. É tudo uma questão de saúde...

-->

26 de junho de 2013

ZMA, carências nutricionais e sono

O ZMA faz parte do vasto arsenal de suplementos desportivos que temos disponível hoje em dia. A indústria alega que aumenta os níveis de testosterona e favorece o ambiente anabólico essencial para hipertrofia e, porque não, a saúde em geral. Mas a verdade é que a ciência não corrobora tais afirmações, e o ZMA parece totalmente ineficaz para esse objectivo. No entanto, este é dos poucos produtos que recomendo, até para algumas pessoas que não praticam exercício físico. E porquê?

A insulino-resistência e a disfunção sexual


A obesidade, insulino-resistência e a diabetes estão muitas associadas à disfunção sexual nos homens. Uma das razões é o déficit de testosterona que acompanha estas doenças, mas a verdade é que nem sempre a terapia hormonal de substituição resolve o problema. A explicação poderá estar num estudo publicado no Asian Journal of Andrology, que mostra uma associação entre indicadores da resistência à insulina (HOMA-IR) e os padrões de metilação do promotor do receptor de androgénios (AR) no corpus cavernosum em ratinhos. A metilação inibe a expressão do AR e a resposta à testosterona. Como tal, a reposição hormonal tem um efeito limitado na disfunção sexual associada à insulino-resistência, o que explica também o sucesso de drogas como o Viagra, que actua por outros mecanismos, entre os homens que sofrem deste problema. As boas notícias são que este processo parece ser reversível com a melhoria da saúde metabólica.

-->

25 de junho de 2013

Alternativa à proteína de soro de leite - proteína de arroz


A proteína de soro de leite (whey), seja ela concentrada, isolada, ou hidrolisada, é reconhecida como a ideal no pós-treino, uma altura crítica para potenciar os processos anabólicos adaptativos ao exercício. Trata-se de uma proteína solúvel, de rápida absorção, com um valor biológico muito elevado, e rica em leucina, características que fazem da whey o suplemento alimentar mais procurado. Existem vários estudos que atestam o seu efeito positivo em indicadores de síntese proteica e catabolismo muscular, superior a outras proteínas como a soja e caseína, funcionalmente bem distintas. Embora estes indicadores agudos, avaliados após a sessão de exercício, sejam obviamente importantes, tratam-se apenas de minor endpoints que usamos para inferir aquilo que realmente interessa: as adaptações ao treino no final de um programa serão assim tão diferentes se ingerirmos whey ou outra fonte? Talvez não...

24 de junho de 2013

A publicidade de junk food para crianças é desastrosa, diz a OMS


A Organização Mundial de Saúde assumiu recentemente num relatório a sua posição relativamente ao efeito do marketing a junk food na obesidade infantil. Resumidamente... Desastroso por tão eficaz. Segundo Zsuzanna Jakab, directora da unidade Europeia de OMS, "há milhões de jovens na Europa que estão expostos a práticas de marketing consideradas inaceitáveis". "As crianças estão rodeadas de anúncios que estimulam o consumo de alimentos ricos em gordura [trans], açúcar e sal, mesmo em locais onde deveriam estar protegidas, como as escolas e recintos desportivos". 

-->

Enquanto todos os países Europeus acordaram restrições no marketing de junk food, apenas 6 implementaram totalmente uma regulação da publicidade vocacionada para crianças. Dinamarca, França, Noruega. Eslovénia, Espanha e Suécia. Portugal nem por isso...E por acaso temos os piores indicadores da Europa para a obesidade infantil. Vá-se lá compreender...

22 de junho de 2013

O que acontece quando ingerimos o dobro da proteína recomendada? Perdemos mais gordura!



Já estamos na altura de re-avaliar a dose diária recomendada de proteína (RDA), ainda nos pré-históricos 0,8 g/Kg de peso baseados em estudos sem validade na "vida real". E pior do que isso, trata-se de uma recomendação que pode comprometer severamente a composição corporal de um indivíduo, independentemente do nível e tipo de actividade física. A parte boa é que poucos a cumprem e é já assumido por todos os que se interessam por performance que roça o absurdo para um atleta, seja ele recreativo ou de alta competição. E o que acontece se ingerirmos ou dobro ou o triplo da RDA numa dieta de restrição calórica, em conjunto com treino de força? Simples... Perdemos mais gordura e preservamos mais músculo. Nada de surpreendente mas são estes os resultados de um novo estudo publicado recentemente do FASEB J. Estes e mais uns pormenores interessantes...

Operação plástica no Fat New World

Como já repararam certamente, o site levou uma operação plástica. Já era tempo de renovar o design. Espero que gostem :)

21 de junho de 2013

Obesidade é doença?



A American Medical Association reconheceu há dias a obesidade como uma doença, tirando-lhe o estatuto de factor de risco e colocando-a lado a lado com a diabetes, cancro, etc. O objectivo é "destigmatizar" a obesidade como uma consequência de maus hábitos e desleixo, abrindo portas para novos tratamentos cobertos pelas seguradoras e sistema nacional de saúde. Mas quais serão as consequências disso? 

O stress no pai influencia o desenvolvimento e metabolismo dos filhos


Já aceitamos pacificamente o efeito que o estilo de vida da mão tem para o bebé durante a gestação. Dieta, tabaco, exercício físico, e até o stress, seja ele psicológico ou físico. Tudo isto tem impacto no desenvolvimento da criança, e até no seu perfil metabólico mais tarde na vida. O que não sabemos tão bem é o efeito que estes factores têm quando derivam do pai, se é que existe um. Uma experiência recente com animais dá uma achega importante para esta questão. Ao que parece, o stress crónico nos machos eleva a uma reprogramação epigenética das células germinais, os espermatozóides, com implicação na resposta fisiológica ao stress da descendência.

O colesterol e o risco de acidente vascular cerebral


Todos sabemos que o colesterol aumenta o risco cardiovascular (NOT!). Existe uma associação entre níveis mais elevados no sangue e a mortalidade por doença cardíaca e vascular. O que faz todo o sentido. Se um incêndio aumenta o número de bombeiros que acorrem ao local, então encontrar muitos bombeiros juntos aumenta o risco de incêndio. As doenças cardiovasculares são na sua maioria inflamatórias. Níveis elevados de colesterol são uma consequência e não uma causa. Interessa sim saber o "estado" do colesterol e padrão das lipoproteínas, o que já de si é um bom indicador do estado inflamatório e metabólico do indivíduo.

Dito isto, queria apenas chamar-vos a atenção para uma meta-análise que surgiu o mês passado na revista Stroke. Níveis BAIXOS de colesterol estão associados a um maior risco de acidentes cerebrovasculares hemorrágicos, uma relação oposta à que se verifica para os isquémicos, mais frequentes no Mundo Ocidente. Um incremento de 1 mmol/L está associado a uma redução do risco em 15%. E níveis baixos de LDL-C estão também relacionados com uma maior probabilidade de vir a ter um AVC hemorrágico.

19 de junho de 2013

O sono, os padrões alimentares, e a saúde metabólica


As últimas décadas têm sido marcadas por um aumento galopante na prevalência de diabetes e obesidade. Os hábitos alimentares e o sedentarismo são apontados como as causas mais prováveis, embora tenha de ser reconhecido que não são de todo as únicas. O aumento de prevalência de doenças metabólicas crónicas nas sociedades modernas tem sido acompanhado de uma redução nas horas de sono. Desde 1960, quase 2h foram perdidas em média. Quais poderão ser as consequências disso? Poderá ter implicação no risco de diabetes tipo 2 e outras disfunções metabólicas?

18 de junho de 2013

Combinação de aminoácidos para aumento de massa muscular



O meeting anual da Endocrine Society que está a decorrer tem divulgado alguns trabalhos interessantes para quem gosta destas coisas. A importância dos aminoácidos na construção muscular não é reconhecida apenas em nutrição desportiva. A proteína de soro de leite e outras fontes têm sido utilizadas com bastante sucesso no tratamento de doenças degenerativas e inflamatórias que envolvem perda de músculo, como a SIDA e queimaduras, mas também no envelhecimento. Alguns gigantes da indústria farmacêutica têm formulações especiais de uso clínico à base de proteína e aminoácidos, como é o exemplo da Abbott e do seu Juven. Segundo um estudo agora divulgado, a toma desta bebida à base de aminoácidos (já veremos quais) duas vezes por dia, durante 6 meses, possibilitou ganhos significativos de massa magra em idosos. Estes ganhos foram acompanhados por um aumento do IGF-1 no soro, provavelmente explicado por uma maior produção de hormona do crescimento.

Bisfenol-A associado aos testículos não-descendentes


Tenho-vos falado um pouco dos problemas associados à exposição aos xenobióticos disruptores endócrinos, como o bisfenol-A (BPA) e ftalatos. Estes químicos estão presentes nas embalagens plásticas, cosméticos, alimentos... resumindo: por todo o lado. Uma dos seus efeitos melhor caracterizado é a interferência com o sistema hormonal dado o seu mimetismo molecular com os estrogénios. Os fetos em gestação e as crianças são particularmente susceptíveis aos efeitos nefastos dos disruptores endócrinos, com um impacto profundo no seu desenvolvimento. Num trabalho apresentado recentemente, ficou demonstrada a associação entre a exposição ao bisfenol-A e os testículos não-descendentes nos bebés, um defeito de nascença bastante comum que se caracteriza pela não descida dos testículos da cavidade abdominal. Esta associação parece ser explicada por uma inibição do Insulin-like Peptide 3 (INSL3), uma hormona testicular envolvida no desenvolvimento dos caracteres sexuais primários. Não foram verificadas diferenças nos níveis de testosterona de acordo com a exposição ao BPA.

17 de junho de 2013

Leite materno e o desenvolvimento cerebral do bebé


Os benefícios da amamentação nos primeiros meses de vida são inquestionáveis, em particular para o reforço do sistema digestivo e imunitário do bebé. Mas um estudo recente vem agora mostrar que o leite materno tem também um efeito positivo a nível do desenvolvimento do cérebro. À idade de 2 anos, bebés exclusivamente alimentados com leite materno durante pelo menos 3 meses apresentaram um maior desenvolvimento de regiões cerebrais associadas à linguagem, emoções e cognição do que crianças alimentadas com fórmulas ou combinação. Além disso, quanto mais prolongado o período de amamentação, maior o benefício para o bebé, especialmente em áreas do cérebro responsáveis pela função motora.

14 de junho de 2013

Qual o maior incentivo para os homens perderem peso?


Os motivos para "estar em forma" podem ser os que quiserem. O que interessa é o objectivo e o resultado. Mas qual parece ser o maior incentivo para os homens começarem uma dieta para perder peso? Ter um filho. Segundo um inquérito da Weight Watchers, ser pai é o principal catalizador para um estilo de vida mais saudável. Todos querem desfrutar dos bons momentos em pleno e acompanhar o crescimento da criança. E faz sentido... Nos casados pelo menos.

O chocolate previne a diabetes?

Já conhecemos alguns benefícios dos compostos presentes no cacau e dos potenciais efeitos positivos que poderão ter em disfunções metabólicas de cariz inflamatório. Numa experiência em ratinhos, uma equipa Americana descobriu que o cacau atenua drasticamente marcadores de inflamação, fígado gordo e diabetes em animais sujeitos a uma dieta "rica em porcaria", tipo a "nossa", durante 10 semanas. Por exemplo, os níveis de insulina foram reduzidos em 27% e a gordura no fígado em 32%, resultados de uma magnitude impressionante. 

Convém sublinhar que o estudo foi em animais, com uma quantidade de cacau que à escala humana se traduz em algo como 10 colheres de sopa de cacau por dia, todos os dias. Além disso, cacau não é chocolate, e uns têm mais que outros. Para mim, qualquer coisa abaixo dos 80% é um doce ;). No entanto, manchetes como esta nos media não tardaram: "Como uma chávena de chocolate quente antes de deitar pode prevenir a diabetes". Tenho sérias dúvidas que uma chávena de chocolate quente, cheia de açúcar, possa de facto prevenir a diabetes, por mais polifenóis que contenha. O efeito ate pode sair ao contrário do desejado...

"Nutrigenética e Nutrigenómica: O Futuro da Nutrição" - 28, 29 e 30 de Junho, em Lisboa



Informo que a Nutriscience passou o curso do Porto para Lisboa, na mesma data. Como tal,  

Nos próximos dias 28, 29 e 30 de Junho, a Nutriscience vai organizar em Lisboa o curso "Nutrigenética e Nutrigenómica: O Futuro da Nutrição". O formador é o Professor Doutor Marcelo Rogero da Universidade de São Paulo, um especialista reconhecido internacionalmente na área. Meu amigo e um cientista fora de série, o Marcelo Rogero é também provavelmente um dos melhores professores que conheço. Recomendo vivamente a todos os nutricionistas, médicos, e profissionais na área da saúde que se interessem pelo tema. Garanto que vai valer a pena. Para mim será a 2ª vez que assisto a este mesmo curso, e provavelmente não a última :).

Mais informações aqui.

12 de junho de 2013

Micotoxinas em cereais biológicos


A validação de uma metodologia de análise para micotoxinas revelou um dado muito interessante. Segundo os resultados publicados na revista Food and Chemical Toxicology, os cereais biológicos apresentam teor maior contaminação com estas substâncias, comparativamente aos convencionais (11.3 % vs 3.5% de incidência). A explicação é simples e óbvia: na agricultura biológica não são utilizados fungicidas. As fumonisinas avaliadas neste estudo têm revelado toxicidade a nível hepático, renal e neurológico, bem como um potencial carcinogénico. Convém salientar no entanto que os níveis encontrados não são alarmantes, embora o limiar toxicológico para estes efeitos não esteja bem estabelecido. Fica mesmo assim o alerta para um dos aspectos menos positivos associados aos alimentos biológicos. O estudo foi realizado com amostras de cereais de Espanha, Alemanha e França.

A resistência à insulina diminui a resposta da dopamina ao açúcar


A resistência à insulina está associada a uma ingestão excessiva, em particular de alimentos doces. Julga-se que isto se deva a uma disfunção nos mecanismos centrais de regulação do apetite e prazer. Um estudo apresentado no meeting da Society of Nuclear Medicine and Molecular Imaging mostra que os indivíduos resistentes à insulina têm uma menor libertação de dopamina após ingestão de açúcar. A dopamina está relacionada com o sistema de recompensa e prazer, que parece não funcionar normalmente nestas pessoas. Os investigadores especulam que isso poderá levar ao consumo excessivo de forma a compensar a resposta atenuada. 

11 de junho de 2013

Romã, açafrão, chá-verde e brócolos no tratamento do cancro da próstata

Um estudo a ser apresentado brevemente na conferência da American Society of Clinical Oncology revela que um extracto de romã, açafrão, brócolos e chá-verde (Pomi-T) pode ajudar a combater o cancro da próstata. Um ensaio de 6 meses com 203 homens com cancro na próstata indica que a toma do extracto reduziu os níveis de PSA em 63% comparativamente ao placebo, um excelente indicador de uma progressão favorável do tumor.

4 min de treino intenso é suficiente?


Quando falamos de exercício, mais não é necessariamente melhor. Os treinos intervalados de alta intensidade estão para ficar como uma forma eficiente de melhorar alguns parâmetros do condicionamento físico, tal como a capacidade aeróbia, e, não menos importante, alguns indicadores de saúde. Mas qual o protocolo ideal? Quanto é suficiente?

7 de junho de 2013

Trabalho por turnos e a intolerância à glicose


No artigo anterior que publiquei no blogue, falei-vos da importância da secreção imediata de insulina (1ª fase) em resposta a um estímulo de glicose. Uma resposta adequada nesta fase permite atingir o limiar de supressão da gluconeogénese hepática, reduzindo a glicemia posteriormente. Se isto não acontece, a hiperglicemia promove mais secreção de insulina na fase tardia, aumentando a exposição total à hormona e, eventualmente, exaustão das células beta do pâncreas ou glucotoxicidade. Aqui poderemos estar já perante um quadro de diabetes, precedido de uma intolerância à glicose.

6 de junho de 2013

Adoçantes artificiais e a diabetes - existe risco?



Tem aparecido na imprensa internacional uma notícia sobre o aumento do risco de diabetes com os adoçantes artificiais, em particular a sucralose (Splenda). Algumas pessoas alertaram-me para estas notícias com preocupação, em grande parte devido à utilização preferencial da sucralose em suplementos desportivos como a whey, por exemplo. Embora não seja de todo defensor destes aditivos, devo neste caso chamar a atenção para os factos e, mais uma vez, para o sensacionalismo da imprensa de massas - “uma boa notícia é uma má notícia”. A sucralose está associada à diabetes? Talvez sim, talvez não.

5 de junho de 2013

Dietas vegetarianas associadas a uma maior longevidade? As minhas dúvidas...



Ao que parece, as dietas vegetarianas estão associadas a uma maior longevidade. Pelo menos é o que nos diz um novo estudo que anda na boca dos media. Uma coorte de Adventistas do 7ª dia, uma espécie de religião protestante (?), foi seguida durante cerca de 6 anos e estudada relativamente à associação dos padrões alimentares com a mortalidade. De acordo com os primeiros resultados, uma dieta vegetariana parece associada a uma maior longevidade, com uma redução do "risco de morte" em 12%.

4 de junho de 2013

A composição da microbiota pode prever a diabetes


O estudo da microbiota intestinal vai a um ritmo alucinante. Há alguns anos poucos se interessavam pelos bichinhos que habitam os nossos intestinos, mas hoje é reconhecido o seu papel na saúde metabólica dos hospedeiros. Obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares são apenas alguns exemplos de disfunções já associadas a desequilíbrios na flora intestinal. Num artigo publicado há dias na Nature, uma equipa mostra uma análise há microbiota prevê o risco de diabetes em mulheres Europeias, resultado este replicado numa coorte Chinesa. E mais importante, o valor preditivo é superior ao IMC e rácio cintura:anca. Uma característica distintiva é o menor número de bactérias produtoras de butirato. 

Na verdade, o delineamento deste estudo não nos permite estabelecer a direcionalidade da associação. Será que a microbiota está alterada porque as mulheres têm diabetes, ou têm diabetes porque está alterada? De qualquer forma fica mais uma vez patente a comunicação íntima entre a flora intestinal e o hospedeiro nas patologias metabólicas. Se assim é, torna-se imperativo manter uma saúde intestinal óptima para ser saudável no geral. E aqui a dieta assume um papel de destaque.

3 de junho de 2013

Os estrogénios e a supressão da síntese de lípidos no fígado


Durante algum tempo se pensou que os receptores das hormonas esteróides eram apenas intra-celulares e que não existia um mecanismo convencional de transdução de sinal, característico dos receptores membranares. Esta ideia passou à História quando foram descobertos receptores de estrogénios nas membranas, que sinalizam por cascatas de fosforilação. Segundo um trabalho publicado na Science, uma das implicações da activação destes receptores é a inibição da síntese de lípidos no fígado via AMPK. Esta enzima fosforila e inactiva o Srebf1, prevenindo a transcrição de genes relacionados com a síntese de lípidos e colesterol.

A activação da AMPK pelos receptores membranares de estrogénios pode ter implicações para além da menor síntese de lípidos e redução dos triglicéridos. Pode facilitar a oxidação de lípidos e diminuir o grau de esteatose hepática. Além disso, pode explicar porque a incidência de cancro no fígado é 6 vezes superior nos homens, em comparação com o sexo feminino. Os estrogénios podem ter uma função protectora já que a AMPK é reconhecida pela sua acção anti-tumoral. Potencial terapêutico vislumbra-se...

Os ómega-3 podem ajudar na recuperação das cirurgias cardíacas


Quase diariamente são descobertas novas potencialidades terapêuticas para ómega-3 de origem animal (EPA e DHA). O efeito anti-inflamatório que exercem é provavelmente o mecanismo de maior relevância em clínica. Segundo um novo estudo de uma equipa Californiana publicado no FASEB, os ómega-3 podem ajudar na recuperação pós-cirúrgica ao coração. Intervenções como angioplastia e bypass cardíaco lesionam os tecidos. A inflamação é o processo fisiológico que inicia a sua regeneração, mas que a longo prazo pode ter consequências negativas se não for parada atempadamente. Parece que as resolvinas de série D (RvD), substâncias derivadas do metabolismo dos ómega-3 e que mediam a resolução da inflamação, reduzem dramaticamente o processo inflamatório crónico associado à lesão vascular, pelo menos in vitro e em modelos animais. A traduzirem-se para os Humanos, estes resultados podem ajudar a uma recuperação mais rápida por parte dos milhares de pessoas que são submetidas anualmente a procedimentos cirúrgicos aos vasos sanguíneos.