18 de junho de 2013

Bisfenol-A associado aos testículos não-descendentes


Tenho-vos falado um pouco dos problemas associados à exposição aos xenobióticos disruptores endócrinos, como o bisfenol-A (BPA) e ftalatos. Estes químicos estão presentes nas embalagens plásticas, cosméticos, alimentos... resumindo: por todo o lado. Uma dos seus efeitos melhor caracterizado é a interferência com o sistema hormonal dado o seu mimetismo molecular com os estrogénios. Os fetos em gestação e as crianças são particularmente susceptíveis aos efeitos nefastos dos disruptores endócrinos, com um impacto profundo no seu desenvolvimento. Num trabalho apresentado recentemente, ficou demonstrada a associação entre a exposição ao bisfenol-A e os testículos não-descendentes nos bebés, um defeito de nascença bastante comum que se caracteriza pela não descida dos testículos da cavidade abdominal. Esta associação parece ser explicada por uma inibição do Insulin-like Peptide 3 (INSL3), uma hormona testicular envolvida no desenvolvimento dos caracteres sexuais primários. Não foram verificadas diferenças nos níveis de testosterona de acordo com a exposição ao BPA.


Este não é o primeiro estudo a associar estes químicos a atrasos e deficiências no desenvolvimento. Também não se trata da prova derradeira, se mais fossem precisas. Mas fica aqui mais uma vez patente os riscos associados à exposição a estes xenobióticos, que deve ser minimizada tanto quanto possível. Enquanto não é a política a tratar do assunto, com a sua proibição legislada, cabe-nos a nós fazer por isso.

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