21 de junho de 2013

Obesidade é doença?



A American Medical Association reconheceu há dias a obesidade como uma doença, tirando-lhe o estatuto de factor de risco e colocando-a lado a lado com a diabetes, cancro, etc. O objectivo é "destigmatizar" a obesidade como uma consequência de maus hábitos e desleixo, abrindo portas para novos tratamentos cobertos pelas seguradoras e sistema nacional de saúde. Mas quais serão as consequências disso? 


Antes de mais, o que é uma doença? Tecnicamente, trata-se de um distúrbio fisiológico que obedece a dois ou mais dos seguintes critérios:

- Agentes etiológicos conhecidos
- Grupo de sinais ou sintomas identificáveis
- Alterações anatómicas consistentes

Se nos focar-mos apenas nestes critérios, a obesidade pode de facto ser considerada uma doença. Uma alteração da fisiologia e anatomia do tecido adiposo, com agentes causais conhecidos.

Por princípio, não sou contra a classificação da obesidade como uma doença. Sou sim contra que seja assumida como um fatalismo pelo qual não somos responsáveis. Temo que seja aberta uma porta para a "inevitabilidade" de tratamentos farmacológicos e até cirúrgicos, sem que sejam exploradas as vias que realmente importam. As vias que podem de facto ter um efeito muito positivo na saúde. Falo obviamente dos comportamentos alimentares, exercício, e do próprio estilo de vida. No fundo, seguir a mesma abordagem médica que se adopta na pré-diabetes e prevenção cardiovascular, por exemplo.

O que acham? Concordam da designação de obesidade como doença?



4 comentários:

  1. Eu sou a favor da designação da Obesidade como doença. Além de ter vários factores associados, como os psicológicos, comorbilidades de saúde, genéticos, metabolicos, etc., nem sempre é fácil para um paciente quando chega ao estado de obesidade mórbida, emagrecer só com alimentação e exercício físico. É necessário um acompanhamento multidisciplinar, e ter noção da gravidade do problema. Contudo o indivíduo não deve ser desresponsabilizado e deve ter noção do caminho que percorreu através das suas atitudes e comportamentos até chegar a tal estado, e estar motivado para a mudança independentemente se opta pelo caminho da cirurgia bariatrica ou não. Sabemos que muitas doenças têm associação com a alimentação e os estilos de vida do indivíduo: dislipidemias, hipertensão, diabetes tipo 2, etc.. a obesidade é só mais uma!

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  2. De acordo com a imputação de doença à obesidade, mas mais ainda com a prevenção de que não seja mais uma operação de marketing para abrir mais espaço ao sector saúde-farmacêutico, todo virado para o remediar (é one está o lucro) e não para o prevenir.
    Já agora, como aparte, acho muito bem que se abra um centro para analisar as potenciais sinergias negativas entre os tratamentos naturais (ervas, plantas...) e os medicamentos, mas para quando um que trate da sobremedicamentação, medicamentação cruzada, e coisas quejandas? Os velhos portugueses estão a ser, lentamente, liquidados pelos medicamentos.

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  3. Todos os disturbios alimentares sao doencas. Ao considerarmos a anorexia nervosa uma doenca, na minha opiniao teremos de considerar a obesidade como uma doenca! Ate porque nao sao so alteracoes fisiologicas ao nivel do tecido adiposo, mas tambem e principalmente ao nivel cerebral, que faz com que o nosso cerebro nao reconheca que estamos saciados e consequentemente estamos constantemente a comer.
    Para alem de estar associada a todas as outras doencas que ja conhecemos e que sao de facto extremamente preocupantes, a obesidade tem de ser de facto considerada como doenca e tem de ser tratada como tal. E mais importante que o tratamente e a prevencao, e ai sim acho que se deve investir e estudar cada vez mais de modo a combater uma das principais epidemias deste seculo.

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  4. Os extractos sociais mais probres parecem ser precisamente aqueles que apresentam níveis de obesidade mais expressivos.
    Não podemos esquecer que os alimentos económicamente mais acessíveis são frequentemente alimentos "junk". Extraordinárimente o baixo preço desses alimentos é frequentemente explicado pelos subsidios concedidos por alguns Governos, tal como acontece nos Estados Unidos de América.
    Perante este cenário será que podemos atribuir a responsabilidade ao indíviduo que sofre dessa condição?

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