31 de julho de 2013

A deficiência em ómega-3 piora em gerações consecutivas


Vocês já estão cansados de me ouvir falar, ou ler mais precisamente, sobre os benefícios dos ómega-3 [link], que, entre as suas várias acções biológicas, desempenham um importante papel na função cerebral e cognitiva. Dado o leque limitado de alimentos ricos em ómega-3 (peixe, carne de animais alimentados a pasto e alguns ovos), a deficiência não é rara. Mas na verdade, acredita-se que tenha sido bem pior há uma geração atrás, quando a importância dos ómega-3 ainda não era reconhecida, o acesso a estes alimentos era limitado, os óleos vegetais tiveram o seu apogeu, e os animais começaram a ser criados exclusivamente com cereais.

Um estudo recente mostra que a carência de ómega-3 tem consequências que se amplificam em gerações consecutivas, e que afectam especialmente os adolescentes [link]. Num modelo animal de 2ª geração de deficiência em ómega-3, verificaram-se níveis elevados de ansiedade, hiperactividade, perda de memória, e menor capacidade cognitiva. "Descobrimos que esta deficiência alimentar pode comprometer a saúde comportamental dos adolescentes, não só porque a sua dieta é deficiente, mas também devido à dieta dos seus pais". A equipa explora agora a hipótese, bastante plausível, de um condicionamento epigenético causado pela carência de ómega-3 nos progenitores. Um estudo em animais eu sei, mas não menos interessante por isso.

A radiação dos telemóveis pode aumentar o stress oxidativo e risco de cancro


Já não é a primeira vez que vos falo deste assunto [link], mas novos desenvolvimentos vão aparecendo na literatura científica. As radiações electromagnéticas dos telemóveis são considaradas como "possivelmente carcinogénicas", embora haja uma inércia total em responder a este problema. As implicações de estudos conclusivos e pouco abonatórios teriam um impacto brutal na estrutura das sociedades modernas. Mas um novo estudo da Universidade de Tel Aviv aponta mais uma vez nesse sentido, alertando para os perigos do uso excessivo dos telemóveis [link].

Uma dieta de "junk food" da mãe condiciona o sistema de "recompensa" do filho


Um estudo apresentado na Anual Meeting da Society for the Study of Ingestive Behavior [link] revela que comer "junk food" durante a gravidez altera o desenvolvimento das vias de sinalização dos opióides no cérebro da descendência, alterando permanentemente a forma com responde a estas substâncias quando são libertadas em resposta a alimentos altamente apelativos e "recompensantes". Os cientistas verificaram que o padrão de expressão da encefalina, um opióide endógeno, estava significativamente alterado nas crias de ratinhos que ingeriram "junk food". A mesma equipa tinha já verificado que os bloqueantes dos receptores de opióides eram também menos eficazes nestas crias a reduzir a ingestão de alimentos ricos em açúcar e gordura. Em conjunto, estes resultados indiciam que a sinalização dos opióides é menos eficaz quando existe exposição a um ambiente condicionado por estes alimentos durante a gestação. Ser menos sensível a estas substâncias significa que e necessário ingerir quantidades excessivas para obter uma resposta de "prazer" associada a estes alimentos.

O exercício é o melhor medicamento para a Alzheimer?


Um estudo da Universidade de Maryland mostra que o exercício pode ser "o melhor medicamento" para a Alzheimer, melhorando a actividade cerebral associada à memória. Citando um dos investigadores, "descobrimos que após 12 semanas de um programa moderado de exercício, os participantes melhoraram a sua eficiência neuronal - usavam menos recursos para realizar a mesma tarefa: memória. Nenhum estudo até agora mostrou que uma droga seja capaz de fazer o que nós demonstrámos com o exercício".

O sintoma que melhor caracteriza a Alzheimer é a perda de memória e incapacidade de lembrar nomes. Testes de memória com celebridades famosas e palavras, e técnicas de imagiologia (fMRI) foram efectuados antes e após as 12 semanas de intervenção (treino cardiorespiratório de baixa intensidade). Verificou-se uma alteração no padrão de actividade cerebral, com um aumento da eficiência de zonas associadas à patologia da Alzheimer. Os testes de memória também melhoraram significativamente.

30 de julho de 2013

Os estrogénios e a hipertrofia: uma hormona incompreendida


Existe uma ideia generalizada entre os entusiastas do fitness e culturismo de que os estrogénios são por si prejudiciais para uma composição corporal óptima no homem. Muitos atletas focam-se em estratégias para reduzir os seus níveis ao mínimo possível para aquele aspecto "hard" que ambicionam. Embora lhes sejam conhecidas de facto propriedades de retenção hídrica, os estrogénios não o fazem necessariamente engordar, e mais do que isso, potenciam grandemente o processo de hipertrofia. Com este artigo quero apenas revelar o outro aspecto desta hormona tal mal compreendida entre os atletas masculinos.

29 de julho de 2013

Multivitamínicos na função cognitiva e atenção


A necessidade ou utilidade do multivitamínico de largo espectro não é aceite por todos, embora se reconheça que a dieta actual é pobre do ponto de vista nutricional. Uma alegação que os proponentes da suplementação fazem habitualmente é a melhoria do humor, função cognitiva e concentração. Que a nutrição afecta a saúde mental e emocional não é contestado, num Mundo cada vez mais afectado pelo stress crónico físico e psicológico, associado à depressão, ansiedade, etc. Segundo Bonnie Kaplan da Universidade de Calgary [link], uma alteração nos padrões alimentares pode ter aqui um papel importante, sugerindo que um maior consumo de vitaminas e minerais através da suplementação ajuda a manter uma saúde mental e emocional em ordem.

A qualidade dos suplementos de ómega-3 é crítica para o efeito


Ontem escrevi-vos sobre a tal associação entre os ómega-3 e o cancro da próstata [link]. Nesse contexto, falei-vos da elevada taxa peroxidação a que estes ácidos gordos estão sujeitos em ambientes oxigenados. Os peróxidos lipídicos são citotóxicos e agentes de stress oxidativo. Como tal, existe um risco associado ao seu consumo ou à sua geração no organismo. Relativamente ao primeiro aspecto, e no que toca aos suplementos alimentares, trata-se de um factor de extrema importância. A qualidade do produto é crítica! Este é um aspecto que não me canso de sublinhar, e que ficou demonstrado numa publicação recente do International Journal of Food Sciences and Nutrition [link]. Os efeitos benéficos associados aos ómega-3, em particular a nível do perfil lipídico, não se verificam com produtos peroxidados e de fraca qualidade.

28 de julho de 2013

Os ómega-3 aumentam o risco de cancro da próstata?


Fiquei de vos escrever sobre o tal estudo que associa os ácidos gordos ómega-3 ao cancro da próstata [link]. Outras coisas têm surgido pelo meio, e o tempo não é elástico, mas mais vale tarde do que nunca :). Este é apenas mais um exemplo da iliteracia científica dos media, que no fundo “fazem” a opinião pública. “Homens que tomam suplementos de ómega-3 tem um risco 71% maior de cancro da próstata”, de acordo com o NY Daily News, entre outras pérolas da imprensa. Também em Portugal, alguém do portal Sapo se lembrou de escrever: "Consumo de suplementos de ómega-3 associado a maior risco de cancro da próstata" [link]. Mas mais grave do que isso, neste caso foram os próprios autores que meteram o pé na argola, numa clara agenda anti-suplementos sem qualquer fundamento e validade científica.

26 de julho de 2013

Privação energética crónica: consequências, diagnóstico e tratamento


O artigo de hoje vem em sequência do que vos escrevi ontem. Falei-vos de um “modo de sobrevivência” auto-induzido por restrição calórica e stress físico crónicos, marcado por um hipotiroidismo e hipogonadismo subclínico, "ligeiro" [link]. Um estado que encontro com muita frequência entre os entusiastas do fitness. O que eu quero fazer hoje convosco é estudar um caso clínico típico, exemplificando como pode ser feito o diagnóstico e no que deve consistir uma intervenção incisiva e eficaz.

25 de julho de 2013

Porque a restrição calórica o pode fazer engordar


Nos últimos tempos tenho escrito uns artigos algo polémicos aqui no blog. Não sei porquê mas acho que está na altura de dar um abanão a certos dogmas e mitos que infestam a nutrição e o fitness. Continuando na mesma linha, quero agora mostrar-lhe porque a restrição calórica pode, na verdade fazê-lo engordar e piorar a composição corporal. Falo obviamente de uma privação crónica, prolongada, especialmente quando aliada a exercício físico excessivo. Não é tão raro como possa pensar, e existem sinais de alerta a que deve estar atento. É sobre isso que vos escrevo hoje...

24 de julho de 2013

Exercício na saúde cardiovascular: cardio ou musculação, intenso ou moderado?


Os benefícios do exercício na saúde cardiometabólica são de um modo geral reconhecidos. Os médicos prescrevem e recomendam a prática de desporto como adjuvante terapêutico e preventivo das doenças cardiovasculares. No entanto, o que ainda estou para ver é a mudança do velho paradigma do treino de endurance, prolongado por intermináveis e massacrantes minutos, para o treino de alta intensidade e de força, comprovadamente mais eficaz e menos penoso. Nesse sentido, dou o meu contributo ao relata-vos os resultados de um estudo recente que mostra a superioridade do treino de resistência muscular e de alta intensidade em parâmetros de risco metabólico [link].

Antioxidantes e exercício: porque não é boa ideia juntar os dois



Quem segue este blog com atenção sabe onde me situo sobre a suplementação com antioxidantes no exercício físico. Até temos por cá um artigo, já antigo, sobre isso mesmo [link]. É uma matéria que também não dispenso nas minhas aulas de Nutrição Desportiva. E para quem não sabe: são bons, quando necessários. E a verdade é que raramente o são, tornado-se até prejudiciais para as adaptações fisiológicas ao exercício físico quando tomados indiscriminadamente. Reavivo este assunto por causa de mais um estudo que confirma e reforça a minha posição. Ao que parece, a suplementação com resveratrol bloqueia os benefícios cardiovasculares do exercício em homens idosos saudáveis [link]. Estranho? Talvez não...

23 de julho de 2013

Porque deve evitar os hidratos de carbono ao pequeno-almoço


Muitos pensam que o pequeno-almoço deve ser a maior refeição do dia, e muito rica em hidratos de carbono. Eu próprio já pensei dessa forma. Tratando-se da primeira refeição após um longo jejum nocturno, o corpo está sedento por nutrientes e energia. Também há interesse em reduzir os níveis de cortisol que disparam pela manhã. Alguns dizem até que este é um dos momentos em que estamos mais sensíveis à insulina, cessando o processo catabólico em curso durante a noite. A verdade é que tenho investigado bastante sobre este assunto, intrigado com um fenómeno que verifico em mim próprio e em várias outras pessoas: quando ingiro muitos hidratos de carbono de manhã, aveia por exemplo, fico com fome muito depressa. Restringindo o seu consumo consigo gerir muito melhor o apetite pela manhã. Porque será? Neste artigo quero mostrar-vos porque o pequeno-almoço não é o momento ideal para uma refeição de elevada carga glicémica. Polémico? Ora veja...

22 de julho de 2013

Os brócolos e a composição corporal: um alimento funcional


Se há um vegetal que eu não dispenso na dieta são os brócolos. O motivo passa não apenas pela sua riqueza em vitaminas e minerais, como vitamina C, vitamina A, vitamina K, ácido fólico, cálcio, potássio e crómio, mas principalmente pela presença de alguns compostos bioactivos como o kampferol, um flavonóide anti-inflamatório e imuno-modelador, e glicosinolatos, nomeadamente a glucorafanina, gluconasturtina, e glucobrassicina. Neste breve artigo quero-vos mostrar porque a adição de brócolos, e vegetais aparentados, pode facilitar a optimização da composição corporal e o processo de hipertrofia.

Tabaco e álcool: uma associação de risco?


A associação entre o consumo de tabaco e o álcool é bem conhecida. Hábitos tabágicos na adolescência estão relacionados com um aumento do consumo de bebidas alcoólicas no futuro e risco de dependência. Na verdade, é reconhecido que o álcool "puxa" pelo cigarro, e vice-versa. Os mecanismos por detrás desta associação não eram conhecidos, embora se saiba que ambos actuam de forma semelhante a nível dos centros de recompensa no cérebro. Um estudo agora publicado [link] mostra que o contacto prévio com nicotina aumenta o consumo espontâneo de álcool em ratinhos. A sinalização da dopamina em resposta ao álcool, neurohormona associada à "recompensa" e prazer, foi atenuada pela exposição prévia à nicotina. Esta inibição é em grande parte explicada pela activação inicial das hormonas de stress com o tabaco, inibitórias da sinalização nos centros cerebrais de recompensa. Devido a este efeito, há uma tendência a consumir mais álcool para compensar a menor resposta. Estes resultados sugerem que o consumo de tabaco na adolescência pode ser crítico para a vulnerabilidade ao abuso do álcool. Além disso, sugere também que as hormonas de stress, cortisol, são alvos potenciais para terapias de prevenção ou até reabilitação.


Eczema e alergias alimentares nos bebés: talvez de "fora para dentro" e não de "dentro para fora"


E já que começamos o dia de hoje a falar de crianças, mais um estudo muito interessante publicado há dias no Journal of Investigative Dermatology [link]. A associação entre o eczema e as alergias alimentares é conhecida. Pensava-se que reações alérgicas a certas proteínas presentes nos alimentos, como a albumina de ovo, proteínas lácteas de vaca, amendoim, entre outras, provocavam reacções cutâneas que se manifestam com o eczema ou dermatite. Ora, este estudo vem sugerir que a coisa pode ser ao contrário. A exposição cutânea a estes alergénios pode dar origem às alergias e sensibilidades alimentares, mesmo em bebés exclusivamente alimentados com leite materno. Como ainda não tinha havido exposição a alimentos sólidos, estes resultados sugerem que células imunes na pele, e não apenas no intestino, têm um papel crucial na sensibilização a certos alimentos. A degradação da barreira  cutânea com o eczema deixa as células imunitárias da pele expostas aos alergénios ambientais, neste caso alimentos. Assim sendo, as alergias alimentares não se desenvolvem necessariamente de dentro para fora, mas também de fora para dentro, especialmente quando a função protectora da pele está comprometida no eczema.


Para hábitos saudáveis numa criança, não diga... MOSTRE!


Para convencer uma criança a comer vegetais, uma imagem vale mais do que mil palavras. Pelo menos é o que nos diz um estudo recente da Universidade de Iowa [link], no qual ficou demonstrado que apresentar imagens dinâmicas e coloridas de uma salada na cantina pode aumentar o seu consumo até 90%. Esta é uma estratégia já muito utilizada, mas ao contrário. As companhias de fast food fazem publicidade visual agressiva nos media e muitas já apresentam os seus menus em ecrãs digitais com imagens dinâmicas. Ora, segundo este estudo, esta mesma estratégia poderia ser usada para promover hábitos alimentares saudáveis nas crianças.

21 de julho de 2013

Resistência à insulina e Síndrome Metabólica - slides da aula e agradecimentos


E pronto... Ontem foi a última aula da 1ª edição do Curso de Nutrição Clínica da Nutriscience. Coube-me a mim e ao meu amigo Pedro Bastos terminar com um seminário sobre resistência à insulina e Síndrome Metabólica. Julgo que correu bastante bem, embora o tempo tenha sido curto para tratar de um tema tão complexo. Um grupo de alunos fantástico como sempre, com uma diversidade de experiências e motivações que só enriquecem o curso. Obrigado a todos.

A edição deste ano foi um sucesso e em Outubro teremos a segunda. Um curso pioneiro, com a visão integrada, funcional e científica que, a meu ver, tanta falta fazia à Nutrição em Portugal. Mesmo fazendo parte do corpo docente, assisti a todos os seminários e aprendi imenso com os outros formadores, profissionais reconhecidos nas suas áreas de intervenção. Também a vocês um obrigado. Mas o melhor mesmo foram os amigos que fiz, entre alunos e professores, pessoas que partilham comigo o mesmo interesse e dedicação por uma ciência tão "mal tratada" como a Nutrição.

Por agora, aqui ficam disponíveis os slides da minha parte da aula de ontem, sobre a patofisiologia da resistência à insulina e Síndrome Metabólica. Espero que possa ser útil a alguns de vós ;)

19 de julho de 2013

O tempo de mastigação influencia a energia que aproveitamos dos alimentos


Já abordamos aqui as falhas do cálculo tradicional das calorias que os nutricionistas ainda usam [link], baseado em métodos e princípios com mais de 100 anos. Na verdade, não os podemos censurar porque não existe um melhor. O que podemos, e deve ser feito, é dar menos importância aos números e mais ao valor nutricional e saciante dos alimentos. Especialmente no que diz respeito aos de origem vegetal, muitos factores influenciam a quantidade de energia que aproveitamos, como a fibra, digestibilidade, presença de inibidores enzimáticos, tamanho das partículas, etc. Há uma linha que separa a energia que absorvemos daquela que calculamos no calorímetro. Isto para não falar na própria modelação da taxa metabólica em resposta aos alimentos e ao estado energético/hormonal em que nos encontramos.

Um estudo apresentado no meeting do Institute of Food Technologists [link] mostra que o tempo de mastigação das amêndoas afecta a quantidade de energia e nutrientes absorvidos. Quanto maiores as partículas ingeridas, menor e mais lenta a absorção. Nada de surpresas. A digestão enzimática é menos eficiente e parte fica inacessível na matriz fibrosa. O lado mau de tudo isto é que menos nutrientes são absorvidos, como a vitamina E. Mas o lado que menos vejo explorado, comprovado neste estudo, é que  existe um menor aporte calórico.

18 de julho de 2013

A intolerância à glicose está associada a um declínio cognitivo


Um estudo apresentado recentemente no meeting anual do IFT (Institute of Food Technologists) mostra que indivíduos com intolerância à glicose, glicémias pós-prandiais entre os 140 e os 200 mg/dL, apresentam um declínio da função cognitiva no reconhecimento de palavras, aprendizagem, testes psicomotores, etc, mesmo quando aparentam uma saúde normal [link]. Este declínio acentua-se na diabetes tipo 2, progressão natural da intolerância à glicose quando não devidamente gerida através da dieta e exercício físico.

Intolerância à glicose é um sinal de resistência periférica à insulina, embora os dois conceitos não sejam equivalentes. Muito vos tenho falado da resistência à insulina, sem talvez mostrar do que se trata e de como pode ser avaliada. Na próxima semana, depois de uma aula que vou dar precisamente sobre essa questão, fica prometido um artigo sobre o que é realmente a resistência à insulina.


16 de julho de 2013

Exercício ou dieta para perder peso?


A afirmação de que estamos todos mais sedentários é um pouco "falaciosa". É evidente que o nosso estilo de vida se tem alterado no sentido de uma menor actividade espontânea no dia-a-dia, em grande parte pela transição do tipo de economia nas "sociedades modernas". No entanto, nunca como antes houve tantos ginásios e a actividade física estruturada tem aumentado significativamente. Um exemplo paradigmático são os EUA, onde, segundo um novo estudo agora publicado [link], a actividade física tem verificado um aumento considerável, mas que, paradoxalmente, acompanha a crescente taxa de obesidade. Mas o que significa isso na verdade?

15 de julho de 2013

Porque uma dieta "variada" pode minar o seu objectivo de perder peso


Um dos princípios que a maioria dos nutricionistas convencionais aplica nos seus planos alimentares é a variedade. Incluir um leque alargado de alimentos e variar as refeições ao longo do dia e da semana. Embora entenda perfeitamente o objectivo, fornecer uma ampla gama de nutrientes e evitar carências, e até concorde em princípio, considero que é contraproducente quando o objectivo é perder peso. Neste breve artigo, que prevejo bastante polémico, irei tentar explicar porque deve manter uma dieta algo restrita e até monótona para potenciar os seus resultados. Mas para compreender este conceito, é importante que leia o artigo ate ao fim!

13 de julho de 2013

Adoçantes não-calóricos: porque os deve evitar


Já vos escrevi sobre os adoçantes artificiais [link], mas um artigo de opinião da investigadora Norte-Americana Susan Swithers [link], publicado recentemente no Trends in Endocrinology and Metabolism, trouxe o assunto de novo à discussão. Foram precisamente as experiências da investigadora com animais que eu relatei anteriormente. A minha posição relativa aos edulcorantes não-calóricos é clara e conhecida: são de evitar. Hoje discute-se entre a comunidade científica se a introdução destes aditivos na alimentação humana como forma de controlar o peso e diabetes estão a resultar, ou pelo contrário está a piorar ainda mais a situação. Não há prazer sem consequências.

12 de julho de 2013

A obesidade no homem aumenta o risco de disfunções metabólicas nos filhos


Já vos falei aqui da influência que a dieta e estilo de vida paterna tem no desenvolvimento da criança [link]. Não numa perspectiva comportamental e de hábitos, que certamente também terá o seu contributo, mas numa regulação e reprogramação epigenética que ditam o perfil metabólico durante a sua vida. Estamos já mais alerta para os factores de risco maternos, como o tabagismo, álcool, obesidade, e outros,  mas tudo indica que os perigos vêm de ambas as partes. Um estudo com ratinhos agora publicado no FASEB J [link] mostra que a descendência de machos obesos tem uma maior probabilidade de vir a sofrer de obesidade e doenças metabólicas como a diabetes. As fêmeas parecem estar em maior risco, emboras ambos os sexos da progenia sejam afectados de alguma forma. Segundo os dados, a explicação está mais uma vez na transmissão de certos microRNAs, pequenas sequências de ácidos nucleicos que condicionam a expressão dos genes, reprogramando o desenvolvimento do feto e predispondo a um maior risco de disfunções metabólicas.

11 de julho de 2013

Perder peso melhora a memória, seja com dieta "Paleo" ou convencional


Um dos aspectos que mais aflige as pessoas quando envelhecem é a perda de memória. Na verdade, este problema é agravado com a obesidade e ganho de peso ao longo dos anos. Um estudo recente de uma Universidade sueca [link] mostra que a perda de peso em mulheres pós-menopausa melhora significativamente a performace da memória e o "encoding" de nova informação. Segundo estes dados, o padrão de actividade cerebral avaliado por ressonância magnética funcional reflete essa melhoria selectiva em regiões associadas à memória e reconhecimento de faces. Um pormenor interessante deste estudo é que um dos grupos seguiu uma dieta Paleo. No entanto, não foram encontradas diferenças significativas entre estes indivíduos e os que seguiram uma dieta convencional para emagrecer. Sem muito tempo para escrever hoje, queria apenas deixar-vos mais uma razão para perder peso, se for caso disso ;).


-->

10 de julho de 2013

Introdução de alimentos sólidos na dieta do bebé e a Diabetes Tipo 1



A Diabetes Mellitus tipo 1 está a aumentar no mundo, em particular nas crianças com menos de 5 anos. Ao contrário da diabetes tipo 2, mais associada ao estilo de vida e dieta, a tipo 1 é de origem autoimune e manifesta-se cedo na vida. Mas mesmo sendo de origem autoimune, a dieta assume aqui também um papel importante na iniciação do processo patofisiológico que leva à destruição das células beta do pâncreas. Para além da exposição a antigénios alimentares, outros triggers são reconhecidos como o tipo de parto (cesariana aumenta o risco), amamentação, xenobióticos, etc.

9 de julho de 2013

Betaína - novo suplemento para performance desportiva?


Muito sucintamente, quero dar-vos conta dos resultados de um estudo publicado recentemente sobre a utilização de betaína como ergogénio desportivo [link]. Segundo estes dados, a suplementação com 2,5 g/d de betaína durante uma semana pode aumentar a potência muscular em 5,5%. Isto pelo menos em 16 atletas recreativos e jovens.

8 de julho de 2013

Papel da insulina na produção de leite materno


Já poucos põem em causa a importância do leite materno para um desenvolvimento saudável do bebé. É um veículo de inúmeros nutrientes e imunomodeladores importantes para os primeiros meses de vida e que vai ditar o perfil metabólico anos mais tarde. Mas a verdade é que muitas mulheres nas sociedades modernas não produzem leite suficiente. Um estudo publicado recentemente [link] sugere que uma das causas é a resistência à insulina e pré-diabetes, uma epidemia actual no Mundo e comum durante a gestação. Durante muito tempo se pensou que a insulina não desempenhava um papel directo na produção de leite, uma vez que as células das glândulas mamárias não necessitam da sua acção para captar glicose. No entanto, a insulina parece desempenhar um papel fulcral na síntese das proteínas que constituem o leite e na própria lactação. Em estados de insulino-resistência, causada por vários factores que quase invariavelmente passam por excesso de gordura e inflamação/stress crónico, as células deixam de responder devidamente à insulina. Neste caso, essa disfunção da sinalização hormonal pode levar a uma produção deficiente de leite materno.

6 de julho de 2013

Um exemplo de vida...


Não pude deixar de partilhar convosco a história do meu amigo Pedro Correia, um exemplo de vida e de coragem na luta contra o cancro. Uma batalha vencida. O Pedro é especialista em performance no exercício. Conheci-o quando começou a frequentar alguns dos cursos da Nutriscience e formações que dou na área da nutrição desportiva. Para ler e reflectir...

5 de julho de 2013

O ritmo circadiano e a permeabilidade intestinal


Nos últimos tempos tenho-vos falado bastante do papel que os mecanismos de controlo do nosso ritmo circadiano têm a nível metabólico. Não que tenha acordado agora para o assunto, mas porque estamos neste momento a assistir ao nascimento de mais uma vertente clínica: a "medicina circadiana". Uma disrupção dos ciclos dia-noite, como a privação parcial ou total de sono, aumenta o risco de doenças cardiometabólicas, altera profundamente a regulação da homeostase energética (diminui a saciedade), e reduz a sensibilidade à insulina. Além disso, é reconhecido que, por exemplo, uma noite sem dormir aumenta os episódios agudos de doenças gastrointestinais crónicas, como a colite. Apesar de não se saber ainda ao certo qual o processo que une estas variáveis, uma coisa parecem partilhar: inflamação. Num trabalho publicado há dias na PLoS ONE [link], uma equipa de investigadores mostra que a disrupção genética ou ambiental dos factores endógenos de controlo circadiano em ratinhos aumentam a susceptibilidade a esteatose hepática induzida pelo álcool, derivada de uma maior permeabilidade intestinal e inflamação.

4 de julho de 2013

Desafio Men's Health


Há 2 meses a Men's Health e o jornalista João Parreira lançaram-me um desafio. Acompanhá-lo na sua jornada de 12 semanas para um corpo de capa. Confesso que ao início fiquei de pé atrás com a ideia. Embora homens a querer um 6-pack não faltem, poucos são capazes de fazer o que é preciso. E nem sequer é por aí que devemos avaliar a condição física, apesar de ser esteticamente apelativo. Mas não me pareceu ser o caso do João. A sua motivação e empenho fizeram-me acreditar que seria possível e que a minha dedicação não seria em vão. Assumi o aconselhamento nutricional e, em equipa com os personal trainers Bernard Oliveira e Samuel Corredoura, irei acompanhá-lo até ao seu objectivo - ser capa da Men's Health. E até agora não me arrependi em nada!

Mais sobre o sono, saciedade e metabolismo: o GLP-1


Muito vos tenho eu falado da importância de uma boa noite de sono na regulação interna dos nossos mecanismos de homeostase energética e sensibilidade à insulina. É bem sabido que uma noite mal dormida afecta os nossos padrões de saciedade, aumento a fome e ingestão calórica espontânea ao longo do dia. A alteração do perfil hormonal tem sido apontada como o principal responsável, embora ainda não se saiba ao certo que mecanismos estarão envolvidos. Um estudo agora publicado mostra que a privação do sono durante uma noite atrasa em 90 min a resposta do GLP-1 à ingestão do pequeno-almoço, sem influenciar a quantidade total produzida ao longo do dia [link]. Esta alteração da dinâmica secretória pode ajudar a explicar em parte os efeitos da privação de sono a nível metabólico.

3 de julho de 2013

Qual a dose ideal de proteína para potenciar a síntese proteica no período de recuperação?


Se há uma regra que eu considero importante para construir massa magra é a ingestão de pequenas doses (20-30g) de proteína de alto valor biológico, ricas em aminoácidos essenciais, especialmente leucina, a cada 3h do dia. Esta é a dose que parece maximizar a taxa de síntese proteica muscular, um indicador indirecto do nosso estado anabólico, sem exacerbar os mecanismos de oxidação irreversível. Embora considere que já não há grandes dúvidas em relação a este princípio, pelo menos dentro da comunidade científica, foi agora publicado mais um estudo que reforça a importância do polifraccionamento proteico na recuperação e supercomepensação pós-treino.

2 de julho de 2013

Publicidade no blog

Queria apenas fazer uma breve declaração pública relativamente à publicidade aqui no blog. Vieram manifestar o desagrado por aparecer publicidade gráfica às cetonas de framboesa, quando todos sabem a minha opinião sobre elas. E se não sabem podem ver aqui, mas por favor não me fustiguem mais por dizer mal do Dr. Oz... Mas se o fizerem também pouco me importa :P. Tenho o péssimo hábito de dizer o que penso. Bom... A verdade é que os conteúdos publicitários são da inteira responsabilidade da Google e são user oriented, ou seja, relacionados com os temas que os utilizadores mais procuram e o objecto do site. Portanto, eu sou completamente alheio ao que aparece. Podemos ter cetonas de framboesa, coca-cola, smarties e até o novo bestseller da dieta lunar.

Alimentos de alto índice glicémico podem ser viciantes


Estamos já familiarizados com o efeito do açúcar a nível dos centros cerebrais de recompensa e prazer, processos estes controlados em grande parte pela dopamina. Mas será que este efeito é exclusivo do açúcar, ou do sabor doce? Parece que não. Segundo uma equipa de investigadores de Boston, a ingestão de hidratos de carbono refinados, de alto índice glicémico, são igualmente capazes de estimular regiões do cérebro relacionados com o prazer e "vício" [link]. A quebra abrupta da glicémia que se segue ao pico acentuado é acompanhada de fome e uma actividade intensa e selectiva do nucleus accumbens no período pós-prandial, uma região do cérebro envolvida em comportamentos de "vício". Segundo David Ludwig, líder do grupo de investigação, "estas descobertas sugerem que limitar o consumo de hidratos de carbono de alto índice glicémico como o pão branco e as batatas pode ajudar indivíduos obesos a reduzir os ataques de fome e a controlar o impulso para um consumo excessivo".

-->

O sono e o ganho de peso - resultados do maior estudo controlado até hoje


Temos falado aqui do efeito da privação do sono na obesidade e tendência para acumular gordura. Esta associação tem sido validada de forma consistente em estudos observacionais e ensaios clínicos, embora estes últimos pequem pela sua fraca potência tendo em conta o baixo número de indivíduos. Ora, foi agora publicado na revista científica Sleep [link] aquele que é provavelmente o maior estudo controlado em internato feito até hoje, que envolveu 225 voluntários entre os 22 e os 50 anos. Os resultados são tudo menos surpreendentes.

1 de julho de 2013

O exercício físico altera favoravelmente a expressão de genes no tecido adiposo


Que a obesidade tem uma componente genética é um facto. Mas que essa componente seja determinante é discutível. Na verdade, ter uma variante de risco para a obesidade depende do grau em que esse gene é expresso. E esta expressão é regulada a nível epigenético, influenciada por estímulos externos como a dieta e exercício. Uma forma de regular a expressão dos genes é silenciá-los através de metilação na região promotora, impedindo a transcrição do mensageiro que vai dar origem à proteína. Uma equipa sueca questionou-se sobre o efeito que a introdução de exercício físico na rotina de pessoas sedentárias teria a nível da regulação da expressão génica nos adipócitos. É reconhecido que o exercício reduz o risco de doenças metabólicas crónicas, como a obesidade e diabetes. Será que esse efeito protector está relacionado com a modelação do nosso genoma? Parece que sim.