16 de julho de 2013

Exercício ou dieta para perder peso?


A afirmação de que estamos todos mais sedentários é um pouco "falaciosa". É evidente que o nosso estilo de vida se tem alterado no sentido de uma menor actividade espontânea no dia-a-dia, em grande parte pela transição do tipo de economia nas "sociedades modernas". No entanto, nunca como antes houve tantos ginásios e a actividade física estruturada tem aumentado significativamente. Um exemplo paradigmático são os EUA, onde, segundo um novo estudo agora publicado [link], a actividade física tem verificado um aumento considerável, mas que, paradoxalmente, acompanha a crescente taxa de obesidade. Mas o que significa isso na verdade?


É controverso se o exercício físico por si só tem ou não impacto na epidemia da obesidade. Pelas evidências que tenho reunido, a um nível populacional não. Sem uma intervenção a nível dos hábitos alimentares e estilo de vida, um programa de exercício apenas irá muito provavelmente fracassar quando o objectivo é perder peso. Sem controlar as outras variáveis, é sabido que se dá uma compensação energética que passa pelo aumento espontâneo da ingestão calórica e redução da actividade no restante do dia.

Mas isto não significa que o exercício seja menos importante que a dieta. Longe disso. Os dois andam de mãos dadas quando o caminho é a saúde. Vários estudos têm demostrado o papel do exercício por si em atenuar o "peso" da doença e o seu impacto socioeconómico [link]. Por exemplo, um programa de exercício em diabéticos parece reduzir significativamente as níveis de massa gorda abdominal e esteatose hepática (figado gordo). Como já vimos aqui [link], o exercício é mais eficaz do que a restrição calórica apenas para reduzir os níveis os níveis de gordura visceral, aquela que acarreta problemas mais imediatos para a saúde metabólica. Além disso, é também importante para a modelação da resposta ao stress, densidade mineral óssea (treino de força e impacto), otimização das capacidades motoras, e até provavelmente performance cognitiva. Sem exercício físico é também provável que grande parte do peso perdido em dieta seja massa magra. Algo que queremos evitar a todo o custo quando a saúde, e não somente a estética, é a nossa preocupação.

Resumindo a mensagem a duas linhas, se quer perder peso na balança, faça dieta. Se quer perder peso e ganhar saúde, optimize a sua alimentação, faça exercício físico, durma, e aprenda a gerir o stress. A equação para o sucesso.

Esta semana vai ser muito pobre em artigos aqui no blogue. Estou a dedicar todo o meu tempo livre a uma aula que darei no próximo Sábado e que teve de ser construída de raiz. Mas na próxima fica prometido um comentário àquele estudo de que tanto se fala [link]: será que os ómega-3 estão mesmo associados ao cancro da próstata?


3 comentários:

  1. Já agora (se tiver tempo ) podia falar sobre as propriedades preventivas da aspirina em relação ao cancro ?

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  2. Bom dia Sérgio,
    Primeiro agradecer a qualidade e quantidade de informação que partilha.
    Revejo-me neste seu artigo. Tenho 50 anos, 1,66m e há cerca de dois anos e 98Kg comecei a fazer exercício físico num ginásio, duas a três vezes por semana uma das quais com PT. Sem qualquer preocupação ou restrição alimentar, ao fim de ano e meio a perda de peso foi ~8kg. Há cerca de 6 meses decidi mudar os hábitos alimentares e comecei a comer com mais cuidado ( mais vezes, menos quantidade...). O resultado foi impressionante, perdi cerca de 17Kg nestes 6 meses.
    Continuação do bom trabalho
    Carlos Marques

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  3. Atrasei-me um pouco, contudo aqui estou! Amei este artigo a respeito de perder peso. Parabéns! E se assim me permitir, eu tenho uma pergunta na cabeça e estou crente que você pode me dar uma mãozinha nisso. Por que alguns compostos para perder peso, apesar de ilegais em outros países, ainda estão sendo vendidos aqui? Muito obrigado e até o seu próximo artigo!

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