1 de julho de 2013

O exercício físico altera favoravelmente a expressão de genes no tecido adiposo


Que a obesidade tem uma componente genética é um facto. Mas que essa componente seja determinante é discutível. Na verdade, ter uma variante de risco para a obesidade depende do grau em que esse gene é expresso. E esta expressão é regulada a nível epigenético, influenciada por estímulos externos como a dieta e exercício. Uma forma de regular a expressão dos genes é silenciá-los através de metilação na região promotora, impedindo a transcrição do mensageiro que vai dar origem à proteína. Uma equipa sueca questionou-se sobre o efeito que a introdução de exercício físico na rotina de pessoas sedentárias teria a nível da regulação da expressão génica nos adipócitos. É reconhecido que o exercício reduz o risco de doenças metabólicas crónicas, como a obesidade e diabetes. Será que esse efeito protector está relacionado com a modelação do nosso genoma? Parece que sim.

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A equipa submeteu um grupo de homens sedentários com excesso de peso a um programa de exercício aeróbio durante 6 meses [link]. Foram efectuadas biópsias aos adipócitos antes e depois para avaliar o padrão de metilação do DNA. Os resultados revelam alterações significativas, com silenciamento de genes relacionados com os processos patofisiológicos da diabetes e obesidade. Por exemplo, parece existir menor actividade transcricional de HDAC4, um gene que codifica uma deacetilase envolvida na inibição da translocação do GLUT-4 para a membrana. O GLUT-4 é responsável pelo transporte de glicose para a célula, e a menor actividade de repressão por parte de hdac4 pode aumentar a tolerância à glicose e reduzir o risco de diabetes.

Pondo os resultados de uma forma simples, o exercício físico parece alterar a forma como os nossos genes são expressos, favorecendo um perfil protector duradouro contra as doenças metabólicas. Isto só reforça a importância de ser fisicamente activo para uma saúde plena, e o papel do exercício é maior do que a mera perda de gordura. Trata-se de uma optimização global do metabolismo. E a genética não implica determinismo. É possível atenuar a sua influência com a adopção de um estilo de vida saudável, que passe por uma dieta óptima, actividade física, e gestão do stress.

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