14 de agosto de 2013

Os efeitos antagónicos do óleo de peixe e ácido oleico


Os ómega-3 e o ácido oleico, componente principal do azeite, são tidos com fontes de gordura saudável e com impacto positivo no perfil lipídico e controlo da glicémia. Os ómega-3 de origem animal, EPA e DHA, reduzem os triglicéridos, enquanto que o ácido oleico parece diminuir o colesterol. Então, se eu tomar os dois, irei obter um efeito sinérgico com "melhoramento" dos níveis de triglicéridos e colesterémia? Não parece ser o caso. Um estudo recente mostra que o efeito de um é atenuado pelo outro, ou seja, se quer atingir dois alvos ao mesmo tempo não irá acertar em nenhum [link].

Um grupo de homens saudáveis entre os 18 e os 35 anos foi recrutado para uma experiência que consistia na suplementação durante 12 semanas com óleo de peixe, óleo de girassol com 80% ácido oleico, ou combinações de ambos em diferentes dosagens. Foram avaliados o IMC, parâmetros de perfil liípidico, glicémia, insulina e pressão arterial antes e após a intervenção. As tabelas que se seguem detalham os resultados obtidos.


Pode-se entreter a olhar com atenção para os dados acima, que no fundo se resumem ao seguinte: os efeitos "benéficos" de um são atenuados pela adição do outro. Isto é verdade para quase todos os marcadores, incluindo o IMC não representado nas tabelas. De nota, o ácido leico parece reduzir todos os tipos de colesterol, incluído o associado às HDL.

Na verdade, isto faz todo o sentido numa perspectiva biológica da coisa. Os ácidos gordos insaturados partilham vias metabólicas e competem por enzimas. Se fornece vários ácidos gordos que competem entre si, é natural que os efeitos individuais de cada um sejam reduzidos. De acordo com estes dados, a competição não se limita aos ómega-3 e ómega-6, mas o ácido oleico, ómega-9, também igualmente interacções a este nível.

A implicação destes resultados é mais clínica do que na vida do indivíduo comum. Se uma dieta é construída para incidir sobre determinado marcador, digamos nos níveis de triglicéridos por exemplo, então o ácido gordo primário deverá ser os ómega-3, com redução de todos os outros insaturados. Só assim se consegue potenciar ao máximo o efeito para resultados mais robustos e rápidos. Isto não significa que ambos não tenham lugar em conjunto numa dieta, apenas que a interacção entre ambos deve ser considerada numa perspectiva terapêutica, sob o risco de fracasso em atingir um determinado marcador. Nutrição clínica tem de ser precisa e incisiva, baseada em análises e marcadores concretos. Não um tiro no escuro... 


5 comentários:

  1. Qual a gordura a usar para cozinhar peixe?

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  2. Podemos considerar o oleo de girassol igual ao azeite? Os resultados neste estudo poderão ser replicados para quem consome azeite juntamente com omega 3?

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    1. Os óleos em si não podem ser comparados, mas repare que aqui o único elemento considerado foi o ácido oleico. A este nível apenas sim... Serão comparáveis.

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    2. Podemos então esperar um determinado intervalo de tempo(no próprio dia) em que se podem consumir omega-3 e ácido oleico sem que estes compitam entre si, aproveitando assim os beneficios dos dois?

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  3. Boa noite Sergio, faço suplementacao com óleo de peixe as refeições e costumo quase sempre utilizar azeite no tempero de legumes, saladas, etc, devo alterar a suplementacao do omega 3 para fora das horas das refeições? Obrigado.

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