29 de setembro de 2013

Tradução de artigos... Help!

Amigos,

Como sabem eu tenho um novo blog em inglês, o Metabolic Edge. Não é mais do que uma extensão do Fat New World onde coloco alguns dos artigos traduzidos. Mas a verdade é que o tempo para as traduções é escasso, e por isso peço a vossa ajuda. Possíveis interessados em colaborar enviem um e-mail por favor para sergio.veloso@fat-new-world.com com o respectivo orçamento por artigo :).

Cumps!

28 de setembro de 2013

O sono, a melatonina, e o tecido adiposo castanho


Se há coisa que não me canso de sublinhar aqui no blog é a importância do sono na saúde em geral e no controlo metabólico do tecido adiposo. As ramificações da associação são várias e algumas delas poderão revisitar aqui. Um novo estudo publicado muito recentemente revela agora que a melatonina, hormona que regula o nosso sistema cronobiológico, o ritmo circadiano, tem influência na formação de células adiposas e no tipo metabólico, favorecendo a geração de células "castanhas", queimadoras por excelência de gordura e energia [link].

27 de setembro de 2013

Vantagem genética em atletas de potência e força


Existem variantes genéticas, polimorfismos, que parecem conferir vantagem competitiva aos atletas, pelo menos de um ponto de vista teórico. Por altura dos jogos Olímpicos de 2004 esta questão foi muito debatida devido a uma série de estudos que surgiram sobre doping genético, variantes no gene do IGF-1 e miostatina. É legítimo tirar partido dessa vantagem, mesmo sendo algo que nasce connosco? As opiniões divergiram, mas como pode ser alguém discriminado pelo seu background genético? Claro que não é eticamente correcto banir alguém da competição por ter genes mais favoráveis. Em sequência desta polémica têm surgido alguns trabalhos que associam determinados polimorfismos a performance. Por exemplo, um estudo publicado recentemente no Journal of Strength and Conditioning Research  [link] mostra-nos que existe uma prevalência bastante superior de um polimorfismo CC e CT no gene AGT, que codifica para o angiotensinogénio em atletas de potência e força, comparativamente a atletas de endurance ou não-atletas.

26 de setembro de 2013

Ginkgo biloba: o que é e para que serve


Hoje escrevo-vos sobre um tema diferente do habitual, mas ainda assim relacionado com o espírito do blog – saúde (caso ainda não tenham reparado, embora alguns devam achar que vos quero matar). Existem inúmeros suplementos alimentares à base de plantas com alegada acção terapêutica, e uma das mais estudadas é a Ginkgo biloba. Os seus efeitos a nível do sistema circulatório são reconhecidos, sendo indicada para o tratamento de doenças vasculares com algum sucesso. Os potenciais efeitos a nível cognitivo derivam essencialmente do melhoramento da irrigação cerebral, embora possa também ter uma acção a nível dos neurotransmissores. Aproximando-se o frio, e as crises vasculares tão comuns, não há melhor altura para falar um pouco desta planta milenar e dos suplementos que existem no mercado.

24 de setembro de 2013

Os adoçantes artificiais e a resposta cerebral ao doce


Para aqueles que seguem o blog com atenção, não é novidade nenhuma que os adoçantes artificiais não são solução, se é que não são eles próprios um problema. Os nosso organismo não se deixa enganar com facilidade, e pode até sofrer uma desensibilização que desacopla a percepção do sabor doce da chegada de energia disponível [link]. O que que isto quer dizer? O sabor doce é um sinal de chegada de calorias, e o corpo responde a esse sinal com um aumento da taxa metabólica, secreção de hormonas, indução de saciedade, etc. Se o organismo recebe repetidamente esses sinais, mas com um aporte energético nulo (adoçantes artificiais), eventualmente a resposta é inibida mesmo com o açúcar normal, o que nos torna incapazes de controlar a ingestão em refeições subsequentes. Existem vários estudos que apontam nesse sentido, e agora surge mais um no Journal of Physiology [link]. Segundo os dados apresentados, o açúcar, mas não os adoçantes, são capazes de estimular a dopamina, neurotransmissor de prazer e recomenpensa. A disrupção deste mecanismo no cérebro pode levar a um aumento da ingestão espontânea por menor "satisfação", associada essencialmente ao valor calórico e não tanto ao sabor doce.

23 de setembro de 2013

Meu novo blog - Metabolic Edge


Depois de várias pessoas terem insistido comigo para tal, decidi finalmente criar a versão Inglesa do Fat New World. O Metabolic Edge (www.metabolicedge.net) é o meu novo blog, que não vem em substituição deste, mas como um local onde tentarei colocar artigos traduzidos do Fat New World.

Para já apenas um artigo breve de apresentação (aqui), e o site será actualizado com menor frequência que o Fat New World... O tempo não dá para tudo, o que por um lado é bom sinal. Estou envolvido em vários projectos que me limitam a disponibilidade, alguns dos quais noticiarei em breve :)

Fat New World goes international :P Conto tambem convosco para o fazer crescer...

Os suplementos alimentares são inúteis?


Os suplementos alimentares são eficazes ou não? Esta questão daria lugar a uma discussão apaixonada entre dois extremos: os que os consideram perfeitamente inúteis e os que os acham a solução para todos os males. A verdade é que se nos basearmos apenas nos estudos científicos disponíveis chegamos rapidamente à conclusão de que a grande maioria é ineficaz, senão inútil. Mas eles continuam a ser utilizados, e alguns com grande sucesso. Eu próprio uso e recomendo alguns suplementos que considero bastante interessantes em situações específicas. Onde me posiciono eu no meio desta confusão? Sendo um defensor e "pregador" de ciência, não estarei eu próprio corrompido pelo hype, fé, e marketing?

22 de setembro de 2013

Congresso "Nutrição, Alimentos, e Prevenção de Doenças Crónicas" - dia 5 de Outubro, em Lisboa

No próximo dia 5 de Outubro terá lugar o congresso "Nutrição, Alimentos, e Prevenção de Doenças Crónicas", em Lisboa. O evento promovido pela Nutriscience conta com os palestrantes Pedro Bastos, já nosso conhecido, e Stephan Guyenet, investigador da Universidade de Washington e autor do blog Whole Health Source. Com vários seguidores em Portugal e por esse Mundo fora, é uma oportunidade rara para ouvir e conhecer uma das principais referências da blogosfera sobre nutrição e saúde.


As inscrições são limitadas e já se encontram abertas em: http://www.nutriscience.pt/registration_form_foodnutrition.html

Vejo-vos lá!


21 de setembro de 2013

As bebidas carbonadas e a percepção do açúcar


Os refrigerantes são hoje em dia um dos maiores veículos de açúcar nas sociedades modernas, com quantidades brutais por dose que consumimos (salvo seja... não eu) sem dar conta. Segundo um novo estudo publicado na Gastroenterology [link], as bebidas carbonadas reduzem a percepção do sabor doce no cérebro, condicionando os mecanismos de regulação da homeostase energética. O açúcar e o sabor doce são sinais de entrada de energia e satisfação (recompensa). Se nos tornamos incapazes de entender esses sinais de forma eficiente, o resultado é a ingestão de maior quantidade para sentir o efeito. A combinação de dióxido de carbono com açúcar parece actuar precisamente nesse sentido, diminuindo a satisfação e potenciando o consumo desses refrigerantes. Além disso, parece ser também mais difícil distinguir entre com açúcar e adoçantes artificiais nas bebidas carbonadas.

Se por algum motivo ainda continua a beber estas "coisas", será boa altura para parar. E não apenas as regulares com açúcar, mas também as dietéticas com edulcorantes (veja porquê aqui). Criadas para lhe dar prazer, mas são apenas calorias vazias e cocktails de químicos que falta nenhuma lhe fazem.


19 de setembro de 2013

A frutose pode desregular o metabolismo... mas a que comemos ou a que produzimos?


Os últimos anos têm sido marcados por vários estudos que associam o consumo de frutose a uma série de disfunções características da Síndrome Metabólica [link]. Falo de resistência à insulina, esteatose hepática (fígado gordo), ácido úrico elevado, produção de AGEs, hipertensão, etc etc etc. Embora até ao momento isto tenha apenas sido verificado para doses muito altas de frutose pura, presente essencialmente em refrigerantes e não a frutose na fruta, os estudos são claros e inequívocos - a frutose em doses elevadas é má para o seu fígado. E o que é mau para o seu fígado reflete-se no organismo como um todo. Daqui foi iniciada por alguns uma demanda apaixonada contra a frutose que rapidamente caiu em extremismo, o que aliás parece ser a sina da investigação na área das ciências médicas e nutricionais (basta lembrar do colesterol). Então devemos evitar ou excluir a frutose da dieta... Muito bem. De acordo se estivermos a falar de alimentos processados e não de fruta (embora também deve ser consumida com moderação). Mas e se o consumo de frutose fosse indiferente para a associação da mesma com as mencionadas disfunções metabólicas? E se o corpo fosse capaz de criar o seu próprio veneno a partir da glicose que ingerimos em doses muitas vezes absurdas?

18 de setembro de 2013

"Estômagos obesos" e indução de saciedade


Hoje tempo apenas para uma pequena notícia de um estudo recente em ratinhos sobre sobre saciedade [link]. A capacidade de uma refeição induzir saciedade varia muito de pessoa para pessoa, e os obesos têm regra geral uma resposta atenuada. Grande parte desta resposta deve-se ao efeito mecânico dos alimentos sobre a parede do estômago, que estimula os aferentes nervosos vagais a transmitir sinais de saciedade ao cérebro. Neste estudo que vos falo, foram criados ratos obesos com dieta "western" que revelaram menor sensibilidade nervosa ao conteúdo estomacal do que ratos "normais", o que aumenta a ingestão alimentar (menos saciedade). Mas mais importante do que isso, essa resposta anormal não é revertida com a dieta típica destes animais ou perda de peso. Os ratinhos continuam com uma sinalização deficiente de saciedade, o que potencia o consumo alimentar de uma refeição. 

Se estes resultados se traduzirem em humanos, fica evidenciado mais um motivo pelo qual as intervenções dietéticas convencionais para perda de peso são tão ineficazes. Mais alimento é necessário para sentirmos saciedade e a ingestão calórica aumenta, um efeito que permanece mesmo depois de perdermos peso (pelo menos a curto prazo). Achei este estudo interessante porque de alguma forma sinto-o em mim próprio. Como sabem (ou ficarão a saber aqui), tenho um historial de obesidade. A verdade é que ainda sinto a necessidade de comer bastante às refeições, o que consigo controlar com uma ingestão elevada de vegetais e alimentos pouco densos em energia, ou simplesmente contrariando a vontade (o que também é uma forma eficaz...). Talvez seja este o motivo...

17 de setembro de 2013

Dietas cetogénicas e low-carb no controlo do apetite


Existe uma grande controvérsia relativamente à eficácia e segurança das dietas very-low carb ou cetogénicas para perda de peso. Uma relação de amor e ódio. Uns defendem-nas com unhas e dentes, outros acham-nas mais uma fad diet muito perigosa e no limiar da loucura. Outros ainda, como eu, posicionam-se a meio termo. A verdade é que os estudos a médio-longo prazo que comparam um regime hipocalórico convencional a uma dieta restrita em hidratos de carbono, quando todos os outros parâmetros estão controlados (consumo energético, adesão, actividade física, etc), têm falhado em mostrar uma superioridade das dietas low-carb numa janela de 2 anos, os estudos mais longos que dispomos. Uma é tão ineficaz como a outra quando deixamos as pessoas por sua conta. A adesão ao programa diminui com o tempo, bem como a receptividade metabólica à intervenção. Mas quem está "no campo" sabe que a restrição em hidratos de carbono favorece uma perda de peso mais rápida, embora esse peso seja recuperado muito rapidamente quando voltamos a um regime convencional. Este efeito favorável na gestão do peso tem sido atribuído a uma "vantagem metabólica", em que eu não acredito para ser sincero. Na verdade, tudo se parece resumir ao seu efeito altamente saciante, que se traduz numa redução espontânea da ingestão energética. Um estudo agora publicado no Eur J Clin Nutr aponta precisamente nesse sentido [link].

16 de setembro de 2013

A obesidade visceral está associada a uma redução do volume cerebral


Sem muito tempo para vos escrever hoje, fica apenas uma nota para um estudo curioso e interessante sobre a relação entre a obesidade e o volume de matéria cinzenta, que segundo estes resultados se relaciona inversamente com a adiposidade visceral [link]. Por outras palavras, quanto mais gordura abdominal, maior a perda de volume cerebral. Na verdade, sabe-se que a restrição calórica e perda de peso pode reverter a atrofia associada à obesidade, o que deverá estar relacionado com uma melhor sensibilidade à insulina e menos inflamação. Mais do mesmo... A resistência à insulina e inflamação contribuem para a perda de matéria cinzenta e volume cerebral, o que não significa que fiquemos estúpidos... necessariamente. Mas ao que parece, a nossa cintura expande numa relação inversa com o nosso cérebro.


15 de setembro de 2013

O efeito da canela na glicemia e sensibilidade à insulina

A insulina é uma hormona central no metabolismo e partição energética. Infelizmente, a sua função fisiológica normal é facilmente comprometida em pessoas susceptíveis, em estados de inflamação (como a obesidade por exemplo), ou com uma dieta desfavorável. Re-estabelecer uma sensibilidade à insulina é essencial para a optimização metabólica, em particular nos órgãos que contribuem mais para a gestão dos níveis de glicemia e lipidémia, nomeadamente o músculo e fígado. Quando isto é atingido, a capacidade de lidar com os hidratos de carbono da dieta é superior, verificando-se uma maior estabilidade dos níveis de glicose, redução dos triglicéridos, um perfil lipoproteico mais favorável, menor inflamação, aumento da saciedade ao longo do dia, menos cravings, redução da gordura corporal, aumento da massa muscular, maior densidade mineral óssea, redução da tensão arterial, entre outras melhorias significativas a nível metabólico que se traduzem numa melhor qualidade de vida.

Para quem tem excesso de peso, em particular gordura na região abdominal, emagrecer é a melhor estratégia para restaurar a sensibilidade à insulina. O treino de força tem aqui também um papel de destaque. Mas existem alimentos e compostos bioactivos que favorecem directamente a sensibilidade à insulina e tolerância à glicose. Um dos que desperta maior interesse é a canela, mais propriamente um grupo de compostos chamado procianidinas e o cinamaldeído. Quem me procura sabe que enfatizo a utilização de canela em conjunto com as refeições mais ricas em hidratos de carbono sempre que possível, e esta é a razão...

Fails no ginásio...

Só para rir um bocadinho que hoje é Domingo...



14 de setembro de 2013

Sintomas do hipogonadismo nos homens: deficiência em testosterona ou estrogénios?


Falámos há alguns meses do declínio nos níveis de testosterona que os homens experienciam com o passar dos anos [link]. Abordámos também já aqui o papel importante, e por muitas vezes ignorado, que os estrogénios desempenham nos homens [link]. Embora controverso, nos países "ocidentalizados" verifica-se de facto uma tendência decrescente da testosterona com a idade. Tendo em conta que nos homens a produção de estrogénios depende muito dos níveis de testosterona, através da acção da enzima aromatase, é natural que os níveis absolutos de estrogénios fiquem eles também deprimidos com o envelhecimento. Se assim é, quais as consequências disso?

12 de setembro de 2013

Investir no bem estar e saúde dos trabalhadores aumenta o valor da empresa


Apenas uma pequena nota para um estudo que achei interessante, numa perspectiva mais "económica" da saúde. Segundo um trabalho publicado no Journal of Occupational and Environmental Medicine, as empresas que investem no bem-estar e saúde da sua força de trabalho têm mais valor e geram mais dividendos para os investidores [link]. No fundo são companhias mais produtivas e prósperas. Na verdade, várias grandes empresas lideradas por pessoas "com visão" cuidam do bem-estar dos seus trabalhadores. Algumas já têm ginásios dedicados ou protocolos externos, opções saudáveis nos refeitórios, actividades lúdicas de grupo, entre muitas outras medidas que aumentam a satisfação do trabalhador, e, consequentemente, a dedicação ao trabalho e produtividade. Esta estratégia é um investimento e não uma despesa. 


A anorexia e o colesterol: existe associação?


A anorexia como disturbio alimentar tem sido essencialmente associada a factores de risco psico-sociais, dependente das pressões para um corpo idealizado como "perfeito". Mas na verdade, a anorexia poderá ter uma componente genética, e eventualmente metabólica. Sabe-se que muitos anoréticos apresentam níveis de colesterol anormalmente altos para a sua restrição calórica. Investigadores do Scripps Research Institute associaram a anorexia a variantes raras do gene EPHX2, que codifica para a enzima epóxido hidrolase 2, interveniente no metabolismo do colesterol [link]. Não é ainda claro como estas variantes com um metabolismo anormal do colesterol influenciam o risco de anorexia, mas é provável que esteja relacionado com a disposição e ânimo. Baixos níveis de colesterol estão associados com a depressão, e a perda de peso nestas pessoas é muitas vezes acompanhada por um aumento do colesterol e melhorias nos sintomas depressivos. Considerando o importante papel que o colesterol representa na neuroquímica cerebral, este fenómeno não é de todo estranho. A restrição alimentar nos anoréticos poderá actuar no sentido de elevar o colesterol, e consequentemente o bem-estar e humor.

Para já trata-se apenas de uma hipótese que necessita de ser trabalhada e testada. Associação não significa causalidade, mesmo quando nos interessa que assim fosse. No entanto, esta associação não deixa de ser curiosa num paradigma convencional de constante luta contra o colesterol. Os distúrbios alimentares são uma uma das doenças do foro psicológico com maior taxa de mortalidade, e a com maior taxa de suicídio. Mas na verdade, e segundo a hipótese levantada por este estudo, podem ser bem mais do que uma doença psíquica.


10 de setembro de 2013

A arginina pode favorecer um melhor controlo da glicémia após as refeições


Um dos efeitos mais marcantes da resistência à insulina é um controlo errático da glicémia, que geralmente assume valores anormalmente altos após as refeições. Estabilizar os valores de glicose no sangue é uma estratégia eficaz para controlar o apetite, que pode ser conseguida através da promoção da sensibilidade à insulina ou pelas características dos alimentos que ingerimos. Sabe-se que a adição de amêndoas a uma refeição rica em hidratos de carbono reduz o pico e exposição total à glicose. Pensa-se que este efeito possa estar relacionado com uma diminuição da velocidade de absorção de glicose no intestino, favorecendo uma captação faseada com que é mais fácil de lidar. Mas um estudo agora publicado sugere que este efeito pode ter outra explicação [link]. A arginina, um aminoácido encontrado em alimentos como as amêndoas, ovos, e salmão (ou suplementação) em grande quantidade parece favorecer uma tolerância à glicose comparável a alguns anti-diabéticos orais.

9 de setembro de 2013

Porque não deve exagerar na restrição de sal


A par do colesterol e das gorduras saturadas, somos constantemente bombardeados com recomendações para reduzir o consumo de sal. A prevalência de hipertensão arterial em Portugal é das mais altas que se conhece, o que se traduz num elevado risco de doença cerebrovascular ou AVC. O sal, mais precisamente o sódio que o constitui, é de facto um dos vários factores que pode levar à hipertensão. O sódio pode causar alguma retenção de líquidos e hipervolémia, aumentando assim a pressão nos vasos sanguíneos - hipertensão. Mas será que as recomendações generalizadas para restringir o seu consumo são justificadas e "saudáveis"? As necessidades de sódio são iguais para toda a gente? Dirijo-me em particular aos entusiastas do fitness e culturismo que procuram na restrição de sódio um look mais "hard" e denso. Talvez não seja a melhor das ideias adoptar esta estratégia a longo prazo.

7 de setembro de 2013

A flora intestinal e a obesidade: existe relação?


A obesidade vai muito para além do quanto nós comemos. Há variáveis metabólicas e genéticas individuais que não podem ser desprezadas se queremos desenhar uma intervenção de sucesso. Mas para além destas, os últimos anos têm sido férteis em estudos que associam a nossa flora intestinal, microbiota, com a obesidade e tendência a ganhar peso. Isto não é novidade para quem é leitor habitual do blog [link]. O Filo bacterianos Firmicutes parece aumentar o risco, e os Bacteroides estão associados a um efeito protector. Os Firmicutes potenciam a energia aproveitada dos alimentos e fornecer ácidos gordos de cadeia curta que modelam o metabolismo hepático e do tecido adiposo num sentido obesogénico. Sabe-se que na obesidade existe uma preponderância relativa do Filo Firmicutes em comparação com os Bacteroides. Ontem foi publicado um estudo muito interessante na Science sobre esta matéria [link]. O que acontece quando transplantamos a microbiota de indivíduos magros ou obesos para ratinhos germ-free, sem microbiota própria? Com a mesma dieta e ingestão calórica, os animais transplantados com microbiota de obeso ganham mais peso do que os ratinhos com flora de uma pessoa magra.

6 de setembro de 2013

O metaboloma urinário humano


Apenas para vos dar conta de um recurso interessantíssimo que desde há uns dias está disponível para clínicos, investigadores e porque não apenas curiosos. Uma equipa Canadiana tem dedicado anos de investigação ao metaboloma da urina, o conjunto de todos os compostos detectáveis no fluído e que derivam no nosso metabolismo. Os resultados da sua pesquisa estão condensados num novo website, o www.urinemetabolome.ca, onde podemos encontrar uma lista detalhada com os mais de 3000 compostos conhecidos até ao momento, bem como descrição desses metabolitos urinários, implicações patológicas, e referências bibliográficas. A urina é um fluído corporal facilmente acessível por onde os produtos do nosso metabolismo são excretados. Pode dar-nos um quadro preciso do estado de saúde de uma pessoa. Esta descoberta de novos compostos e condensação de dados dispersos espera-se vir a ter um grande impacto nas ciências médicas, nutricionais, farmacêuticas, e até ambientais. O metaboloma urinário foi tema para um artigo na PLoS ONE, acessível gratuitamente aqui. Provavelmente não será do interesse da maioria, mas aqui fica a nota para quem, como eu, encontra grande utilidade nestes recursos para a sua prática.

A privação de sono condiciona as suas escolhas no supermercado


É verdade... mais um pequeno artigo sobre o sono, esse pilar de uma vida saudável que é por tantas vezes descurado. É um tema sobre o qual tenho vindo a falar bastante e uma das lacunas mais frequentes nas pessoas que me procuram - um sono inadequado. Convido-vos a ler mais sobre o tema aqui. A privação de sono, ou simplesmente horas insuficientes de descanso à noite, tem um impacto profundo na qualidade de vida e balanço energético, um factor de risco para doenças metabólicas e para engordar. A disrupção do ritmo circadiano normal, o nosso relógio cronobiológico, desregula o sistema hormonal e influencia a actividade do nosso cérebro. Isto pode também condicionar as escolhas alimentares que fazemos, com uma tendência para optar por alimentos mais "recompensantes". 

Um estudo publicado recentemente mostra que a privação de sono condiciona a decisão durante as compras no dia seguinte [link]. Verifica-se uma tendência para adquirir produtos mais densos em energia e mais comida no geral. Os autores tentaram também relacionar esse fenómeno com os níveis de uma hormona que estimula o apetite - a grelina. Apesar de os níveis de grelina serem mais elevados após privação de sono, esse aumento não se correlacionou com a tendência verificada. 

Mouse de abacate e whey 2 (receita)


Depois do "sucesso" da minha mouse de abacate e whey de baunilha [link para a receita], é tempo para mais uma versão dessa maravilha gastronómica: mouse de abacate, whey e alfarroba!

Ingredientes:

- 200 g de abacate
- 45 g de whey de baunilha ou chocolate (eu uso de baunilha porque é a que tenho em casa)
- Duas colheres de sobremesa de alfarroba
- Canela a gosto
- 1 colher de sopa de sumo de limão

O procedimento é o mesmo. Tudo para o blender ou recipiente para a varinha mágica, ligar, e já está. Os mais "gulosos" podem adicionar uma colher de sobremesa de mel vá...

O abacate tem tendência para oxidar em contacto com o ar. Podem facilmente comprovar isso se descascarem um e deixarem no frigorífico algumas horas - começa a ficar castanho. Claro que neste caso não iriam notar, porque a mouse já é castanha! O limão evita esse processo. Em alternativa à alfarroba poderiam usar cacau para algo mais próxima da tradicional mouse de chocolate... Isso fica para uma próxima ;)


5 de setembro de 2013

A vida sem insulina é possível?


Sempre se pensou que a vida seria impossível sem a insulina. Antes da descoberta da insulina como terapia na diabetes tipo 1, um estado auto-insuficiente na hormona, os doentes viviam poucos anos e restringidos a uma dieta muito hipocalórica, praticamente isenta de hidratos de carbono. A insulina parece essencial à vida nos mamíferos, o que não é estranho dado o papel central que desempenha na regulação do metabolismo dos substratos energéticos e controlo da glicémia. Mas um estudo agora publicado em modelo animal, ratinhos, vem contrariar esse dogma [link]. Ao que parece, animais que não produzem insulina conseguem viver normalmente com monoterapia de leptina. Embora sejam resultados muito preliminares e ainda por compreender totalmente, este trabalho abre portas para novas intervenções sem recurso à insulina e sem os problemas que lhe estão associados.

4 de setembro de 2013

A obesidade saudável: o que é e como diagnosticar


Quando consideramos uma coisa importante, é bom repeti-la para a reforçar. E depois de repetir uma vez, repetir novamente se for preciso. Ainda vejo muitos clínicos a utilizar o índice de massa corporal (IMC) como indicador de risco para todas e mais algumas das doenças associadas à obesidade. Mas como vimos anteriormente [link], o IMC não é um bom indicador de risco porque é insensível à distribuição dessa gordura, relação músculo/gordura, e, muito importante, o estado inflamatório do indivíduo. A ponte entre a obesidade e a doença é de facto a inflamação crónica, e isso tem sido comprovado vezes a fio em inúmeros estudos. É verdade quando falamos de doença cardiovascular, diabetes ou cancro. Então como podemos nós avaliar o risco? Como identificar esse estado inflamatório crónico, mas muitas vezes subclínico, que liga a obesidade ao risco cardiometabólico?

3 de setembro de 2013

2ª edição do Curso Avançado em Nutrição Clínica da Nutriscience


Já estão abertas as inscrições para a segunda edição do Curso Avançado em Nutrição Clínica da Nutriscience, e no qual tenho o prazer de, mais uma vez, integrar o corpo docente. Este ano o curso foi reformulado, contando com novos módulos e novos formadores. Contaremos pela primeira vez com a colaboração do Óscar Picazo, Carlos Tavares, Ana Bastos, Henrique Freire Soares e Staffan Lindeberg. A meu cabo ficará o módulo introdutório de bioquímica nutricional, o módulo de obesidade, que será abordado mais numa perspectiva de composição corporal e que conta com a colaboração da Teresa Manafaia e Carlos Tavares, e uma parte do módulo de Síndrome Metabólica, diabetes e doenças cardiovasculares. Esperemos que seja no mínimo tão bem sucedido como o primeiro! Estamos a trabalhar para isso...

Mais informações e inscrição no site da Nutriscience [link] ou através do e-mail geral@nutriscience.pt. O curso terá início a 31 de Outubro e a data limite de inscrições é o dia 11 de Outubro, imperativamente.




O que farias por uns McNuggets?


Eu bem vos digo para não comerem estas porcarias... lol. Quando a fome aperta:

Mouse de abacate e whey (receita)


Aqui fica uma receita para quem não gosta muito de abacate ou simplesmente para quem procura novas formas do o comer - mousse de abacate. O abacate é uma fruta atípica, mas nutricionalmente riquíssimo. Ao contrário dos seus pares, é pobre em açúcar e rico em ácidos gordos insaturados, fibra, vitaminas do complexo B, luteína (para os olhos!), potássio, flavonóides, e esteróis vegetais. Pode ajudar na optimização do metabolismo hepático e equilíbrio hormonal, favorecendo um balanço ideal entre a progesterona e estrogénios. Recomendado para qualquer mulher com predominância estrogénica, embora todos, e homens incluído, possam beneficiar com ele. Como tal, o abacate é uma excelente e saudável adição a qualquer dieta. Um verdadeiro "super-alimento". O problema é que nem toda a gente consegue gostar de uma fruta que sabe a "azeite". Sem problema... damos a volta.

Ingredientes: 

- 1 abacate descascado (200g)
- 1,5 scoops (45g) de whey de baunilha
- Canela a gosto
- Um pouco de água para facilitar a mistura

Tudo para dentro do blender (ou num recipiente para varinha mágica), ligar, e já está. Uma óptima sobremesa ou snack, e até low-carb, embora não muito pobre em calorias (cerca de 500 kcal, mas altamente saciantes e funcionais: aprox. 30g de lípidos, 35g de proteína, e hidratos de carbono vestigiais). Na verdade estas quantidades até darão para duas doses. Para aumentar o teor em hidratos de carbono basta adicionar uma banana. Fica tão bom ou melhor...

Experimentem!


Publicidade a fast food para crianças: mais aos brinquedos que à comida


As crianças são um alvo fácil e apetecível para as cadeias de fast food. Não só pelo consumo directo, mas também porque arrastam os adultos com elas. A OMS assumiu recentemente que a publicidade a fast food destinada a crianças era desastrosa e com um impacto profundo na epidemia de obesidade que evidenciamos hoje [link]. O marketing é agressivo e explora as fragilidades do grupo a que se destina. Um estudo agora publicado no PLoS ONE revela como a publicidade destinada a crianças e a adultos se distingue [link]. Enquanto que para os últimos se foca no alimento em si, para as crianças centra-se nos brindes, embalagens apelativas, e no espaço do restaurante. Não é a comida que vende, é sim toda uma estratégia de marketing assustadoramente eficaz, veiculada muitas vezes em canais televisivos vocacionados para as crianças. A própria OMS e União Europeia reconhecem a necessidade de regular este mercado, embora a vontade política não se tenha refletido em acções concretas. Tal como acontece para o tabaco por exemplo, a publicidade a fast food para crianças deveria obedecer a regras rígidas, ou desaparecer por completo. Começar por proibir a oferta de brindes com os menus infantis seria um início, o que aliás já é feito em alguns estados Americanos.


2 de setembro de 2013

A importância da cheat meal


Falámos bastante aqui no blog sobre as consequências da privação energética crónica a nível metabólico, numa série de artigos que aconselho ler [link 1, link 2, link 3]. Foram referidas algumas estratégias para solucionar e contornar o problema, embora sem o merecido detalhe. Uma delas é a cheat meal, uma refeição periódica mais "relaxada" onde poderá comer os alimentos "menos próprios" que restringiu durante a dieta habitual. Muitos vêem estas cheat meals como uma espécie de recompensa para aliviar o stress psicológico de um regime altamente restritivo. Mas são bem mais que isso. As cheat meals são na verdade reactivadores metabólicos que permitem obter resultados consistentes durante mais tempo. O objectivo é estimular a leptina, uma hormona que desempenha um papel central na regulação da homeostase energética. Muitas vezes incompreendidas, a importância das cheat meals é menosprezada e as consequências podem ser as que já conhecemos [link]. Como tal, é importante entendermos o papel que estas refeições têm numa dieta de restrição calórica, e como as incluir no seu regime para optimização dos resultados.

1 de setembro de 2013

As estatinas, o LDL-c e o risco cardiovascular: resultados do ICAS


As estatinas são o fármaco do momento, paladinos da luta contra o malvado colesterol. Estas drogas inibem a produção endógena do colesterol e são extremamente eficazes em reduzir os seus níveis no sangue. Como tal, têm sido extensivamente utilizadas na prevenção primária ou secundária da doença cardiovascular, mesmo com o risco de disfunção mitocondrial e neurodegeneração que lhes tem sido associado nos ultimas tempos. No paradigma actual, baixar o colesterol vale o risco. Mas os paradigmas existem para serem mudados. O problema é que o colesterol parece ser um interveniente secundário, sem relação causal, na doença cardiovascular, uma patologia de carácter inflamatório. As estatinas parecem de facto reduzir o risco de eventos cardiovasculares, o que se deverá ao seu efeito anti-inflamatório já descrito, e não à redução do colesterol ou do LDL-c em si. E se esta hipótese que levanto for verdadeira, o que acontece quando damos estatinas a pessoas com doença coronária, mas com baixos níveis de LDL-c? Sim... porque esse perfil de pessoa existe no mundo real.