12 de setembro de 2013

A anorexia e o colesterol: existe associação?


A anorexia como disturbio alimentar tem sido essencialmente associada a factores de risco psico-sociais, dependente das pressões para um corpo idealizado como "perfeito". Mas na verdade, a anorexia poderá ter uma componente genética, e eventualmente metabólica. Sabe-se que muitos anoréticos apresentam níveis de colesterol anormalmente altos para a sua restrição calórica. Investigadores do Scripps Research Institute associaram a anorexia a variantes raras do gene EPHX2, que codifica para a enzima epóxido hidrolase 2, interveniente no metabolismo do colesterol [link]. Não é ainda claro como estas variantes com um metabolismo anormal do colesterol influenciam o risco de anorexia, mas é provável que esteja relacionado com a disposição e ânimo. Baixos níveis de colesterol estão associados com a depressão, e a perda de peso nestas pessoas é muitas vezes acompanhada por um aumento do colesterol e melhorias nos sintomas depressivos. Considerando o importante papel que o colesterol representa na neuroquímica cerebral, este fenómeno não é de todo estranho. A restrição alimentar nos anoréticos poderá actuar no sentido de elevar o colesterol, e consequentemente o bem-estar e humor.

Para já trata-se apenas de uma hipótese que necessita de ser trabalhada e testada. Associação não significa causalidade, mesmo quando nos interessa que assim fosse. No entanto, esta associação não deixa de ser curiosa num paradigma convencional de constante luta contra o colesterol. Os distúrbios alimentares são uma uma das doenças do foro psicológico com maior taxa de mortalidade, e a com maior taxa de suicídio. Mas na verdade, e segundo a hipótese levantada por este estudo, podem ser bem mais do que uma doença psíquica.


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