27 de novembro de 2013

Certificação em Nutrição Desportiva, um curso WellX ProSchool, Nutriscience, e Tudor Bomba Institute

É com enorme prazer e orgulho que anuncio fazer parte do corpo docente da 1ª edição da Certificação em Nutrição Desportiva promovida pela WellX e Nutriscience, e com o selo do internacionalmente reconhecido Tudor Bompa Institute. Este curso é constituído por 6 módulos e dirigido a todos os profissionais na área do exercício, nutrição, e saúde em geral. Mais informações AQUI ou entrem em contacto com a WellX ProSchool. Inscrições abertas!


26 de novembro de 2013

Obesidade saudável: será que existe?


Existe grande contorvérsia em torno daquilo a que se tem chamado "obesidade saudável", um estado em que o excesso de gordura não parece apresentar efeitos nefastos no organismo. São pessoas aparentemente saudáveis e com indicadores de saúde perfeitamente normais, como a glicemia, HDL-c, e marcadores inflamatórios, nem sempre fáceis de convencer de que o seu estado coloca em risco a saúde. O painel bioquímico não reflete isso. Embora numa perspectiva de gestão de recursos faça sentido dar prioridade de intervenção à obesidade patológica, com doenças metabólicas associadas e geralmente com um perfil abdominal, a verdade é que os outros, sem problemas aparentes, não devem ser esquecidos. Já um estudo Espanhol de coorte verificou um risco 700% mais elevado de desenvolver diabetes em pessoas obesas "metabolicamente saudáveis" do que em indivíduos com peso normal num período de 11 anos. Agora, um outro estudo Americano vem reforçar esses mesmos resultados, encontrando um risco muito superior de desenvolver diabetes em todos os padrões de obesidade (OR de 3,9 nos "obesos saudáveis") [link]. O mesmo foi verificado para o risco cardiovascular.

O que isto significa? De uma forma simples, há os obesos com problemas e os que irão ter problemas no futuro. Óbvio que estou a generalizar abusivamente mas percebem a ideia. O aumento do risco de disfunções metabólicas é demasiado grande para ser ignorado, mesmo quando tudo parece-me bem, hoje. É urgente adoptar medidas preventivas o mais cedo possível, e que passam invariavelmente pela perda de gordura e optimização metabólica. Friso perda de gordura e não necessariamente peso. Tenho-me deparado com muita gente de peso normal e gordura excessiva, especialmente na zona abdominal. O deficit em massa muscular é outro problema que anda de mãos dadas com este, e, como sabem, na minha opinião não há optimização metabólica sem treino de força. Daí a importância de uma boa avaliação da composição corporal que complemente a bioimpedância, quando o DEXA não é possível, com recurso a perímetros e pregas cutâneas. Uma ferramenta de grande utilidade no diagnóstico e intervenção para optimizar o metabolismo e saúde.




21 de novembro de 2013

Café ao final da tarde e as perturbações no sono


É do senso comum que ingerir café ou outros alimentos/bebidas cafeínadas pode perturbar o sono, com maior ou menor magnitude consoante a tolerância individual. Um estudo recente avaliou o impacto no sono do consumo de cafeína 3 e 6 h antes de dormir, verificando que em qualquer um destes momentos se verificava um efeito negativo, nem sempre com percepção do mesmo por parte dos participantes [link]. Este estudo suporta obviamente a recomendação de que se deve evitar o consumo de cafeína a partir do meio da tarde, apesar da dose ter sido um pouco alta para os hábitos dos Portugueses (400 mg de cafeína correspondem a uns 4-5 cafés espresso). Curiosamente este foi o primeiro estudo a avaliar o efeito do consumo de cafeína em horários diferentes na qualidade do sono. Como estimulante que é, poderá não só actuar a nível do sistema nervoso mas também provocar um aumento do cortisol em momentos inapropriados, nomeadamente o final da tarde/noite. Como tal, mesmo não sendo sensível o impacto negativo da cafeína nessas horas do dia, é recomendável evitar o seu consumo. E quem vos diz isto é um "viciado" em café... :)


20 de novembro de 2013

O óleo de coco virgem protege contra a peroxidação lipídica


Os potenciais benefícios do óleo de coco virgem não são novos para vocês que lêem o blog, e vão para além do controlo de peso [link]. Ao contrário do refinado, extraído a altas temperaturas, o óleo virgem apresenta um conjunto de antioxidantes polifenólicos que protegem do stress oxidativo, mas que se perdem rapidamente quando usado para cozinhar a temperaturas elevadas. É sabido que aquecer e reaquecer óleos altera a sua estrutura e inicia o fenómeno de peroxidação lipídica que gera radicais livres agressores no organismo, como é exemplo o MDA. Um estudo agora publicado [link] testa em ratinhos o efeito do óleo de coco virgem contra o efeito deletério do óleo de palma oxidado nos níveis de MDA no tecido cardíaco. Embora seja de esperar um efeito protector, não deixa de ser surpreendente a magnitude e eficácia da adição, e não substituição, de 15 ml de óleo de coco na dieta destes animais expostos a peróxidos. Por outras palavras, os ratinhos que ingeriram óleo de coco como aditivo à dieta rica em gorduras oxidadas geraram menos MDA no tecido cardíaco e, como tal, estiveram menos expostos a estas moléculas agressoras.

O óleo de coco não é propriamente uma gordura comum nos países não-tropicais, mas isso não significa que não possa ser introduzida na nossa dieta. Existem vários benefícios potenciais, uns "mais comprovados" do que outros de um ponto de vista científico, que no conjunto suportam um efeito protector da ingestão de uma quantidade modesta de óleo de coco na dieta habitual. Tratando-se de uma gordura muito versátil e de sabor neutro, pode ser adicionada a quase tudo sem prejuízo.


14 de novembro de 2013

Carga ácida da dieta e o risco de diabetes tipo 2


Embora seja um tema controverso, acredita-se que um dos grandes problemas da dieta moderna seja a sua elevada carga ácida, ou seja, o potencial dos alimentos ingeridos em gerar ácidos e baixar o pH dos fluidos. Mas a verdade é que em termos de evidência científica ela fica um pouco aquém do que seria desejável para afirmar com veemência que devemos transitar para uma dieta mais alcalina, rica em vegetais e alguns frutos. Um estudo de coorte agora publicado com mais de 60 000 participantes foi o primeiro de larga escala a associar a carga ácida da dieta com maior risco de doença, neste caso diabetes tipo 2. Segundo estes resultados, um PRAL (Potential Renal Acid Load) elevado associa-se a um aumento impressionante de 56% no risco de desenvolver diabetes em mulheres num período de 14 anos.

13 de novembro de 2013

Mais benefícios dos mirtilos...


Os frutos silvestres são reconhecidos pelo seu elevado teor de antioxidantes, nomeadamente polifenóis, com um efeito bioactivo e protector a vários níveis. Mais ainda os selvagens sujeitos a agressões constantes do meio e que dependem desses fitoquímicos como mecanismo de defesa. Entre os frutos silvestres, os mirtilos estão entre os mais ricos nestes compostos com acção potencialmente benéfica a nível cardiometabólico.

Um estudo publicado recentemente mostra que a ingestão de mirtilos aparenta um efeito protector a nível da função endotelial em animais obesos, propensos a inflamação e hipertensão [link]. Relembro que a disfunção endotelial é considerada "o factor de risco dos factores de risco", ou seja, o ponto para onde todos os factores de risco clássicos convergem. O endotélio é a barreira que separa o fluído (sangue) da face interna dos vasos (íntima e túnica média). É também responsável pela produção de substâncias vasodilatadoras (óxido nítrico e prostaciclinas) e vasoconstritoras (tromboxanos). Quando se verifica um desequilíbrio pendente para a vasoconstrição temos aquilo a que chamamos "disfunção endotelial", um estado também marcado por inflamação, hipercoagulação, e permeabilidade vascular. No fundo, um aumento considerável do risco cardiovascular e arterosclerose. 

12 de novembro de 2013

Análise à proteína Optimum Nutrition 100% Whey Gold Standard


Aqui ficam os resultados da análise a uma das proteínas mais vendidas em Portugal, e no Mundo - Optimum Nutrition 100% Whey Gold Standard. Como poderão ver no relatório, os 80% de proteína alegados pela marca correspondem ao resultado da análise (81,2 g/100 g). Os hidratos de carbono estão um pouco acima do descrito no rótulo, mas alerto-vos para o facto de este método de análise quantificar os edulcorantes como glícidos. Além disso está ainda dentro da margem legal permitida (10%). Concluindo, em termos "macro" a proteína da ON tem aquilo que diz ter. Claro que estamos a falar em teor de macronutrientes e não fontes dos mesmos. De qualquer forma parece-me uma escolha segura e de qualidade assegurada. É a que consumo, e assim continuará...

Mais análises a seu tempo...



10 de novembro de 2013

1 milhão de visitas!

Hoje o Fat New World passou o primeiro milhão de visitas. Um momento marcante na história deste blog que começou como um mero passatempo, mas que rapidamente se tornou uma referência em nutrição e exercício. Algo em que eu tenho muito orgulho e que considero o meu grande sucesso a nível profissional. O conhecimento e experiência só fazem sentido se forem transmitidos, e o Fat New World não é mais do que um veículo para vos falar de uma área que me apaixona e que no fundo está presente em tudo na minha vida. Uma extensão de mim próprio e do meu dia-a-dia. Mas como se costuma dizer, "quando um ensina, dois aprendem". Hoje isto faz todo o sentido para mim. Recebi tanto ou mais do que dei, a todos os níveis. Aprendi muito e cresci como pessoa, cientista e professor. 

Bem sei que nos últimos tempos tenho estado mais ausente, o que se deve a motivos pessoais (mudanças) e projectos que revelarei em breve. Não tem sido fácil conciliar tudo isso com um site que aborda temáticas muito específicas e que requerem estudo e trabalho. Em breve espero que tudo estabilize e possa voltar à frequência de artigos a que vos habituei. Não pensem que o Fat New World perdeu gás. Estou mais motivado do que nunca!

Muito obrigado a todos! 

6 de novembro de 2013

O sabor do azeite activa áreas cerebrais com implicações metabólicas


Sabemos que alguns alimentos iniciam respostas cerebrais que não dependem do seu valor calórico, mas apenas sabor. Lembrem-se do caso dos adoçantes artificiais [link]. Uma equipa de investigadores mostra agora que algo muito semelhante se poderá passar com o azeite, activando uma zona específica do cérebro chamada frontal operculum [link], uma área já associada ao controlo da glicemia e resposta antecipatória à ingestão de alimentos, independentemente do seu valor calórico.

A equipa forneceu a um grupo de voluntários iogurte magro normal, ou iogurte magro com extracto de azeite (apenas influenciando o sabor). O iogurte com extrato de azeite aumentou o fluxo sanguíneo no opérculo frontal, estimulando sensações no cérebro associadas à ingestão dessa gordura. O significado destes resultados não são claros. Mas uma coisa é certa. Tendo em conta a resposta cerebral com implicações metabólicas que o "sabor" dos alimentos parece ter, a visão ultrapassada de uma dieta focada essencialmente nos macronutrientes é demasiado redutora para a complexidade da fisiologia humana.


5 de novembro de 2013

Ingestão deficitária de vitaminas e minerais na Europa


Todos reconhecemos o quanto a dieta Ocidental é pobre, não obviamente em energia, mas no aporte de micronutrientes essenciais. As carências macronutricionais foram praticamente erradicadas do Mundo Moderno, dando lugar a deficiências micronutricionais muitas vezes subclínicas. O caso do Magnésio, Zinco, Selénio e Crómio é bem conhecido. Um estudo agora publicado no British Journal of Nutrition [link] revela que em alguns países Europeus o aporte de certas vitaminas e minerais pode ser deficitário, nomeadamente de vitamina D, vitamina B2, vitamina E, Cálcio, Iodo, Ferro, Selénio, Zinco e Potássio.

4 de novembro de 2013

Primeiro módulo do curso de Nutrição Clínica


No passado fim-de-semana teve lugar o primeiro módulo da 2ª edição do curso de Nutrição Clínica da Nutriscience. Quatro dias intensos com 32h de formação, das quais assumi 16h para falar um pouco de biologia celular, bioenergética, metabolismo, e regulação hormonal. O restante ficou com os meus amigos e colegas Pedro Bastos e Óscar Picazo, que nos falaram de química, lípidos e micronutrientes. Tal como aconteceu o ano passado, o curso iniciou-se com o pé direito e foi um bom prenúncio para o que aí vem. O grupo é fantástico e os meus agradecimentos a todos pela vossa presença e contributo. É sempre óptimo e enriquecedor reunir numa sala pessoas de tão diferentes áreas e experiências. Obrigado também ao Chef Duarte Alves pelos já famosos "Nutribreaks".

Depois destes dias muito atarefados espero voltar ao blog, embora com disponibilidade limitada. Estou em mudanças e é um Inferno…

1 de novembro de 2013

Curso de Nutrição Desportiva, Janeiro-Junho 2014, em Lisboa

Como já vos tinha dito, o primeiro semestre de 2014 será marcado por vários cursos e formações de Nutrição Desportiva e composição corporal que irei dar. Um deles será organizado pela Wood House Training Lab, uma formação creditada e destinada essencialmente aos profissionais do exercício e nutrição. Será composto por 6 módulos, com o primeiro a ter lugar em Janeiro de 2014 e uma frequência mensal, num total de 70 h de aulas e 17 UC. Trata-se de um curso no qual participei desde início na estruturação dos conteúdos, que acredito irem ao encontro das questões e problemas com que se deparam os profissionais e atletas no dia-a-dia. Serão abordados fundamentos de bioquímica nutricional e metabólica, regulação e resposta endócrina, hipertrofia, optimização da composição corporal, endurance, suplementação, doping, entre outros. Em relação a este último espero diferenciar-me da comum abordagem, explicando detalhadamente as características, acção e riscos de cada substância, encarando de frente um problema indissociável da vivência nos ginásios.

Mais sobre o curso e matérias a abordar aqui: http://woodhousetraininglab.com/sub_formacao.php?cd_item=7&cd_formacao=2

Para mais informações contactar a Wood House Training Lab. Inscrições abertas:

info@woodhousetraininglab.com

O curso terá lugar em Cascais, Lisboa.