2 de dezembro de 2013

O vinho tinto na doença cardiovascular


Todos já ouvimos sobre os benefícios do vinho tinto na saude cardiovascular. É um tema que agrada os meios de comunicação pelo seu mediatismo, embora na grande maioria dos casos se tratem de resultados de estudos epidemiológicos com todos os problemas que lhes são inerentes. Associação não significa causalidade e uma série de outros comportamentos confundem a validade da associação numa perspectiva biológica (e não apenas estatística). Por esta razão, julgo ser digno de nota um estudo publicado recentemente sobre o tema [link], mas desta vez um ensaio de prevenção secundária (em pacientes com aterosclerose) em que as pessoas foram submetidas a modificações no estilo de vida (dieta regular vs Mediterrânea, exercício vs sedentarismo) e testado o efeito de 100-200 mL diários de vinho tinto.

Se as modificações no estilo de vida no sentido de uma dieta mais saudável e exercício tivessem sido os factores de maior impacto provavelmente não estaria a escrever um artigo sobre isso. Poucos terão dúvidas a esse respeito. Mas a verdade é que o consumo de vinho tinto parece, por si só, ter um efeito bastante benéfico a nível da lipidémia com uma elevação dos níveis de HDL-c e redução no rácio LDL-c/HDL-c, considerado um indicador robusto do risco de doença cardiovascular. Na verdade o efeito do vinho tinto parece até superior! (o inverso para os triglicéridos, o que é natural tendo em conta o efeito do álcool a este nível).

Não se apressem a concluir que o vinho tinto protege do risco cardiovascular e que tem um efeito mais potente do que um estilo de vida saudável (o que quer que isso seja). Na verdade, as modificações no estilo de vida parecem induzir um efeito mais duradouro e persistente na lipidémia, o que já de si é um indicador discutível do real risco cardiometabólico. Mas os resultados deste estudo apontam para que de facto a inclusão de uma pequena dose de um bom vinho tinto (100-200 mL) na dieta regular possa trazer benefícios a curto-médio prazo. Tendo em conta o teor em resveratrol, quercetina, e outros compostos fenólicos anti-oxidantes e anti-inflamatórios, não é de estranhar um efeito protector sobre uma doença com o carácter da arteriosclerose. Além disso, o efeito calmante e anti-stress (cortisol) que poderá ter é um ponto extra a ter em conta na prevenção de doença e bem-estar.


2 comentários:

  1. É verdade que alguns fisiculturistas usam o vinho tinto antes das provas com vasodilatador? E funciona?

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    1. Tem sido usado, embora já um pouco fora de moda... e funciona sim.

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