5 de agosto de 2014

Influência dos níveis de açúcar no sangue no apetite e desejo de junk food


O nosso nível de açúcar no sangue, glicemia, é mantido estável por um sistema neuro-hormonal contra-regulatório. Quando os níveis elevam a insulina entra em acção, e quando baixa são acionados mecanismos que estimulam a produção endógena ou o apetite. Em hipoglicemia temos fome e vontade de comer alimentos ricos em açúcar e hidratos de carbono, que muitas vezes não os mais saudáveis. Um estudo anunciado recentemente na SSIB mostra que quando a glicemia está mais baixa, o nosso cérebro responde de forma mais activa a imagens de alimentos "apelativos" (junk food), mesmo sem serem verificadas diferenças a nível das hormonas reguladoras do apetite e glicemia. Está reacção é independente do backgroud genético individual uma vez que o estudo foi efectuado com pares de gémeos.

No fundo trata-se apenas de mais uma evidência no sentido do polifracionamento alimentar. A manutenção de níveis de açúcar estáveis, que atenção não são assegurados por refeições estupidamente ricas em hidratos de carbono ou fruta com bolachas/tostas, é uma forma eficaz de controlo do apetite e cravings por junk food e doces.

Bem sei que as dietas com longos períodos de jejum estão na moda, embora acredite que seja uma moda passageira. Sei também que com o tempo vamos criando mecanismos que reduzem o apetite ao longo do dia, mas com as suas consequências. A longo prazo tenho verificado várias disfunções metabólicas associadas a este padrão alimentar, tais como cortisol elevado, redução na testosterona, progesterona e estrogénios, e hormonas tiroideias deprimidas, o que resulta normalmente num perfil de gordura abdominal muito resistente. Isto é particularmente relevante em pessoas que praticam exercício físico, cujas exigências são acrescidas pelo stress fisiológico induzido pelo treino.

3 comentários:

  1. que sugere na ingestão de meios da manha e lanches?

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  2. Olá Sérgio. Já à muito tempo que o sigo e sou mega fan do seu blog. Sendo eu uma profissional de saúde desta área, estou-lhe grata pela partilha de informação. Informação essa sempre muito bem transmitida e fomentada. Aproveito o presente post para lhe pedir a sua opinião e possíveis consequências a curto e longo prazo sobre o tema das "dietas do jejum", nomeadamente (1) aquela em que se faz jejum durante 2 dias da semana e a pessoa ingere cerca de 500-600 Kcal/dia, e também (2) aquela em que se faz um jejum intermitente, ou seja, a pessoa ingere as calorias necessárias às suas necessidades energéticas mas apenas durante um período do dia, passando o restante em jejum. Cumprimentos e continuação de um óptimo trabalho!

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    1. Boa tarde susana. as minhas desculpas pela demora na resta... meses na verdade. Vou escrever sobre isso em breve... cumpts

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