27 de setembro de 2014

Exercício físico, gestão do stress, e depressão


Hoje em dia estamos sujeitos a uma elevada carga de stress, das mais diversas fontes. Trabalho, família, privação de sono, e até exercício físico, para alguns pelo menos. No entanto, até certa medida, o exercício físico é ele próprio também uma estratégia para aliviar esse stress do dia-a-dia. A actividade física é importante para regular a função das adrenais e estimula a produção de endorfinas, neurotransmissores que sinalizam ao cérebro bem-estar e prazer. Um estudo publicado recentemente com modelos animais veio acrescentar à questão. Ao que parece, não é apenas importante o que é bombeado para circulação em resposta ao exercício, mas também a capacidade de remover substâncias prejudiciais da corrente sanguínea.

Em situações de stress nós produzimos uma substância chamada quinurenina. Este composto actua a nível cerebral induzindo um estado depressivo e distúrbios neutro-cognitivos. Por seu lado, o exercício estimula a actividade do cofactor PGC-1alfa1, responsável por algumas das adaptações que conhecemos à actividade física, nomeadamente o aumento da capacidade anti-oxidante, proliferação mitocondrial, maior capacidade energética, entre outras. E uma dessas outras é o aumento da actividade de uma enzima, a KAT, com a capacidade de degradar essa quinurenina em ácido quinurénico. Este produto não consegue passar a barreira hematoencefálica, logo não tem acção nefasta a nível cerebral.

Se a quinurenina está associada ao stress, e se o exercício aumenta a sua degradação e remoção de circulação, trata-se de mais uma forma pela qual a actividade física actua no sentido de reduzir o stress e, mais do que isso, alivia sintomas depressivos. Conheço vários casos em que funcionou muito bem na gestão de situações dolorosas, como a morte de uma pessoa querida, ou um desgosto amoroso. Além disso, sabe-se que a quinurenina está elevada em algumas patologias do foro psíquico, assumindo aqui também um possível papel terapêutico. 

Sem querer entrar na polémica de qual o tipo de exercício mais adequado aqui, há um aspecto que devemos ter sempre em conta - a pessoa. Se a actividade física tem o intuito de ajudar a gerir o stress, então é suposto dar prazer. Até posso achar que o treino de força/resistência muscular é mais benéfico a vários níveis, mas se a pessoa tem um grau de sofrimento e de sacrifício brutal ao fazê-lo, será que é o mais adequado para este fim? Obviamente que não. Não é a pessoa que se tem de adaptar à prescrição, mas sim a prescrição à pessoa. Uma prática muito ignorada tanto na nutrição como na área do exercício.



Mas o exercício físico quando em excesso é também um factor de stress, a somar à enorme carga alostática a que estamos sujeitos hoje em dia (conjunto de todos os factores stressantes da nossa vida). Também aqui "a dose faz o veneno", e é importante perceber a linha que separa os benefícios dos malefícios. É óbvio que, na generalidade, o nosso principal problema é a falta dele e não o excesso. Mas, para quem trabalha nesta área, não são assim tão raros os casos em que a "carga" é demasiado alta para o que o nosso sistema consegue suportar, um sistema já de si muitas vezes debilitado pelo stress e uma nutrição desadequada.


Leandro Z. Agudelo, Teresa Femenía, et al. Skeletal Muscle PGC-1a1 Modulates Kynurenine Metabolism and Mediates Resilience to Stress-Induced Depression. Cell, September 2014

20 de setembro de 2014

1º Congresso Europeu de Nutrição Funcional - 18 de Outubro, Centro de Congressos de Lisboa


É já no próximo dia 18 de Outubro que irá ter lugar o 1º Congresso Europeu de Nutrição Funcional. É com grande honra que me encontro entre os prelectores deste evento, pioneiro em Portugal.

10 de setembro de 2014

2ª Edição da Certificação Internacional em Nutrição Desportiva

Depois do grande sucesso da Certificação de Nutrição Desportiva em 2013/14 em Lisboa e em Aveiro, tendo contado com formadores de referência internacional, entre os quais me incluo com muita honra, e mais de 80 participantes por módulo, está a decorrer o 2º prazo de inscrição até 19 de setembro, com 70% das vagas já preenchidas.

A 2ª edição da Certificação terá início em Lisboa a 4 de Outubro e a 1ª edição no Funchal a 1 de Novembro.

É possível a inscrição também nos módulos/cursos isolados:

· Fundamentos de Nutrição e Metabolismo

· Suplementação e Doping

· Nutrição e controlo de peso

· Nutrição, Hipertrofia e Força

· Nutrição e endurece

· Conceitos Avançados Nutrição Desportiva