8 de dezembro de 2014

Actividade física e a função cognitiva das crianças



Se até hoje houve palavras saídas da boca de alguém que me deixaram estupefacto, foi que as crianças em idade escolar não deviam praticar exercício físico extra-curricular pois isso "desvia" a criança daquela que deveria ser a sua prioridade - a escola. Bem, aqui vai então a minha resposta... 

Um estudo publicado há dias num journal (ou espécie de...) especializado em desenvolvimento infantil mostra por A + B que crianças fisicamente activas ultrapassam largamente os seus pares sedentários nos resultados dos testes de aferição, e têm melhor concentração e atenção [link]. E no que toca à parte mais "biológica" da coisa, as crianças activas apresentam um volume cerebral tendencialmente maior na hipocampo e gânglio basal, áreas envolvidas na função cognitiva e memória.

Segundo os autores, estes resultados podem até sugerir o exercício como intervenção em crianças com déficit de atenção, um problema tão comum hoje em dia e que antes se chamava de "criança mal comportada". Mas a verdade é que pode ser bem mais complexo do que isso e uma intervenção focada no exercício físico e alimentação poderá ter um impacto profundo na aprendizagem destas crianças.

Fora ou no âmbito das aulas, a actividade física é um auxiliar à aprendizagem destas crianças e não um obstáculo. Outro seria deixar de lado as bolachas maria e leite com chocolate. O que esperam que as crianças façam após ingerirem esta quantidade de açúcar? Que fiquem quietinhas a ouvir o ABC? Ou que andem que nem loucas numa "sugar high" que quando acaba dá uma moca de cansaço na certa? Food for thought...

Laura Chaddock-Heyman, Charles H. Hillman, Neal J. Cohen, Arthur F. Kramer. III. THE IMPORTANCE OF PHYSICAL ACTIVITY AND AEROBIC FITNESS FOR COGNITIVE CONTROL AND MEMORY IN CHILDREN. Monographs of the Society for Research in Child Development, 2014; 79 (4): 25

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