26 de janeiro de 2015

Leite "orgânico" e convencional: qual a diferença?


Estava eu aqui a pesquisar na Internet sobre as novidades do Mundo da ciência quando me deparei com um artigo que me pareceu interessante de partilhar convosco. Não o trabalho em si mas algumas reflexões sobre aquilo que conclui. Trata-se de uma revisão sobre as diferenças entre o leite orgânico e convencional no que toca à riqueza nutricional e suas diferenças [link]. O que significa mesmo "orgânico"? Será um selo que confere só por si uma vantagem que justifica o preço? Talvez não...


Muito resumidamente, podemos afirmar que não existem diferenças nutricionais entre o leite convencional e "orgânico" no que toca ao perfil de ácidos gordos, o parâmetro mais crítico e que mais se fala. Existem sim diferenças entre o leite de animais alimentados a pasto e com cereais. O selo de "orgânico" não garante essa diferença, embora em grande parte dos casos os animais sejam de facto alimentados a erva, tal como é suposto serem. Mas se os cereais forem orgânicos, é "orgânico" na mesma, e com um perfil de ácidos gordos exactamente igual ao convencional.

Claro que podemos e devemos levantar a questão das hormonas e anti-bióticos usados na produção intensiva, embora encontre um pouco de exagero aqui tendo em conta a regulação Europeia. E mesmo assim, convém não esquecer que o leite é uma secreção de uma glândula animal, e claro que é um veículo de hormonas bovinas como o sulfato de estrona, biodisponível no Homem, e factores de crescimento. A isto acrescentamos casmorfinas [link] e outros peptidos reactivos com o sistema imunitário. O mesmo para resíduos de fármacos, embora dentro dos tais limiares de segurança definidos em legislação [link]. No entanto, a dose faz o veneno. Mesmo em pequena quantidade, a exposição dependerá sempre da quantidade de leite que ingerimos, e há pessoas que não bebem propriamente pouco (mais do que água). Todos sabem qual a minha posição sobre o leite, e para os que não sabem, não vejo qualquer interesse no seu consumo, antes pelo contrário. Orgânico, convencional, sem lactose, com cálcio adicionado, cru, de chocolate ou do que for.

Mas e em relação à carne? Existem diferenças entre o convencional e orgânico? Na verdade, é exactamente a mesma coisa. No que toca ao perfil de ácidos gordos e qualidade nutricional, o que conta é a alimentação dos animais - ervinha ou cereais. A carne de um animal alimentado a pasto é mais magra e rica em ómega-3, e a aparência macro é totalmente diferente:



Além disso, o perfil de ácido gordos é também distinto e a alimentação com cereais reduz drasticamente a quantidade de ómega-3 presente:


Dito isto, o critério para escolha não deverá ser o "orgânico", mas sim "alimentado a pasto". Isto sim é uma garantia de maior qualidade nutricional e perfil de ácidos gordos. É o que faz realmente a diferença. Um pouco à semelhança do que acontece conosco. O que comemos influência a qualidade da nossa carne.

1 comentário:

  1. Olá Sérgio,

    Mais um artigo interessante, curiosamente no mesmo dia que saíu outro do mesmo modo interessante noutro site da área dos "vegetarianos" :), com o Mito da "produção de leite em vacas felizes"

    http://www.sociedadevegan.com/o-mito-das-vacas-felizes-nos-acores

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