2 de fevereiro de 2015

Dietas de restrição calórica, apetite por doces, e serotonina: existe ligação?


Não é fácil manter uma dieta de restrição calórica, e o andar de cima (cérebro) é um dos mais afectados quando decidimos entrar em privação de livre e espontânea vontade. Aqueles cravings por açúcar e hidratos de carbono refinados, irritabilidade, ansiedade... Tudo isto são sintomas comuns que ouvimos muitas vezes relatados. Será apenas uma questão de força de vontade? Ou haverá algo de neurofisiológico em tudo isto? Um estudo acabadinho de sair do forno traz uma possível explicação para a mesa. A privação energética provoca reduções nos níveis plasmáticos de leptina, nada de novo [link], e também de tripfonano. Este último é o aminoácido percursor da serotonina, um neurotrasmissor de relaxamento e bem-estar [link].


Para muitos isto é uma situação familiar, especialmente para as mulheres que são mais afectadas por esta redução de serotonina [link]. E se a serotonina baixa, o organismo "deseja" avidamente alimentos que estimulem a sua produção (hidratos de carbono e algo que ponha a insulina na Lua), de forma a devolver aquela sensação de bem-estar e prazer. E nada melhor para isto do que um pacote de Oreos, chocolate, ou coisa do género...

E o que fazer para minimizar isto? Bom, uma coisa é certa... Não encharcar em proteínas ricas em ricas em BCAAs que só vão piorar a situação. Isto inclui a whey, embora esta possa ser integrada num programa de redução de peso no contexto de uma dieta "equilibrada" [link]. Equilibrada aqui significa com as correctas proporções de aminoácidos, e não 5 porções de fruta por dia, tostas integrais e queijo fresco. Lembrem-se de os BCAAs competem com o Triptofano pela passagem através da barreira hemato-encefálica. Já chegava ele ser pouco, não queremos que não consiga chegar até ao cérebro.

Uma outra porta aberta é para a suplementação com Triptofano, ou o seu derivado 5-HTP. Apesar da literatura ser controversa relativamente a este último, algumas pessoas reportam de facto uma redução dos cravings por doces e ansiedade enquanto em dieta. E talvez venha este estudo agora mostrar porquê. A suplementação vai compensar a redução na concentração que se verifica em dieta, e a menor produção de serotonina. Mas na verdade, não existem ainda estudos que comprovem a eficácia do 5-HTP, e para já fica na prateleira dos suplementos "experimentar para ver". Eu já vi, mas nem sempre...

Alguns alertas para o 5-HTP: link

1 comentário:

  1. Caro Sérgio Veloso.

    Sigo o seu blog há bastante tempo e recomendo-o a quem me questiona além dos meus saberes.
    Escrevo para lhe dar o meu feedback. Eu tomei 5-HTP numa determinada altura e senti que os meus níveis de serotonina aumentaram, assim como a consequente diminuição de cortisol, é certo, associado a exercício físico de treinos intervalados de alta intensidade.

    Cumprimentos, continuação de um bom trabalho.

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