12 de fevereiro de 2015

Síndrome pré-menstrual: apetite por doces e sintomas associados


As mulheres sentem grandes mudanças no seu corpo ao longo do ciclo menstrual, e a fase mais crítica é mesmo o período que antecede a menstruação. Aqui normalmente o apetite por doces dispara, a retenção de líquidos atinge o desconforto em muitos casos, e as flutuações de humor são as que todos sabemos (principalmente os homens...). São várias as vezes que me perguntam porquê, e hoje foi mais uma dessas vezes. Porque não escrever um artigo breve sobre isso?


Ao longo do ciclo menstrual os níveis hormonais variam imenso como podem ver na imagem abaixo.


Na fase pré-mentrual, ou final da fase lutea, as hormonas progesterona e estradiol estão no seu auge e, quando devidamente equilibradas, este período passa mais ou menos "despercebido". No entanto, os desequilíbrios hormonais e a dominância estrogénica são comuns hoje em dia, provocados por imensos factores como a resistência à insulina, excesso de cortisol (que antagoniza a progesterona), xenoestrogénios, entre muitos outros factores. A resistência à insulina e o estado "hipersecretório" em que os maus hábitos alimentares gerais coloca são particularmente importantes já que aumentam a produção de androgenios a nível das adrenais, posteriormente convertidos em estradiol pela enzima aromatase, estimulada pelo cortisol. A situação piora se tivermos em consideração que a estradiol pode aumentar o cortisol [REF], e este último aumentar a actividade da enzima aromatase.

Quando o estrogénio domina sobre a progesterona, uma série de sintomas instalam-se. A médio prazo podemos ter um exacerbar do perfil ginóide de acumulação de gordura, e mesmo a entrada num processo de fadiga adrenal e resposta deficiente ao stress [REF]. Podem igualmente reduzir a taxa metabólica por aumento da TBG (Thyroid-binding Globulin) e redução da fracção livre de T3. No entanto, são os efeitos a curto prazo que nos interessam mais aqui. O estrogénio aumenta a produção de aldosterona [REF], uma hormona produzida nas adrenais e responsável pelo equilíbrio electrolítico - provoca retenção de sódio e, em consequência, de líquidos. Daí a sensação de inchaço e edema que as mulheres experiência nesta fase. Também não é de estranhar então que quando a dominância estrogénica se prolonga, passemos a um estado de fadiga adrenal em que a glândula não responde ao stress com a produção de cortisol. A aldosterona é produzida a partir dele, e temos o chamado cortisol steal.

Se o cortisol aumenta em resposta ao excesso de estrogénios, até o limiar em que o efeito começa a ser contrário, o apetite por doces vai também aumentar [REF]. Isto é também verdade quando a fadiga adrenal se instala, se for o caso. Mas os estrogénios também alteram o perfil de neurotransmissores, reduzindo a densidade de receptores de dopamina [REF], um neurotransmissor de prazer e recomepensa, e aumentam a actividade da noradrenlina, induzindo irritabilidade. Quando a dopamina "não funciona", o corpo pede aquilo que a vai aumentar - açúcar [REF]. O problema é que os receptores não são sensíveis à sua acção, e inicia-se um ciclo vicioso de cravings por açúcar. Comemos doces, a resposta hedónica não funciona, os níveis de açúcar flutuam, e sentimos ainda mais necessidade de açúcar.

O que fazer? Controlar as hormonas e restaurar o equilíbrio entre estrogénios e progesterona no corpo. Várias coisas podem ser feitas a nível de dieta, suplementação e, essencialmente estilo de vida.  Em muitos casos o síndrome pré-menstrual é debilitante e gera perturbações alimentares nem sempre fáceis de resolver no período pós. Não é uma inevitabilidade, e pode ser controlado. A base fica aqui, as estratégias vêm depois... :)

E pronto... Queria apenas escrever algo muito rápido nesta meia hora livre. Tenho andado afastado do blogue estou estou a preparar o 2º Módulo do Curso Avançado de Nutrição Clínica, onde o tema serão os antioxidantes e micronutrientes [link]. Para aqueles que vão assistir, até lá! Para os outros, até breve :)

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