30 de março de 2015

Deficiência em zinco e inflamação crónica



Uma das deficiências nutricionais mais comuns na população é o zinco, um mineral com múltiplas acções a nível metabólico que vão desde imunidade, tiróide, função neurológica, fertilidade, crescimento, protecção antioxidante, entre muitas outras. O comprometimento da função imunitária é de facto um sinal precoce da carência em zinco, e um estudo recentemente publicado na revista Molecular Nutrition and Food Research [LINK] vem agora mostrar que a falta de zinco leva um um estado de inflamação crónica mediado por alterações na função dos monócitos, células do nosso sistema imune.


Os autores verificaram que a carência em zinco provocou uma hiper-reactividade dos monócitos quando activados, marcada por uma produção exagerada de IL-1b e IL-6. Estas citocinas têm uma acção sistémica de carácter pró-inflamatório. Além disso, a deficiência em zinco levou a alterações na própria expressão do gene da IL-6, com uma redução na metilação do promotor, sinal de uma maior activação transcripcional e escape aos mecanismos regulatórios.

Esta cronificação da inflamação é um conhecido factor de risco para o desenvolvimento de doenças cardiometabólicas e disfunção generalizada dos nossos sistemas orgânicos. A resistência à insulina é provavelmente o melhor caracterizado, mas podíamos também mencionar problemas de pele, deterioração da função cognitiva, e dano tecidual/órgãos generalizado com comprometimento da função. São inúmeras as doenças associadas a um estado inflamatório constante e crónico.

Para uma imunidade competente é necessário garantir um status adequado de zinco mas, na verdade, é das deficiências nutricionais mais prevalentes no mundo moderno. Quem está em risco? Não só um baixo aporte alimentar é comum, como também se verifica frequentemente em pessoas com distúrbios gastrointestinais, consumo de álcool, grávidas, mulheres que tomam a pílula, idosos, atletas, vegetarianos, e por aí fora. Nestes últimos, pelo elevado aporte de anti-nutrientes (fitatos, taninos, e outros) e baixo consumo de alimentos ricos em zinco, é bastante comum encontrar deficiências sub-clinicas em zinco. O zinco também está presente em fontes vegetais, mas normalmente complexado com anti-nutrientes que reduzem a sua biodisponibilidade.

Fontes de zinco: ostras, marisco, carne vermelha e branca, oleaginosas, sementes, grão e cereais integrais (mas com anti-nutrientes associados que reduzem a sua diodisponibilidade).

A avaliação do status de zinco é de extrema importância e deveria fazer parte de um painel básico de prevenção. A meu ver, devido à prevalência elevada, é um problema de saúde pública com solução relativamente expedita. Embora alguns sinais físicos possam ser interpretados como carência em zinco, como as manchas brancas nas unhas por exemplo, a quantificação, de preferência zinco eritrocitário, não é desnecessária mesmo nestes casos. Muito mais poderia ser dito sobre o zinco, como o efeito da carência no síndrome eutiroideu [LINK], também ele muito frequente nos dias de hoje.

2 comentários:

  1. Olá Sérgio :)

    Passei só para agradecer todo o trabalho que tens vindo a desenvolver na procura e divulgação de informação de grande relevância.
    Já sigo o blog há alguns anos, e tem-me ajudado imenso em termos profissionais na tomada de decisões e posições relativamente a diversos temas, polémicos ou não!
    Fazes um trabalho excelente na forma como trabalhas toda a informação e evidência científica que vai sendo divulgada e isso é de louvar e de reconhecer, nem que seja com um simples 'obrigada'!

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