18 de agosto de 2015

Estás em Overtraining? Parte 3: níveis de ureia


Os dois artigos anteriores dedicaram-se ao diagnóstico de overtraining através de um questionário de sintomas simples [LINK], ou o teste POMS (Profile of Mood States) [LINK]. Como vos disse, são ainda provavelmente a melhor forma de avaliação devido à inexistência de parâmetros bioquímicos com valores de corte definidos. No entanto, a esta avaliação psicológica devemos aliar alguns indicadores que justifiquem o estado de disfunção em que o atleta se encontra, e um deles é a ureia.

E como um indicador tão corriqueiro pode ser utilizado para inferir o estado de um atleta? A ureia é normalmente pedida como um indicador da função renal. Em estados catabólicos como o overtraining, a destruição muscular e o ambiente hormonal desfavorável (rácio testosterona livre/cortisol que iremos falar mais à frente), fazem com que mais aminoácidos sejam utilizados pelo fígado como fonte de energia ou substrato neoglucogénico (produção de glicose), e mais amónia tem de ser eliminada pelo organismo sob a forma de ureia. Um paralelismo é a baixa ingestão de hidratos de carbono aliada e um consumo proteico elevado. A proteína ingerida é utilizada como energia, e mais ureia é formada.

Portanto, um atleta a entrar num estado de fadiga fisiológica tem normalmente, mas nem sempre, níveis de ureia altos. No entanto, os níveis de ureia irão também depender da própria dieta (teor em proteína e hidratos de carbono), pelo que poderão elevar no contexto de uma alimentação hiperproteica, comum entre os "atletas de ginásio".

Obviamente que a ureia não é o indicador analítico mais específico, nem pouco mais ou menos. Mas é um parâmetro avaliado em qualquer painel básico, e que, em conjunto com a sintomática, poderá indicar ao terapeuta um estado catabólico exacerbado como o overtraining. Falaremos em breve de outros mais específicos...

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