25 de setembro de 2015

A curva do conhecimento e o estado actual do Fitness e Nutrição


Quanto iniciamos o estudo de uma determinada matéria que nos apaixona, especialmente quando se trata de algo que é parte intrínseca das nossas vidas como o exercício e a nutrição, há aquele momento em que temos a ilusão da mestria no assunto. A vontade de opinar de forma autista e radical sobre o tema é tão grande que ninguém nos pode aturar. Infelizmente, a vontade de opinar não é proporcional ao domínio da temática. Estamos na zona de perigo do "eu sou especialista", em que pensamos saber mais do que realmente sabemos. Na verdade, à medida que vamos amadurecendo o conhecimento, e acima de tudo a nossa consciência científica, entramos em dúvida e conflito. Apercebemo-nos do quanto ainda há para desvendar e surgem novos problemas e associações que nos 
dão um nó à cabeça. Pensamos saber cada vez menos, não por estupidez ou demência, mas pelo alargamento dos nossos horizontes.

Um grande problema que vejo hoje é que o próprio ensino cria os "eu sou especialista" e a ilusão do conhecimento da verdade absoluta. Criamos profissionais que sabem vomitar directrizes que não são mais do que convenções de um painel de "eu sou especialista"'s (HAZARD!). Não se criam mentes críticas, não se estimula o pensamento autónomo, e não se ensina a relatividade da "verdade" (não exactamente o mesmo que se aplica na política). Em ciência, o que é verdade hoje pode deixar de o ser amanhã, e a minha verdade não tem de ser igual à tua. A verdade é relativa a uma realidade e a um espaço temporal. Quando existem duas posições distintas, a verdade geralmente anda algures pelo meio. Isto não significa que não devamos assumir uma posição. Isso é "cobardia científica". Temos é de estar preparados para aceitar a dos outros, a crescer com ela.

Infelizmente o mundo do Fitness e da Nutrição está cheio de profissionais no estádio intermédio da curva de conhecimento, o perigoso "eu sou especialista". O primeiro passo para chegar à sabedoria é ter consciência e abraçar a nossa própria ignorância. Quando interiorizamos a verdadeira dimensão do conhecimento e percebemos o quanto somos "pequeninos", estamos prontos para passar ao outro o nosso saber, e principalmente as nossas dúvidas. Elas geram problemas, elas fazem avançar a ciência. A humildade de dizer "não sei", mas ir procurar uma resposta plausível. Pois na verdade todo o conhecimento científico é abstracto. Criações do intelecto humano. São modelos que explicam uma realidade, e a todo o momento pode surgir um que melhor se adapta. Se de uma aula minha sais com dúvidas que antes não tinhas, então fui o professor que quero ser.

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