7 de outubro de 2015

Now I became Death. The Destroyer of Worlds


Não é por acaso que começo este artigo de forma dramática, citando o físico Robert Oppenheimer responsável pelo projecto Manhattan, quando a bomba atómica que construiu arrasou por completo a cidade de Hiroshima - "Agora tornei-me a Morte. O destruidor de Mundos". Mas podemos julgar a intenção de Oppenheimer? Podemos responsabiliza-lo pelo que aconteceu em Hiroshima? Pode a tecnologia ser alvo de julgamento e de juízos de valor? Para ele, era um avanço científico. Para o exército Americano, uma arma de destruição massiva.

Em ciência é muito importante percebermos esta dualidade e relatividade. A tecnologia não tem intenção. As pessoas têm intenções com o uso que lhe dão. Edison saberia quando inventou a lâmpada incandescente ou a corrente alterna que isso iria alterar por completo a nossa cronobiologia, e que essa tão brilhante inovação é hoje apontada como uma das maiores violações à nossa fisiologia, levando-a ao limiar da patologia? A exposição à luz branca artificial à noite, mais especificamente à frequência do azul no espectro, é captada por receptores sensoriais no núcleo supraquiasmático que regula nos nossos biorritmos. Inibe a produção de melatonina pela glândula pineal, de leptina pelas células adiposas, e inverte o padrão de secreção de cortisol. Se o Edison soubesse... Provavelmente inventaria na mesma!

A lâmpada incandescente foi um dos maiores avanços tecnológicos de sempre, e está na base da sociedade como a vemos hoje. Luz, televisão, smartphones, e muito mais. Abdicariam disto? Eu não. Não devemos negar a tecnologia, devemos sim dar-lhe o melhor uso para nosso proveito. Ainda bem que o desgraçado do Edison inventou a lâmpada. A tecnologia nuclear alimenta cidades e hospitais. Não me via a viver de outra forma, mas talvez, conscientemente, fosse possível evitar a exposição depois das 21:00, não ir para cama agarrado ao iPad, ou ficar sentado à frente da TV até adormecer. E já agora uma curiosidade. As velas não emitem  radiação na zona do azul. Não têm os mesmos efeitos. 

2 comentários:

  1. Sérgio, existe alguma alternativa à lâmpada normal, que emita menos radiação? (sem ser as velas :) )

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