19 de novembro de 2015

Porque precisas de um Personal Trainer?


Não sou profissional do exercício mas é uma área que me fascina e pela qual tenho um carinho especial. Apesar de lecionar disciplinas de endocrinologia do exercício e nutrição desportiva, a componente do treino ultrapassa os limites do meu conhecimento consolidado, e o superficial não me satisfaz. Com os meus bem recentes 30 anos, conto já com 14 a treinar de forma séria e privilegiado no que toca às pessoas com quem me fui cruzando e aprendendo. Mas a prática não faz de mim um entendido, e mesmo entre profissionais da mesma disciplina, anos de rodagem não é estatuto nem sinal de sabedoria. Vinte anos a cometer os mesmos erros, sem evoluir, só nos fazem 20 anos mais velhos, e com um rasto de dano onde tocámos.

É interessante como toda a gente acha que sabe sobre treino, ou como esperam que um plano tirado da algibeira seja adequado à individualidade e objectivos de cada um. Vamos ao ginásio levantar uns pesos, fazer cardio, tiramos um plano da net e vamos imitar o Ronnie Coleman, pedimos ao instrutor de sala que nos prescreva com base em pouco mais que nada pois nem 5 min esteve connosco. Extrapolamos o conceito de fitness de realidades que já não existem porque é romântico voltar às origens. Mas na nossa selva, o leopardo está longe de ser o mais adaptado, e o nosso sistema está sobrecarregado com factores externos de stress que não combinam com certos modelos de fitness.

Como tenho vindo a sublinhar, o exercício é um stress. Um stress que gera adaptações positivas e protectoras quando a nossa capacidade de resposta o permite - resiliência. Num sistema débil, sobrecarregado, que infelizmente é comum nos dias que correm, a capacidade de lidar com esforços físicos de alta intensidade é menor. A linha que separa a fisiologia da patologia é cada vez mais estreita. Daí ver com tanta frequência sinais do chamado Síndrome de Overtraining ou Sobre-Solicitação Neuromuscular em "atletas da vida", um campeonato cada vez mais exigente e viciado. A capacidade de ver o ponto de equilíbrio de um sistema, de uma pessoa, é um dom que dá muito trabalho e requer muito estudo. E é por isto que os Personal Trainers são importantes. 

Uma sessão com um Personal Trainer não é um encontro que marcas na agenda e muito mais do que um compromisso que assumes para manter o foco. É um tratamento que vais fazer, é uma orientação para o teu objectivo no respeito integral às tuas capacidades e necessidades. Isto sim torna-te mais forte, mais resiliente no dia-a-dia. Não precisas de ninguém para contar as repetições, ou para carregar os pesos. Muito menos para falar sobre a bola. Consegues fazê-lo mais barato com um amigo, e isto não vale 40 ou 50 eur por hora. Duas vezes por semana, são perto de 400 eur por mês. É bom que justifiquem este investimento.

Infelizmente, o mercado de PTs não é regulado e o cliente, na maioria dos casos, não tem ferramentas para escolher "o melhor". Faz a sua escolha pela empatia, que não deixa de ser importante já que se vão aturar mutuamente com alguma regularidade, ou vai com o primeiro que o aborda e pressiona para fechar. A política da maior parte dos grandes ginásios em alugar instalações aos Personal Trainers também não garante a qualidade de um serviço que, na verdade, é externo à empresa. Uma cédula profissional não chega. Mas felizmente vejo clientes cada vez mais criteriosos e informados. Orientados pela recomendação de um amigo satisfeito, ou à procura dos mais capacitados do ponto de vista técnico para o objectivo a que se propõem.

Não é fácil responder à pergunta "quem é o melhor PT", mas não é necessariamente quem mais vende. Um Personal Trainer precisa de um conjunto de qualidades que, além da competência técnica, garantam a adesão do cliente e manutenção com o plano de treinos. Um conjunto de qualidades técnicas e sociais. Se o cliente não aderir, o "tratamento" não serve de muito por melhor que seja a formação do profissional. Nem todos conseguem reunir o melhor destes dois mundos, mas existem perfis de clientes que se encaixam em ambos.

Durante 14 anos treinei sem Personal Trainer, com resultados que posso considerar bons. Em retrospectiva, não precisaria de um. Em prospectiva, é dos melhores investimentos que poderia fazer. Porquê? Motivação não é o meu problema. Também sei contar repetições felizmente. Sei o que tenho de fazer para ganhar massa muscular, e sei o que preciso para perder massa gorda. O que eu não sei é avaliar a minha performance interna. Identificar os elos mais fracos do sistema e fortalecer, pois é por aí que tudo irá colapsar eventualmente um dia. Também não sei desenhar os exercícios mais adaptados à minha realidade anatómica e fisiológica. É para isto que pago a um PT. Para fazer com ele o que não sei fazer sozinho. Isto vale os 50 eur por hora.

Havendo possibilidade financeira, um PT é dos melhores investimentos que pode fazer na sua saúde. Como em todas as profissões existem uns melhores do que outros, ou uns com qualidades diferentes dos outros. Não é fácil fazer a escolha mas a tendência do mercado será sempre selecionar os bons e extinguir os maus. Peça referências, analise as competências, não se guie apenas pelo preço. O valor e importância do investimento justifica que o faça com critério e racionalidade.

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